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Labace 2026 abre no Campo de Marte com expectativa de movimentar US$ 200 milhões e reforça expansão da aviação geral no Brasil

Labace 2026
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Evento reúne fabricantes, operadores e investidores em São Paulo e acompanha crescimento da frota brasileira, que já é a segunda maior do mundo

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A 21ª edição da Latin American Business Aviation Conference & Exhibition (Labace 2026) começou nesta 3ª feira (4/8), no Aeroporto Campo de Marte, na Zona Norte de São Paulo, reunindo fabricantes de aeronaves, operadores, prestadores de serviços, investidores e representantes do setor público em um momento de expansão da aviação geral brasileira.

Promovida pela Associação Brasileira de Aviação Geral (ABAG), a feira segue até 5ª feira (6/8) e deve movimentar cerca de US$ 200 milhões em negócios, segundo estimativa da entidade. Caso a projeção se confirme, o resultado superará os aproximadamente US$ 150 milhões registrados na edição de 2025. Parte dos contratos iniciados durante o evento costuma ser concluída nos meses seguintes.

A Labace é considerada a principal feira da aviação geral da América Latina e uma das mais importantes do mundo para o segmento. Nesta edição, 55 aeronaves estão expostas entre aviões, helicópteros e modelos voltados à aviação executiva, agrícola e de serviços especializados.

Brasil amplia frota e consolida posição entre os maiores mercados do mundo

A realização da Labace coincide com um período de crescimento da aviação geral brasileira. O país possui atualmente 11.375 aeronaves em operação, mantendo a segunda maior frota do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

Nos últimos doze meses, a frota nacional cresceu 5,1%, acompanhando o aumento da demanda por aeronaves, manutenção, peças, infraestrutura aeroportuária e serviços especializados.

Segundo a ABAG, aproximadamente 600 aviões e helicópteros ingressam anualmente no mercado brasileiro. Cada nova aeronave incorporada à frota amplia a necessidade de inspeções periódicas, manutenção, componentes, aviônicos, seguros, treinamento de tripulações, abastecimento, hangaragem, atendimento aeroportuário, financiamento e serviços aduaneiros.

O crescimento da frota também se reflete na movimentação dos aeroportos. Nos últimos doze meses, o número de pousos e decolagens no país aumentou 12,18%, reforçando o avanço da atividade em diferentes segmentos da aviação geral.

Labace Campo Marte Aviação
Flávio Pires – CEO ABAG, durante Coletiva de Imprensa

Setor conecta milhares de localidades onde a aviação comercial não chega

A dimensão territorial do Brasil, somada à concentração dos voos comerciais em um número restrito de aeroportos, faz da aviação geral um importante instrumento de integração nacional.

Segundo a ABAG, o segmento atende aproximadamente cinco mil localidades entre aeroportos, aeródromos privados e helipontos, ampliando a conectividade de regiões onde o transporte aéreo regular não está disponível.

A utilização de aeronaves atende diferentes atividades econômicas, incluindo agronegócio, mineração, óleo e gás, transporte executivo, logística, saúde, segurança pública e atendimento ao Poder Judiciário.

O crescimento do setor também fortalece uma extensa cadeia econômica formada por oficinas de manutenção, fabricantes de componentes, empresas de tecnologia aeronáutica, seguradoras, fornecedores de combustível, operadores aeroportuários e prestadores de serviços especializados.

Agronegócio amplia demanda por aeronaves

O agronegócio segue como um dos principais motores da expansão da aviação geral brasileira e terá participação expressiva na Labace.

Em maio deste ano, a frota de aeronaves agrícolas em operação alcançou 2.158 unidades, crescimento de 4,2% em relação aos doze meses anteriores, segundo dados da ABAG.

O avanço acompanha o aumento da demanda por operações de pulverização aérea e pelo transporte de pessoas, insumos e equipamentos em regiões produtoras.

Também registrou crescimento a frota de aeronaves turboélices utilizadas no transporte de passageiros e cargas. Nos últimos doze meses, esse segmento avançou 7,1%.  Esse tipo de aeronave é amplamente utilizado por empresas do agronegócio devido à capacidade de operar em pistas curtas ou não pavimentadas, permitindo acesso a fazendas, centros de produção e localidades com infraestrutura aeroportuária limitada.

HondaJet Elite II – Lider Aviação

Táxi aéreo cresce e amplia atendimento em regiões remotas

Outro segmento em expansão é o táxi aéreo.

A frota operacional brasileira passou de cerca de 700 aeronaves em maio de 2025 para 739 unidades em maio deste ano, crescimento de 5,6%, segundo levantamento da ABAG.

A entidade destaca que o serviço desempenha papel estratégico na mobilidade de passageiros e na logística de regiões remotas. Enquanto a aviação comercial regular opera em aproximadamente 147 aeroportos brasileiros, o táxi aéreo amplia o acesso a milhares de municípios, transportando pessoas, equipes técnicas, equipamentos e cargas para localidades onde outros meios de transporte apresentam limitações operacionais.

Além da atividade empresarial, essas aeronaves são empregadas em operações de saúde, segurança pública, atendimento à Justiça e missões logísticas em áreas de difícil acesso.

Estande Helibras

Mercado de manutenção acompanha expansão da frota

O crescimento do número de jatos e turboélices também impulsiona outro segmento da indústria aeronáutica: a manutenção.

Ao contrário da venda de uma aeronave, que representa uma operação pontual, a manutenção acompanha toda a vida útil do equipamento.

Inspeções programadas, revisões de motores, cumprimento de boletins técnicos, substituição de componentes e atualização de sistemas eletrônicos geram demanda contínua para oficinas especializadas e fabricantes de peças, ampliando o mercado de serviços aeronáuticos em todo o país.

Robinson R66 – helicóptero leve monoturbina de cinco lugares,

Labace apresenta novas aeronaves, soluções tecnológicas e serviços para o mercado

A edição de 2026 reúne fabricantes nacionais e internacionais, empresas de manutenção, operadores de táxi aéreo, fornecedores de tecnologia, prestadores de serviços e instituições públicas ligadas ao setor aeronáutico.

Entre os destaques da programação está a Synerjet, representante exclusiva da fabricante suíça Pilatus na América Latina, que apresenta o turboélice Pilatus PC-12 PRO. A aeronave incorpora o sistema Autoland, capaz de realizar pousos automáticos em situações de emergência, além da suíte aviônica Garmin G3000 PRIME.

A Solojet Aviação leva à feira o Hawker 400XP e apresenta seu modelo de negócios One Stop Shop, que reúne em uma única operação serviços de compartilhamento de aeronaves, manutenção, retrofit de interiores e táxi aéreo.

A TAM Aviação Executiva participa como a maior expositora desta edição. A empresa comemora 65 anos de atuação no Brasil apresentando oito aeronaves, entre elas jatos Citation, turboélices King Air e helicópteros Bell.

Cessna Citation Latitude – TAM Aviação Executiva

A Líder Aviação exibe o HondaJet Elite II e apresenta soluções de conectividade por satélite com a tecnologia Gogo Galileo.

A Cirrus Aircraft leva ao Campo de Marte o Vision Jet G3 e o SR22T G7+, ambos equipados com o sistema Safe Return Emergency Autoland, que permite o pouso automático da aeronave em situações de emergência.

A Helibras apresenta o helicóptero ACH145 e maquetes do biturbina ACH160. A Daher Aircraft destaca o turboélice TBM 980, bastante utilizado em operações do agronegócio, além da família Kodiak, projetada para operar em pistas curtas e regiões remotas.

A Amaro Aviation apresenta seus serviços de compartilhamento e fretamento de aeronaves. A empresa amplia sua frota para 13 aeronaves, incluindo o helicóptero Bell 429.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) participa da feira com a recém-criada Superintendência de Operações da Aviação Geral (SAG), estrutura criada para concentrar ações voltadas à modernização da regulação do segmento.

Experiência Fly-in amplia serviços para proprietários de aeronaves

Uma das novidades da edição de 2026 é a experiência Fly-in, desenvolvida em parceria com a PAX Aeroportos, concessionária que administra o Aeroporto Campo de Marte.

Proprietários e visitantes que chegarem ao evento utilizando suas próprias aeronaves terão acesso ao Terminal PAX com recepção VIP, credenciamento exclusivo, transporte interno até a feira, isenção das taxas de handling e permanência no pátio da empresa, além de condições especiais para abastecimento.

Os dez primeiros voos participantes também recebem ingressos de cortesia para a feira. A operação funciona diariamente entre 11h e 21h.

Outra novidade é a abertura de uma unidade temporária da Tartuferia San Paolo dentro do evento. O espaço foi concebido para reuniões de negócios e oferece cardápio inspirado na gastronomia italiana contemporânea, com pratos preparados à base de trufas.

SPAIR Táxi Aéreo

Ferramenta gratuita busca aumentar segurança de pilotos que operam sozinhos

A ABAG também utiliza a Labace para ampliar a divulgação do programa AVV, conjunto de ferramentas voltado ao aumento da segurança operacional da aviação de geral, especialmente para pilotos que realizam voos sem copiloto.

Nesse modelo de operação, conhecido como single pilot, o profissional normalmente acumula diversas responsabilidades além da condução da aeronave. Entre elas estão o planejamento do voo, envio do plano às autoridades aeronáuticas, contratação de abastecimento, pagamento de taxas aeroportuárias, reserva de transporte terrestre, hospedagem e acompanhamento das condições meteorológicas.

Segundo a associação, muitas dessas viagens são comunicadas ao piloto com pouca antecedência, reduzindo o tempo disponível para o planejamento operacional e aumentando os riscos decorrentes da falta de informações.

Para reduzir esse cenário, a primeira ferramenta disponibilizada pelo programa é a Central de Facilitação de Voos, serviço gratuito oferecido a pilotos de todo o país, independentemente de serem associados à entidade. A plataforma reúne informações operacionais e auxilia no planejamento das missões, contribuindo para decisões mais seguras antes da decolagem.

Combustível sustentável ganha espaço na agenda da aviação

Outro tema em destaque na Labace é a descarbonização da aviação.

O Brasil é signatário dos compromissos internacionais estabelecidos pela Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), que têm como meta alcançar emissões líquidas zero até 2050. O país também passou a contar com um marco legal específico após a sanção da Lei do Combustível do Futuro.

A legislação criou o Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação (Probioqav), destinado a estimular pesquisas, produção e utilização do Combustível Sustentável de Aviação (SAF).

Pelas regras estabelecidas, a partir de 2028 o setor aéreo deverá reduzir em pelo menos 1% ao ano as emissões de gases de efeito estufa. Em 2029, esse percentual passa a crescer um ponto percentual por ano, até atingir redução mínima de 10% em 2037.

O SAF é produzido a partir da mistura do querosene de aviação convencional com combustíveis renováveis. Na configuração tecnológica atualmente disponível, a utilização do produto pode reduzir entre 35% e 65% das emissões de carbono durante a operação das aeronaves.

Apesar do potencial ambiental, a expansão do combustível ainda enfrenta obstáculos. O custo permanece cerca de três vezes superior ao do querosene convencional, enquanto a produção mundial ainda representa parcela reduzida da demanda do setor.

Dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) apontam crescimento da produção global de SAF, mas o volume ainda responde por menos de 1% do combustível consumido pela aviação mundial.

Para a ABAG, o Brasil reúne condições para ocupar posição estratégica nesse mercado em razão da experiência acumulada na produção de biocombustíveis e da disponibilidade de matérias-primas como babaçu, macaúba e outras oleaginosas.

Aviação geral amplia atuação em emergências e transporte de órgãos

Além da atividade econômica, a aviação geral mantém papel relevante em operações de interesse público.

A entidade destaca que aeronaves do segmento atuam no transporte aeromédico, remoção de pacientes, deslocamento de equipes médicas e transporte de órgãos destinados a transplantes.

Durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, aeronaves da aviação geral participaram do resgate de pessoas isoladas e do transporte de alimentos, medicamentos e outros suprimentos essenciais para áreas sem acesso terrestre.

A aviação agrícola também desempenhou papel importante no combate aos incêndios registrados em diferentes estados brasileiros.

Segundo dados do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), entre julho e agosto foram lançados pelo menos 15,8 milhões de litros de água sobre focos de incêndio no Pantanal, em São Paulo e em Goiás.

As operações envolveram 28 aeronaves. Somente no Pantanal foram despejados 14,3 milhões de litros de água. Em São Paulo, pelo menos 11 aviões agrícolas lançaram cerca de 760 mil litros de água em áreas rurais e de preservação ambiental. Em Goiás, outras 15 aeronaves empregaram aproximadamente 540 mil litros no combate às chamas em propriedades rurais e áreas de proteção.

Os números reforçam o papel da aviação geral não apenas como instrumento de mobilidade e desenvolvimento econômico, mas também como estrutura de apoio em situações de emergência, proteção ambiental e atendimento à população em regiões onde outros modais não conseguem operar com rapidez.

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