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Conpresp faz tombamento do prédio da Uniban-Anhanguera, na Vila Guilherme. E fique por dentro do que aconteceu.

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da Redação DiárioZonaNorte

Tudo muda, mas a memória continua percorrendo o passado. Vila Guilherme, ano de 1925, na monotonia da Rua Maria Cândida surgia um prédio revolucionário para a época. Certamente foi alvo de muitos comentários nas barbearias ou nos botequins.

Era estranho ver uma construção moderna, diferente e com construção alta e uma parte redonda na parte superior,  dando a ideia de um “disco voador”. Mas era um modo diferente e revolucionário de caixa d´água – que depois até foi adotado pela companhia de água da cidade —  Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, a Sabesp.

O autor Rino Levi

Esse prédio com linhas modernistas faz parte de uma grande relação de outras importantes obras do arquiteto paulistano Rino de Menotti Levi, que morreu em 1965 com 63 anos.

Por essa importância, depois de cinco anos de estudos e análises, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo – Conpresp  (ligado à Secretaria da Cultura da Prefeitura do Município de São Paulohomologou,  através da Resolução n. 031,  o tombamento do antigo prédio onde teve o início o Laboratório Paulista de Biologia.

A importância do tombamento

Na resolução de tombamento publicado no Diário Oficial da Cidade na semana passada, o Conpresp justifica a decisão pelo valor histórico e referencial urbano para o bairro de Vila Guilherme e do conjunto arquitetônico.

Na decisão é referenciado o relevante papel do escritório Rino Levi na execução do projeto industrialista brasileiro, com vista a conduzir o país à modernidade, como propunha um grupo de intelectuais e empresários cujo principal articulador foi Roberto Simonsen (presidente da Confederação Nacional da Indústria-CNI, presidente da Federação das Indústrias do Estados de São Paulo-FIESP — empresário  da Companhia Construtora de São Paulo e da Cerâmica São Caetano — engenheiro, industrial, escritor e político brasileiro  — 1889/1948 ).

tombaO significado

Segundo o estudo, o papel do Laboratório Paulista de Biologia, a partir da década de 1930, como um dos três mais relevantes laboratórios farmacêuticos brasileiros, responsável pela pesquisa e produção de vacinas e medicamentos no Brasil, com reconhecimento nacional e internacional.

Já o arquiteto Rino Levi é também citado como titular de um dos principais escritórios de arquitetura de São Paulo no século XX, cuja produção apresenta  diversos programas arquitetônicos, promovendo renovação e modernização na paisagem urbana da cidade.

É importante lembrar os edifícios do Cine Ipiranga, Hotel Excelsior, Instituto dos Arquitetos do Brasil-IAB, Museu de Arte Moderna-MAM, Teatro Cultura Artística, Federação das Indústrias de São Paulo-FIESP na Av.Paulista, Ordem dos Advogados e o Hospital Albert Einstein no Morumbi, que curiosamente teve o projeto aprovado em 1958 e só foi construído em 1978—entre outras obras.

O projeto inovador

Na classificação do Conpresp, o prédio tombado na Vila Guilherme tem o caráter inovador do projeto de autoria no panorama da arquitetura moderna, especialmente dos edifícios industriais na cidade de São Paulo, onde o partido arquitetônico contempla planta racional, novos materiais, boa insolação, iluminação e ventilação naturais, generosos recuos/ ambientes ajardinados/arborizados, ou seja, condições mais humanizadas ao trabalhador em todos os setores da fábrica.

E refere-se à importância do projeto da caixa d’água, que foi inovador e arrojado para a época de sua execução  graças à distribuição uniforme da pressão hidrostática na seção circular do cone de concreto.

Agora, não pode mexer 

A partir de agora, qualquer projeto ou intervenção no imóvel, incluindo pequenos reparos, deverão ser previamente analisados e aprovados pelo Conpresp.  As construções posteriores à década de 1950, como as construções em estrutura metálica e vidro, são consideradas fora do projeto original do arquiteto Rino Levi, devendo-se prever a sua eliminação em futuras intervenções.

No momento, o prédio está desocupado e sem informações de sua ocupação, que deverá seguir as normas e exigências do órgão municipal do patrimônio, como também os imóveis em entorno do prédio tombado.

O terreno tem a frente pela Rua Maria Cândida e fundos com a Rua do Imperador, sendo uma entrada lateral com portões no fechamento da Rua Capitão Guedes de Sousa. Em torno entorno das ruas Mário Pinheiro e das Palmas, as vizinhanças são formadas por residências.

O tempo passou

Surgia entre os números 1789/1813 da Rua Maria Cândida, o prédio do Laboratório Paulista de Biologia (LPB), que deu empregos na região e movimentou o lugar. De início, foram 184 empregos.

E tornou-se uma referência na produção de medicamentos – na época não havia a invasão da indústria farmacêutica do exterior. E assim caminhou por 41 anos, quando em 1966 entrou em crise e foi assumido pelo Instituto Pinheiros de Produtos Terapêuticos – que reinou no grande prédio por apenas quatro anos.

E já entrou em fase de um grande laboratório, o Sintex Laboratório Farmacêutico, que foi a última utilização das dependências com esse foco.

Universidades chegam ao local

Uma guinada de 360 graus, saíram de cena as imagens dos laboratórios que passaram pelo prédio. E chega a Universidade Bandeirantes, mais conhecida pela sigla Uniban, que deu ares de muitos jovens na Vila Guilherme.

E movimentou o fraco comércio do entorno com o surgimento de lanchonetes e papelarias – entre outros. Por 15 anos, a Uniban teve um papel importante no desenvolvimento do bairro, mas em 17 de setembro de 2011 foi anunciada sua venda  para o grupo Anhanguera Educacional.

O prédio ostentou o nome Anhanguera por dois anos, sendo encerradas as atividades em 2013, no local. Com as duas entidades de ensino, foram acrescidos internamente auditórios, salas de aulas, laboratórios, bibliotecas, cantinas, entre outras mudanças.

Com todas as memórias dento do valor histórico e de preservação do imóvel, os moradores e vizinhos aguardam um bom destino para o local. Torcem para que seja alugado ou comprado por uma empresa ou mesmo se transforme em um Centro Cultural, com isto reativando o comércio local – que ficou parado todo esse tempo e muitos comerciantes fecharam seus negócios.

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