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Os perigos no descarte de medicamentos vencidos para o meio ambiente e a saúde

Descarte medicamentos vencidos
Tempo de Leitura: 3 minutos

 

  • Desinformação pode causar danos à saúde e ao meio ambiente; especialistas explicam o que fazer

O descarte incorreto de medicamentos vencidos ou sobras de remédios pode contaminar o solo, os rios e ameaçar a saúde humana.

Muitas pessoas ainda acreditam que jogar comprimidos no lixo ou na pia é suficiente, mas esse hábito tem consequências ambientais graves e duradouras.

O Brasil, que consome mais de 162 bilhões de doses por ano, precisa enfrentar o problema com informação e responsabilidade.

Especialistas alertam que os princípios ativos de muitos remédios não se degradam facilmente. Quando jogados em pias ou vasos sanitários, chegam às estações de esgoto e, depois, a rios e mananciais, já que o tratamento da água não elimina totalmente essas substâncias.

Pesquisas internacionais apontam que mais de um quarto dos rios do planeta contêm traços de fármacos, colocando em risco a fauna aquática e a saúde pública.

Além da contaminação ambiental, há reflexos diretos sobre as pessoas. Resíduos farmacêuticos na água potável, ainda que em pequenas quantidades, podem causar desequilíbrios hormonais e efeitos tóxicos acumulativos.

As superbactérias

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De acordo com o professor de Biologia do Colégio Positivo,  Guilherme Teitge, medicamentos têm compostos ativos que não se degradam facilmente. Mesmo descarte inadequado de antibióticos também estimula o surgimento das chamadas “superbactérias”, micro-organismos resistentes aos medicamentos disponíveis.

Isso ameaça a eficácia de tratamentos para doenças comuns e pode nos levar a uma “era pré-antibiótico”, como alertam médicos infectologistas.

Outro erro comum é acreditar que fitoterápicos e produtos naturais são inofensivos. Muitas plantas medicinais possuem compostos bioativos que, quando lançados na natureza, prejudicam micro-organismos, insetos e organismos aquáticos.

Até embalagens aparentemente vazias podem reter resíduos químicos, especialmente as de cartelas, pomadas e xaropes. Essas substâncias contaminam o solo e a água e, por combinarem alumínio e plástico, são difíceis de reciclar.

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Outro perigo: as doações

Doar medicamentos sobras também exige cautela. Mesmo dentro da validade, eles podem ter sido mal armazenados, perder eficácia ou até se tornar tóxicos. Frascos abertos e cartelas violadas aumentam o risco de contaminação.

A doação segura só deve ocorrer por meio de programas oficiais e unidades de saúde autorizadas. Fora desses canais, um gesto solidário pode se transformar em um perigo à vida.

Por fim, o descarte de medicamentos não é responsabilidade exclusiva do governo ou da indústria. A Política Nacional de Resíduos Sólidos estabelece o sistema de logística reversa, que depende da colaboração de todos — farmácias, fabricantes e consumidores.

Cada cidadão deve guardar separadamente os medicamentos vencidos e levá-los a pontos de coleta, como farmácias e unidades de saúde participantes.

Os especialistas reforçam três medidas simples:

  • Nunca jogue medicamentos no lixo comum, pia ou vaso sanitário.
  • Mantenha embalagens fechadas e fora do alcance de crianças e animais
  • Informe e conscientize familiares e vizinhos sobre a importância do descarte correto.

O conhecimento é o primeiro passo para evitar danos invisíveis que se acumulam na natureza e, cedo ou tarde, voltam à saúde humana. O remédio vencido pode parecer inofensivo — mas seu destino errado é um veneno silencioso.


<Com apoio de informações/fonte: Central Press Comunicação>

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