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Internet não é álbum de família: risco de exposição infantil desafia pais e autoridades

Foto: Divulgação / Hospital Pequeno Príncipe - Camila Hampf
Tempo de Leitura: 4 minutos
da Redação DiárioZonaNorte

É um assunto muito sério e que acontece no momento. O debate sobre o uso das redes sociais por crianças e a circulação de conteúdos que exploram a imagem de menores ganhou força nos últimos dias após denúncias feitas pelo influenciador Felca Bress.

Especialistas defendem que é urgente estabelecer regras claras para redes e plataformas a fim de combater a exploração de crianças e adolescentes online. O governo federal já sinalizou que pretende enviar ao Congresso Nacional proposta para regulamentar o setor.

Com as redes sociais incorporadas ao dia a dia de famílias em todo o país, o hábito de compartilhar imagens e vídeos de filhos se tornou comum. Essa prática, conhecida como sharenting — junção das palavras em inglês share (compartilhar) e parenting (parentalidade) — levanta questões sérias sobre privacidade, segurança e bem-estar infantil. O Hospital Pequeno Príncipe, de Curitiba, alerta para impactos negativos no desenvolvimento emocional e psicológico de crianças e adolescentes.

Internet Exposição Infantil

Quando o orgulho vira risco

A psicóloga Thelma Alves de Oliveira, assessora da diretoria da instituição, lembra que no passado as fotos eram guardadas em álbuns restritos à família. Hoje, as redes transformaram esse gesto íntimo em algo público e irrestrito, expondo crianças a desconhecidos, muitas vezes sem reflexão sobre as consequências.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garante proteção integral à imagem, identidade e privacidade. Como menores ainda estão em formação e não possuem maturidade para consentir, cabe à família, ao Estado e à sociedade evitar qualquer forma de exposição que possa prejudicá-los.

Números que preocupam

Segundo relatório da Children’s Commissioner, em média uma criança tem 1.300 fotos publicadas antes de completar 13 anos. Os riscos vão de perda de privacidade e uso indevido por pedófilos até revelação de dados que facilitam crimes como sequestro. Também podem resultar em bullying ou cyberbullying, já que o que hoje parece engraçado pode gerar humilhação no futuro.

Segundo a psicóloga, embora as políticas públicas brasileiras encontrem respaldo no ECA, a fiscalização é limitada. “A mudança real depende da consciência coletiva. Mesmo postagens ‘fofas’ podem comprometer a segurança e o bem-estar da criança”, alerta.

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Impactos no desenvolvimento

O sharenting pode provocar baixa autoestima, insegurança e distorção da autoimagem. A criança exposta em excesso pode sentir que precisa ser perfeita para agradar, perdendo liberdade para errar, experimentar e brincar. “O risco é criar um sujeito perfeito por fora e vazio por dentro”, observa a psicóloga.

Como proteger

Antes de publicar qualquer conteúdo envolvendo menores, especialistas sugerem:

  • Refletir se a criança gostaria de ver aquela imagem no futuro e se ela pode afetar sua autoestima.
  • Restringir o compartilhamento a pessoas próximas.
  • Evitar divulgar nome completo, data de nascimento, localização ou momentos da rotina.
  • Não postar fotos de crianças sem roupa ou em situações constrangedoras.
  • Pedir consentimento para crianças que já têm capacidade de opinar.

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Influenciadores mirins e o vácuo legal

No ambiente digital, a legislação não acompanha com clareza o trabalho de crianças como influenciadoras. Enquanto na TV há limites de carga horária e garantias de preservação de ganhos, na internet essas regras ainda são frágeis.

A psicóloga reforça que o problema não é o trabalho em si, mas a falta de limites e estrutura: “A criança precisa ter espaço para brincar, descansar e se expressar de forma espontânea. O problema é quando vira um personagem e perde a liberdade de ser ela mesma.

Debate e regulamentação

As recentes denúncias reacenderam a necessidade de atualizar leis e reforçar a atuação das autoridades. O governo federal estuda mecanismos que obriguem plataformas a retirar rapidamente conteúdos que violem direitos de menores, criar sistemas de denúncia mais eficientes e aplicar penalidades para reincidência.

Já especialistas sugerem como solução uma ação conjunta: governo, empresas de tecnologia, famílias e sociedade devem assumir responsabilidade ativa para que a internet seja um ambiente de aprendizado e convivência segura — e não um espaço de exploração.


É uma instituição filantrópica, sem fins lucrativos, que oferece assistência hospitalar há mais de 100 anos para crianças e adolescentes de todo o país. Disponibiliza consultas e é referência nacional em tratamentos de média e alta complexidade, como transplantes de rim, fígado, coração, ossos e medula óssea.

Com 369 leitos, incluído 76 em UTIs (Geral, Cirúrgica, Neonatal e de Cardiologia), atende em 47 especialidades e áreas da pediatria que contemplam diagnóstico e tratamento, com equipes multiprofissionais.

Promove 60% dos atendimentos via Sistema Único de Saúde (SUS) e, em 2023, realizou mais de 227 mil atendimentos ambulatoriais, 20 mil cirurgias e 307 transplantes. Também no ano passado, pela terceira vez consecutiva, a instituição figurou como o melhor hospital exclusivamente pediátrico da América Latina, em um ranking anual elaborado pela revista norte-americana Newsweek.

Faça uma doação e ajude o Pequeno Príncipe a transformar a vida de milhares de crianças!  – Clique aqui


<Com apoio de informações/fonte: Assessoria de Imprensa/Hospital Pequeno Principe / Marieli Prestes >

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