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Em janeiro de 2026, a UrbanV e a PAX Aeroportos (concessionária que administra o Campo de Marte)  anunciaram um acordo para desenvolver infraestrutura de vertiporto no aeroporto, destinada a aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical, conhecidas como eVTOLs.

A proposta faz parte de um plano da UrbanV para desenvolver uma rede de vertiportos na capital paulista. O conceito é criar uma estrutura de pontos de embarque, desembarque e operação para essas aeronaves, permitindo que diferentes regiões da cidade sejam conectadas pelo transporte aéreo urbano.

Para o Campo de Marte, a história vai além de receber eventualmente uma dessas estruturas. A iniciativa está inserida no ambiente regulatório experimental da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), responsável por acompanhar e supervisionar o desenvolvimento dessa nova infraestrutura no país.

Laboratório de Mobilidade Aérea Urbana

É o chamado sandbox regulatório, mecanismo que permite testar soluções e modelos de operação em condições controladas antes de uma eventual implementação em maior escala.  Na prática, o Campo de Marte pode funcionar como uma espécie de laboratório para a mobilidade aérea urbana.

De acordo com a Anac, a implantação dos vertiportos e a futura operação dos eVTOLs têm potencial para gerar benefícios sociais, econômicos e ambientais.

A proposta é oferecer um transporte mais rápido, sustentável e integrado às cidades, contribuindo para a redução do tempo de deslocamento, a diversificação dos modais urbanos e a inovação no setor aéreo.

Por que o Campo de Marte é importante

O Campo de Marte já é uma instalação aeroportuária em funcionamento e está inserido na malha urbana de São Paulo. Essa característica faz do local um candidato natural para receber testes relacionados à nova modalidade de transporte, permitindo estudar como os novos veículos poderiam compartilhar ou se integrar a uma infraestrutura que já conhece operações aéreas.

A expectativa é que o aeroporto funcione como um hub da futura rede de mobilidade aérea da Região Metropolitana de São Paulo, conectando pontos como os principais aeroportos internacionais, a região da Faria Lima, Alphaville,  ABC paulista, Campinas e a Baixada Santista.

O que é um vertiporto

Um vertiporto pode ser entendido como uma estrutura destinada à operação dos eVTOLs, equipamentos projetados para serem pilotáveis (com um piloto a bordo) ou até mesmo autônomos, dependendo do modelo e da fase de desenvolvimento e regulamentação.

Para que esses veículos operem de forma segura e eficiente, é necessário um conjunto de requisitos técnicos que vai muito além de um simples ponto de aterrissagem.

Essas aeronaves são projetadas para decolar e pousar verticalmente, dispensando uma pista convencional de aeroporto. A tecnologia é apontada como uma das possibilidades para ampliar as alternativas de deslocamento dentro das grandes cidades.

Um vertiporto, porém, não é simplesmente um heliponto adaptado.

A estrutura precisa considerar áreas de pouso e decolagem, circulação de passageiros, segurança, operações em solo, recarga ou abastecimento energético e integração com o sistema de controle do espaço aéreo.  Por isso, testar esse modelo em uma infraestrutura aeroportuária existente é uma etapa importante antes de pensar em uma rede espalhada pela cidade.

Como funcionaria uma rede de vertiportos

A proposta da UrbanV não está concentrada em um único ponto. A ideia é criar uma rede de vertiportos conectados, permitindo que os passageiros utilizem diferentes locais de embarque e desembarque na cidade. O Campo de Marte e a Zona Norte seriam  pontos estratégicos desse sistema.

É possível imaginar o funcionamento de maneira semelhante ao conceito de uma rede de transporte urbano. Em vez de estações ligadas por trilhos ou corredores de ônibus, os pontos seriam conectados por rotas aéreas utilizadas pelos eVTOLs.

O objetivo seria permitir deslocamentos entre diferentes regiões sem depender exclusivamente das vias terrestres. A rede ainda está em fase de planejamento e desenvolvimento. Portanto, não significa que São Paulo já tenha uma malha de vertiportos aprovada ou em funcionamento.

O que são os eVTOLs

A sigla eVTOL vem de electric Vertical Take-Off and Landing, ou aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical.  São veículos projetados para realizar deslocamentos aéreos utilizando sistemas elétricos de propulsão e capacidade de decolar e pousar verticalmente.

O conceito é frequentemente associado ao chamado táxi aéreo elétrico. A proposta ainda depende de avanços tecnológicos, infraestrutura, regulamentação e definição de modelos de operação para alcançar uma escala maior.

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Embraer testa primeiro eVTOL não tripulado

Eve Air Mobility, empresa brasileira controlada pela Embraer e dedicada a soluções de Mobilidade Aérea Urbana, concluiu recentemente o primeiro voo de transição  de seu protótipo não tripulado de eVTOL em escala real, na unidade de testes da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo.

O equipamento, que  tem capacidade para até cinco tripulantes, percorreu aproximadamente 1,5 quilômetro, permaneceu em voo por pouco mais de três minutos, alcançou 27 metros de altitude e atingiu velocidade máxima de 55 km/h.

Durante o teste, foi acionada a hélice propulsora traseira, responsável por impulsionar a aeronave durante a passagem do voo vertical para o voo horizontal e um dos principais desafios do projeto.

A previsão de comercialização destas aeronaves é  2027, após todos os procedimentos de homologação.

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