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Revelando SP acontecerá entre os dias 20 e 24 de julho, no Parque da Água Branca

crédito da foto: Joca Duarte/SMC
Tempo de Leitura: 6 minutos

Parque da Água Branca

  • Festival acontece entre os dias 20 e 24 de julho, no Parque da Água Branca
  • Serão 300 atividades propostas por 120 municípios paulistas
  • Os destaques da culinária são o Arroz Vermelho de Cruzeiro e a Galinhada de Guararema

O Revelando SP é o maior festival de cultura tradicional e economia criativa paulista. Realizado desde 1997 pelo Governo do Estado de São Paulo, o evento é gerido pela Amigos da Arte desde 2017. O Revelando SP reúne culinária típica, artesanato e diversas manifestações culturais populares, como folia de reis, congada, catira, viola caipira, jongo, batuques, entre muitas outras atrações vindas de todo o estado.

Desde que passou a ser gerido pela Amigos da Arte, o evento mais que triplicou o número de público presente de 120 mil para 380 mil pessoas em sua última edição, em 2019, no Parque da Água Branca, zona oeste da capital. Na ocasião, 2.628 artistas e expositores participaram do festival.

Em 2020 e 2021, em decorrência da pandemia de Covid-19, o Revelando SP foi realizado no formato online, o que permitiu um registro audiovisual inédito de histórias, personagens e tradições paulistas. Além disso, foram oferecidas atividades de formação para os expositores, por meio do programa Capacitação SP.

Neste ano o festival retorna ao formato presencial de 20 a 24 de julho, no Parque da Água Branca, com mais de 300 atividades propostas por 120 municípios de São Paulo.

Os participantes vêm de mais de cem municípios paulistas, parceiros do Revelando, e a expectativa é de que cerca de 400 mil pessoas compareçam ao festival. Entre outros espetáculos, subirão ao palco do evento artistas como Almir Sater, Rolando Boldrin, Tetê Espíndola e Marcelo Jeneci.

Arroz Vermelho

O Revelando SP  traz  para os seus visitantes o arroz vermelho, variedade introduzida na Bahia pelos portugueses no século 16,  mas só prosperou mesmo no estado do Maranhão, onde virou  arroz-de-veneza ou  arroz-da-terra. Apesar do nome, o arroz não é vermelho, é amendoado – na cor e no gosto, com grãos integrais e do tipo cateto (com o formato arredondado).   Ele ainda não é encontrado  em abundância e é um dos produtos protegidos pela Fortaleza do Slow Food, projeto dedicado a preservar produtos e ajudar produtores artesanais.

Parque da Água Branca

Nas bandas do estado de São Paulo,   a tradição de prepará-lo  vem de Cruzeiro – na época do Caminho do Ouro por volta do século 18, quando os  tropeiros cruzavam a cidade com destino a Minas Gerais ou a Paraty e, nas paradas para descanso, comiam o arroz vermelho (então muito plantado na região) com as sobras de  carne rejeitadas pelos fazendeiros.

Lúcia Batista, primeira Dama do Arroz Vermelho, retorna ao Revelando São Paulo
Primeira Dama do Arroz Vermelho

Foi há 25 anos, em uma das primeiras edições do Revelando SP que Lúcia Batista – representando a cidade de  Cruzeiro, ouviu falar  do arroz vermelho e iniciou uma pesquisa para resgatar a iguaria.

O grão era utilizado em um prato típico de Cruzeiro que levava o “suã” em seu preparo. O suã é a coluna do porco.  Hoje, em reconhecimento ao  trabalho que realiza em todo o estado de São Paulo na divulgação do grão e da cidade de Cruzeiro, Lúcia é carinhosamente chamada de “Primeira Dama do Arroz Vermelho” por integrantes dos meios acadêmicos e gastronômicos.

Parque da Água Branca

“Quando os tropeiros  passavam na região, eles iam em uma fazendinha que tinha na época que plantava esse arroz e iam comer essa comida, porque ela dá sustância. E é verdade, se você almoçar o arroz vermelho, você não janta.  “Eu e minha amiga fomos atrás dos mais velhos, perguntamos como que fazia. Aí um contava uma versão, outro contava outra e foi enriquecendo”, explica Lúcia Batista.

A primeira vez que dona Lúcia preparou o prato foi para a família. “Fizemos do jeitinho que a história conta, acompanhado de mandioca, couve e torresmo”. O próximo passo foi levar o arroz com suã para o Revelando.

Alimento Funcional

O arroz vermelho é saboroso. Lúcia Batista explica  as diferenças básicas entre a variedade vermelha e a branca: o tempo de cozimento, um pouco mais demorado e a necessidade de guardá-lo na geladeira, já que o grão e perecível e dura cerca de 90 dias. A forma de preparo é a mesma do arroz branco.

Além de saboroso é um tipo de grão  integral,   apresenta três vezes mais ferro e duas vezes mais zinco que o tradicional. É rico em fibras e tem baixo teor de gordura. Também auxilia na diminuição da absorção do colesterol pelo organismo, graças à monocolina (estatina natural), substância presente em sua composição. Os chineses já usam o extrato do arroz vermelho para auxiliar na circulação sanguínea, na digestão e nas funções intestinais. Tem  também três vezes mais ferro e duas vezes mais zinco que o arroz branco.

Os visitantes do Revelando SP poderão provar a versão original do prato, que Lúcia prepara:  Arroz Vermelho com suã, farofa de couve, torresminho crocante, mandioca frita e tutu de feijão.

Galinhada de São Longuinho

Há 30 anos quando conheceu Emília, hoje sua esposa, Denílson José Ferreira, se mudou de Lagoinha, no Vale do Paraíba, para Guararema. A cidade, que fica aos pés da Serra da Bocaína, possui o único centro de peregrinação brasileiro de São Longuinho, santo popular “achador” das coisas e causas perdidas.

Parque da água Branca
Kambukira

A relação de Denílson com a galinhada teve início há quase 16 anos. Ele, que foi dono de bar e de uma confecção de sapatos, teve um problema de saúde que o obrigou a ficar em casa. Foi aí que Kambukira, como é conhecido, se interessou pelo prato típico.

“Quando eu tive esse problema de saúde tive que ficar em casa,  de repouso… Para não ficar parado, eu fui até o restaurante de um amigo para aprender a fazer o prato. Falei com a minha esposa e começamos a fazer em casa”, conta Kambukira.

Paella Caipira

Aprovada pela família e amigos, a galinhada fez tanto sucesso que o casal abriu um restaurante. Além do carro chefe, eles fazem também a paella caipira.

“A galinhada é uma só, mas cada um faz do seu jeito. Na minha receita eu uso só a sobrecoxa, sem pele para não ficar com muita gordura. A primeira parte é cozinhar o frango e tudo é feito no carvão, para ficar com aquele gostinho de feito no fogão à lenha. A gente usa a paellera aí vai azeite, cebola, tomate, pimentão e alho. Colocamos um tempero nosso caseiro que vai salsinha e cebolinha. Coloco a sobrecoxa sem pele e vai mais açafrão e coloral para dar aquela corzinha bonita. Aí já acrescenta o arroz e parmesão ralado. Por último faço a decoração”, explica.

parque da água branca

O sucesso foi tanto que Kambukira foi convidado a representar Guararema e levar sua galinhada para o Revelando São Paulo. “Todo mundo que fala em galinhada em Guararema fala que a minha é a melhor que tem. Se você for ao Revelando e não comer a minha galinhada, é como se você não tivesse ido”, se orgulha.

Serviço:

Programação completa aqui

  • Revelando São Paulo 2022
  • 20 a 24 de julho de 2022 – das 10h às 20h

Parque da Água Branca – São Paulo SP

  • Entrada A – Av. Francisco Matarazzo, 455 – Água Branca, São Paulo – SP, 05001-900
  • Entrada B – R. Min. Godói, 180 – Perdizes, São Paulo – SP, 01155-000
  • Entrada C – R. Min. Godói, 310 – Perdizes, São Paulo – SP, 05015-000
  • Estacionamento do Parque – Rua Dona Ana Pimentel, altura do nº 40 Água Branca, São Paulo – SP, 05001-900

<com apoio de informações: Imprensa Associação Amigos da Arte>

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