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Réplica do 14 Bis, símbolo da aviação, retorna à Zona Norte após dois anos de ausência

Foto/Cortesia: Claus Ignácio
Tempo de Leitura: 4 minutos
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da Redação DiárioZonaNorte

Pronto! A réplica do 14 Bis de Santos Dumont — ícone da aviação brasileira e mundial — está restaurada e remontada na porta de entrada da Zona Norte, na praça circular Campo de Bagatelle, em Santana.

Nesta 6ª feira (17/10/2025), no final da tarde, a equipe de restauradores realizou os últimos retoques e recolocou o busto do “Pai da Aviação”, além dos estirantes — cabos metálicos de sustentação — que reforçam a segurança da estrutura contra eventuais ventanias.

A réplica, agora renovada e imponente, volta a se destacar nesse espaço público, homônimo à Praça de Bagatelle, em Paris, onde Alberto Santos Dumont realizou o primeiro voo “do mais pesado que o ar” — sem auxílio externo ou catapulta — decolando e voando por seus próprios meios.

Réplica 14 Bis
Foto/Cortesia: Claus Ignácio

Coincidentemente, na próxima 5ª feira (23/10/2025) comemoram-se 119 anos do feito histórico do brasileiro com o voo do 14 Bis, data em que também se celebram o Dia do Aviador (instituído em 1936) e o Dia da Força Aérea Brasileira (FAB), criada em 1941.

Estuda-se a realização da reinauguração oficial da réplica do 14 Bis nesta mesma data, com representantes da FAB, da Aeronáutica e do Parque de Material Aeronáutico de São Paulo (PAMA), além da presença do prefeito Ricardo Nunes e de outras autoridades civis e militares.

O DiárioZonaNorte, que publicou “em primeira mão” o retorno do 14 Bis à Praça Campo de Bagatelle em 18/09/2025, divulga agora as imagens da réplica restaurada e reinstalada em definitivo.

Abaixo, um resumo da matéria publicada — com o mesmo título original –, que pode ser consultada com mais detalhes e várias fotos, através do link: clique aqui

Réplica 14 Bis
Busto Alberto Santos Dumont restaurado – Foto/Cortesia: Claus Ignácio

Réplica do 14 Bis restaurada está de volta à  Praça Campo de Bagatelle, em Santana

A ausência da réplica do 14 Bis na Praça Campo de Bagatelle, em Santana, foi sentida como um vazio no horizonte da Zona Norte de São Paulo. O monumento, símbolo do pioneirismo de Alberto Santos Dumont e ponto de referência para quem cruza a Avenida Santos Dumont, teve de ser retirado às pressas após uma forte ventania que danificou sua estrutura metálica. Desde então, moradores e motoristas sentiam falta da silhueta do avião, que por décadas fez parte da paisagem cotidiana.

A retirada deu início a um processo técnico e meticuloso de restauração. A Prefeitura de São Paulo, por meio do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH), autorizou em fevereiro o restauro da obra, que foi conduzido pela Julio Moraes Conservação e Restauro Ltda., empresa sediada no Jardim São Paulo e especializada em bens culturais. O trabalho ficou sob a coordenação do renomado restaurador Claus Ignacios, referência na recuperação de estruturas históricas metálicas.

Réplica 14 Bis
Foto/Cortesia: Claus Ignácio

A réplica foi transportada em um caminhão da Aeronáutica até o Parque de Material Aeronáutico de São Paulo (PAMA), ao lado do Campo de Marte, onde permaneceu em um galpão preparado especialmente para a intervenção. Durante seis meses, a equipe realizou um trabalho de precisão. Primeiro, a estrutura passou por limpeza química e mecânica, com hidrojateamento de baixa pressão e detergente neutro. Em seguida, as partes oxidadas foram tratadas com conversores de ferrugem e reforçadas com soldagem controlada.

Alguns componentes foram substituídos e o conjunto recebeu nova pintura em tinta poliuretano, que garante durabilidade contra o sol e a chuva. O pedestal de granito e os suportes de concreto também foram restaurados, assegurando estabilidade. Todo o processo seguiu normas internacionais de conservação, com documentação fotográfica e relatórios técnicos para cada etapa — um exemplo de respeito ao patrimônio histórico.

Erguido em 2006 sobre o pedestal original de 1974, a replica do 14 Bis na Praça Campo de Bagatelle foi criado pelos artistas Oswaldo e Enivaldo Luppi, sob supervisão de Luís Morrone, em homenagem ao voo histórico de 1906 em Paris. Desde então, tornou-se um ícone visual na “porta de entrada” da Zona Norte, a poucos metros do Campo de Marte — berço da aviação paulistana.

O retorno da réplica, transportada de volta à praça em 18 de setembro de 2025 com apoio da CET e da Aeronáutica, marca o fim de uma longa espera. Para os moradores, não se trata apenas da reinstalação de um monumento, mas da reconquista de um símbolo afetivo. O avião que nunca decola continua a inspirar, lembrando que a memória também precisa de asas para se manter no ar — sobrevoando, agora renovado, o coração de Santana.


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