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da Redação DiárioZonaNorte
A seca é visível e atinge um ponto máximo dos últimos tempos. O reflexo está nas represas que abastecem as cidades e nas torneiras dos moradores da megacidade chamada São Paulo. Os reservatórios fundamentais, como Sistema Cantareira, têm enfrentado níveis mínimos — cenário que exige da população uma consciência urgente quanto ao consumo de água. E essa gravidade que vem se arrastando desde agosto, conforme noticiado pelo DiárioZonaNorte (leia aqui), só agora mobilizou o estado para reagir.
Em coletiva de Imprensa nesta 6ª feira (24/10/2025), a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e o governo do Estado de São Paulo – sem mencionarem em nenhum momento a palavra racionamento – anunciaram um plano de contingência hídrica que poderá levar a restrições de até 16 horas diárias sem água ou com pressão reduzida em regiões mais críticas.
É racionamento, sim.
A Sabesp, cuja a administração passou recentemente para a iniciativa privada, e as autoridades estaduais informaram que o programa de contenção engloba três frentes principais: redução da pressão da água em regiões elevadas ou periféricas, implantação de um sistema de monitoramento em tempo real dos reservatórios e consumo, e um modelo de gestão hídrica reforçado para aumentar a resiliência do sistema de abastecimento.
Além disso, o pacote de obras de saneamento anunciado em dezembro de 2024, da ordem de R$ 15 bilhões, foi reiterado como peça-chave para a mitigação da crise.
A medida de redução da pressão já vinha sendo adotada desde setembro, com horários mais severos — principalmente entre 21:00 e 05:00 horas — em áreas periféricas da Região Metropolitana.
Segundo o anúncio, a fase atual busca economizar até 115 milhões de litros de água por dia. A fase de contingência vigente corresponde à “Faixa 3” do sistema de alertas operacionais, com volumes de reservatórios abaixo de 31,8 %, e exige redução de pressão por cerca de 10 horas.
Em casos mais críticos, o plano prevê aumento para até 16 horas de restrição ou a adoção de rodízio, caso os níveis continuem a recuar. Segundo dados divulgados pela gestão estadual, os níveis dos reservatórios que atendem a região metropolitana se encontram em patamar inferior aos verificados em 2015, que marcou uma grave crise hídrica.
Diariamente, chegam a nossa redação, reclamações de leitores sobre a contínua falta de água em bairros da Zona Norte de São Paulo. De acordo com relatos enviados, as caixas de água não chegam a “encher” durante o dia e o abastecimento é encerrando por volta das 19h voltando muito depois das 9h da manhã seguinte.

Sistema Cantareira
O Sistema Cantareira, principal manancial de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, registrou nesta 6ª feira (24/10/2025) apenas 24,2% de volume útil, permanecendo na Faixa 4 – nível de restrição.
O Sistema Cantareira abastece as zonas Norte e central e partes das zonas Leste e Oeste da capital, bem como os municípios de Franco da Rocha, Francisco Morato, Caieiras, Osasco, Carapicuíba e São Caetano do Sul (na sua totalidade); e parcialmente os municípios de Guarulhos, Barueri, Itapevi, Jandira, Santana de Parnaíba, Cajamar e Santo André .
O Sistema Cantareira é composto por seis represas: Atibainha, Cachoeira, Jacareí, Jaguari e Paiva Castro. No total, a capacidade de armazenamento é de quase 1 trilhão de litros de água.volu

Chuva no lugar certo
A principal fonte de abastecimento é a chuva e, muita chuva na cidade de São Paulo não significa que os sistemas – que ficam localizados distantes da cidade, estejam recebendo a mesma intensidade de chuvas. Ela precisa cair no sul de Minas Gerais, onde ficam as nascentes das represas que abastecem o sistema. A escassez de chuva, que persiste pelo terceiro ano consecutivo, agrava o cenário e alerta para a necessidade imediata de ação.
O tratamento da água é feito na Estação de Tratamento do Guaraú, a maior instalação de tratamento da Grande São Paulo, abastecendo abastece cerca de 7,5 milhões de pessoas por dia, 46% da população da Região Metropolitana de São Paulo.
Para que o Cantareira volte a uma condição “segura” (60%) é preciso muita chuva e um esforço urgente os mananciais sejam preservados e a natureza siga seu curso na produção de água.
Colapso no abastecimento
As autoridades ressaltaram que o plano busca evitar o colapso no abastecimento — o que implicaria racionamento severo e impacto direto na vida cotidiana de milhões de pessoas.
Para a população, o chamado é enfatizado: reduzir o consumo de água, evitar desperdícios, acompanhar os comunicados da Sabesp e adotar medidas práticas como usar máquina de lavar cheias, consertar vazamentos, aproveitar água de enxágue para finalidades secundárias e evitar usar mangueiras sem necessidade.
A cooperação individual, segundo os técnicos, pode fazer a diferença entre enfrentar apenas restrições leves ou um racionamento generalizado.
Prioridade no abastecimento
A Sabesp também esclareceu que, caso os patamares de abastecimento desçam ainda mais, haverá priorização de entrega para serviços essenciais — como hospitais, escolas, unidades de pronto atendimento, abrigos, defesa civil e bombeiros — enquanto demais áreas poderão enfrentar cortes programados ou redução intensa de pressão. Esse mecanismo de priorização já é previsto no plano de contingência.
Em termos operacionais, o sistema de monitoramento mais avançado permitirá à Sabesp e ao governo estadual detectar em tempo real a evolução dos níveis, consumo e pressão, e acionar automaticamente as faixas de alerta e restrição.
Gestão Hídrica
A gestão hídrica reforçada incluiu ainda revisão de transposições de bacia, análise de captações emergenciais de “volume morto” das represas e otimização das redes de distribuição para reduzir perdas.
As obras de saneamento anunciadas em dezembro de 2024 foram lembradas como investimento essencial: o plano de R$ 15 bilhões contempla modernização de estações de tratamento, reforço da rede de abastecimento e melhorias para reduzir perdas — fatores que, se adiantados, podem mitigar o risco de racionamento futuro.
O governo estadual frisou que, mesmo sem decretar rodízio até o momento, o plano abre esta possibilidade como medida última diante de agravamento. Assim, as 16 horas de pressão reduzida ou suspensão parcial do abastecimento não são apenas hipóteses, mas cenários previstos caso o sistema rompa níveis de segurança. É um momento em que o “modo de espera” já foi acionado.
Para o cidadão comum, o alerta é claro: estamos em um momento de fragilidade do sistema hídrico, e a adoção de práticas conscientes de uso de água deixa de ser apenas recomendação para tornar-se condição de sobrevivência da rede de abastecimento.
Ao investir no monitoramento, na gestão e no engajamento da sociedade, o Estado tenta evitar um colapso que pode coincidir com os anos mais secos da história recente da metrópole.
<Com apoio de informações/fonte: Agência SP/Governo de SP e pesquisa Arquivo DZN>
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