- Entre os achados do inquérito realizado pela Faculdade de Saúde Pública da USP está o aumento de diagnósticos de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, reforçando a importância das ações preventivas e dos programas de cuidado desenvolvidos na rede municipal
A mais recente edição do Inquérito de Saúde da Cidade de São Paulo (ISA Capital) revela um retrato detalhado da saúde dos paulistanos e mostra avanços, mas também desafios crescentes.
Desenvolvida pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS) em parceria com a Faculdade de Saúde Pública da USP (FSP/USP) e a Coordenadoria de Epidemiologia e Informação (CEInfo), a pesquisa ouviu mais de 5 mil moradores entre agosto de 2023 e dezembro de 2024. O levantamento fornece dados essenciais para o planejamento de políticas públicas e programas de cuidado na rede municipal.
Esta é a quarta edição do ISA Capital, que já foi realizado em 2003, 2008 e 2015. O estudo abrangeu adolescentes, adultos e idosos de todas as regiões da cidade – norte, sul, leste, oeste, centro e sudeste – e teve como foco conhecer hábitos de vida, condições de saúde e uso dos serviços municipais. Segundo a SMS, o inquérito “é uma bússola para definir políticas de prevenção e cuidado, ajustadas às necessidades de cada região da cidade”.

Diagnósticos em alta: hipertensão e diabetes crescem
Entre os resultados, chama atenção o aumento dos diagnósticos de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como hipertensão e diabetes — um alerta para o impacto do envelhecimento populacional e das mudanças nos hábitos alimentare.
Em 2024, 26,3% dos entrevistados com mais de 20 anos relataram diagnóstico de hipertensão, contra 23,2% em 2015 e 17% em 2003. Entre idosos, o índice chega a 58,5%. A tendência acompanha os dados nacionais do Vigilância de Fatores de Risco ou Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico – Vigitel, pesquisa do Ministério da Saúde, que registrou 27,9% de adultos hipertensos em 2023.
O diabetes também apresentou crescimento expressivo. Em 2024, 11% da população paulistana com mais de 20 anos recebeu diagnóstico da doença — um salto frente aos 7,7% de 2015. Nos idosos, o número chega a 28,2%
De acordo com dados da SMS, somente entre setembro de 2024 e setembro de 2025 foram registrados 114 mil novos casos de hipertensão e 80 mil de diabetes tipo II na rede pública. No total, há mais de 1,8 milhão de paulistanos com hipertensão e quase 900 mil com diabetes em acompanhamento.
Ações de prevenção e cuidado nas UBSs
A prevenção das DCNTs é uma prioridade da rede municipal de saúde, com base na atuação das equipes multidisciplinares das Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Nessas unidades, os grupos de prática corporal, atividades físicas e orientação nutricional estimulam hábitos saudáveis e ajudam na detecção precoce de doença
Além disso, a capital conta com uma ampla rede de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (Pics) — como acupuntura, meditação, fitoterapia, yoga, aromaterapia e homeopatia — oferecidas em mais de 90% das UBSs. Em 2024, foram realizadas mais de 715 mil sessões dessas práticas, individuais e coletivas.
Diagnóstico e tratamento com tecnologia e inclusãoPara melhorar o controle das doenças crônicas, a SMS implantou nas UBSs o projeto “Cantinho Cuidando de Todos”, equipado com balanças digitais, estadiômetros e instrumentos de aferição de pressão. A versão móvel do projeto permite alcançar moradores que não costumam procurar os serviços de saúde, ampliando o acesso ao diagnóstico.
No caso do diabetes, o Programa de Automonitoramento Glicêmico (Pamg) oferece insumos e orientação a pacientes diagnosticados, garantindo o acompanhamento diário da glicemia. O programa já beneficiou cerca de 400 mil pessoas desde sua criação há 20 anos, e continua como uma das principais estratégias de controle e educação em saúde da capital.
Com o ISA Capital 2024, São Paulo reforça sua base de informações para enfrentar o avanço das doenças crônicas e aprimorar as políticas públicas. O levantamento funciona como espelho da cidade, indicando caminhos para um cuidado mais humano, territorial e preventivo.
Doenças crônicas crescem e acendem alerta para políticas de prevenção na capital
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