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Antibióticos em excesso estão alimentando uma crise silenciosa de superbactérias

Antibióticos superbactérias
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A Semana Mundial de Conscientização sobre a Resistência Antimicrobiana, celebrada desta 3ª feira (18/11/2025) até o dia 24, reforça um alerta que já mobiliza governos, profissionais de saúde e organismos internacionais: o uso excessivo de antibióticos está acelerando o surgimento de superbactérias e ameaçando a medicina moderna.

A iniciativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) busca ampliar o entendimento da população sobre os riscos da automedicação e da prescrição inadequada, problemas que tornam infecções comuns cada vez mais difíceis de tratar.

A resistência antimicrobiana (RAM) ocorre quando microrganismos — bactérias, vírus, fungos e parasitas — sofrem alterações e deixam de responder aos medicamentos que antes eram eficazes.

À medida que o tempo passa, antibióticos e outros remédios perdem força, reduzindo opções terapêuticas e aumentando o risco de complicações graves e mortes. Em muitos casos, infecções antes simples se tornam verdadeiros desafios clínicos.

Segundo estimativas internacionais, a resistência antimicrobiana está associada a mais de 1,27 milhão de mortes diretas por ano e contribui para outras 4,95 milhões. O impacto já coloca o problema entre as dez principais causas de mortalidade no mundo, especialmente entre crianças menores de cinco anos.

A infectologista do São Cristóvão Saúde, Dra. Michelle Zicker, explica que o uso indiscriminado de antibióticos é o maior combustível dessa crise global. “As bactérias resistentes desenvolvem mecanismos para sobreviver mesmo na presença do medicamento. As mais frágeis morrem; as resistentes se fortalecem. O uso desnecessário ou inadequado favorece a multiplicação dessas cepas e sua disseminação”, afirma.

Infecções mais preocupantes

Entre os microrganismos que mais preocupam estão bactérias Gram-negativas multirresistentes, o Mycobacterium tuberculosis resistente à rifampicina, além de Pseudomonas aeruginosa, Staphylococcus aureus, Neisseria gonorrhoeae e Enterococcus faecium. Muitas dessas infecções são comuns em ambiente hospitalar, mas o avanço da resistência já ultrapassa as fronteiras dos centros médicos e chega à comunidade.

No Brasil, projeções baseadas em dados internacionais indicam que a RAM pode estar relacionada a cerca de 33 mil mortes diretas por ano. Sem ações firmes, os óbitos globais atribuídos à resistência antimicrobiana podem alcançar 39 milhões até 2050.

Além do impacto sanitário, há consequências econômicas. Estimativas sugerem que o problema pode reduzir em até US$ 3,4 trilhões o PIB mundial anual até 2030 e empurrar milhões de pessoas para a extrema pobreza.

Responsabilidade compartilhada

A médica destaca que o combate à resistência depende de ações cotidianas. “Jamais se deve usar antibióticos sem prescrição. É preciso respeitar doses, horários e o tempo de tratamento. Interromper antes da hora ou tomar a dose errada compromete a eficácia e facilita o surgimento de resistência”, orienta.

Ela reforça que medicamentos não devem ser compartilhados e que o descarte correto evita automedicação e reaproveitamento inadequado.

Medidas de controle e esforço global

A dificuldade em desenvolver novos antibióticos — um processo caro, longo e incerto — torna a prevenção essencial. Entre as estratégias recomendadas estão:

• uso racional dos medicamentos em humanos e animais;
• reforço da higiene e prevenção, especialmente a correta higienização das mãos;
• investimento em pesquisas;
• terapias combinadas que retardam a resistência.

A OMS lidera, desde 2015, um plano global para enfrentar o problema, com foco em comunicação, educação e treinamento. A Semana Mundial de Conscientização reforça esse movimento e lembra que a responsabilidade é coletiva.


<Com apoio de informações/fonte: Global PR Consulting / Camila Pal >

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