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Auriverde pendão de minha terra…

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por Toninho Macedo (*) / Reflexões – 5

Castro Alves (*1), grande poeta do ciclo do Romantismo brasileiro, esteve alinhado com Luís Gama, Ruy Barbosa, José do Patrocínio e Joaquim Nabuco. Juntos empreitaram a campanha abolicionista.

O teor de sua obra (Os escravos, Navio Negreiro, Vozes d’ África,…), bem como o ardor de suas declamações e manifestações públicas, valeram-lhe por parte de Machado de Assis o epíteto de “poeta dos escravos” e “poeta republicano“.

Também o grande Joaquim Nabuco, aquele que havia enunciado que “O verdadeiro patriotismo é o que concilia a pátria com a humanidade.” declarou-o “poeta nacional, se não mais, nacionalista, poeta social, humano e humanitário”.

Com “vocação de abolicionista“, iniciou-se na produção literária aos dezesseis anos de idade, e seus versos de “Os Escravos foram iniciados aos dezessete, palpitando desde cedo a chama que move grandes poetas, como os grandes cidadãos. Vida efêmera, mas intensa: Uma foça revolucionária em seus 24 anos.

Pois bem. Ao ver nosso “auriverde pendão”, amortalhando tantos “transeuntes” por aí, lembrei-me dos arroubos “condoreiros” deste nosso grande poeta comprometido com a vida, coma a liberdade, com a Pátria.

O Navio Negreiro – Parte VI, Tragédia no Mar

E existe um povo que a bandeira empresta
Pr’a cobrir tanta infâmia e cobardia!…
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!…
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?!…
Silêncio!… Musa! chora, chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto…

Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra,
E as promessas divinas da esperança…
Tu, que da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança,
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!…

Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu na vaga,
Como um íris no pélago profundo!…
…Mas é infâmia demais… Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo…
Andrada! arranca este pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta de teus mares!”

São Paulo, 18 de abril de 1868.
Publicado no livro A cachoeira de Paulo Afonso em1876.

Toninho Macedo, profundamente inquieto frente a este momento de nosso Brasil.


(*1) Antônio Frederico de Castro Alves foi um dos maiores poetas do Romantismo Brasileiro. Nasceu a 14 Março 1847 (Curralinho-Bahia), e morreu em 06 Julho 1871 (Salvador, Bahia)

 

 


 

(*) Toninho Macedo — Por trás do conhecido Toninho Macedo, há o cidadão Antonio Teixeira de Macedo Neto, que conduziu grandes festivais de cultura e de folclore culminando no maior Festival de Cultura Paulista Tradicional, o “Revelando São Paulo“ – criado em 1996 –, por seis edições memoráveis na Zona Norte (Vila Guilherme, em 2010 a 2014 e 2017/2018), além do interior e litoral. Nele há também muita experiência e inteligência, que vem da graduação em Licenciatura Plenas em Letras Neo-Latinas (1972) e doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo-USP (2004). Atualmente é diretor cultural e artístico da Abaçai Cultura e Arte, além de gerir Museu da Inclusão e a Fazenda São Bernardo, fundada em 1881 em Rafard (interior de São Paulo), onde Tarsila do Amaral nasceu e passou a infância — saiba mais clicando aqui


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