da Redação DiárioZonaNorte
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Enquanto os grandes bancos tradicionais aceleram o fechamento de agências físicas e reduzem equipes, um movimento silencioso segue na direção oposta — e está ganhando força justamente nos grandes centros urbanos. O cooperativismo financeiro, que nasceu no meio rural e por décadas foi associado ao interior do país, hoje se posiciona como uma das alternativas mais modernas, sustentáveis e humanas do mercado.
Nos últimos anos, bancos de varejo encerraram milhares de agências no Brasil, impulsionados pela digitalização, corte de custos e centralização de operações. Os números são espantosos, se levarmos em conta apenas três dos grandes bancos brasileiros e os últimos cinco anos: o Itaú fechou cerca de 1.113 agências, o Bradesco fechou 1.599 agências e o Santander fechou cerca de 500 agências, cortando mais de 25 mil postos de trabalho em todo o país.
O atendimento se tornou cada vez mais automatizado, distante e impessoal. Para muitos clientes, especialmente pequenas e médias empresas, comunidades locais e pessoas que valorizam relacionamento, esse modelo criou um vazio de proximidade.
Impossível não citar Ênio Meinen e Márcio Port, autores do ótimo livro Cooperativismo Financeiro – Virtudes e Oportunidades, “as cooperativas entenderam que presença territorial não é custo, mas sim vínculo com o associado e com a comunidade. Esta visão contrasta diretamente com a lógica dos bancos tradicionais, que enxergam a agência como despesa operacional.”

Do campo às metrópoles: a virada histórica do cooperativismo financeiro
O cooperativismo financeiro completará 123 anos em 28 de dezembro de 2025. A data é marcada pela constituição da Caixa Rural da Linha Imperial, atual Sicredi Pioneira, na cidade de Nova Petrópolis -, e marcou também o início do cooperativismo de crédito no Brasil, a partir da motivação do Padre Theodor Amstad e de lideranças da comunidade.
Um modelo de negócio que nasceu para atender agricultores e pequenos produtores em regiões rurais, oferecendo crédito onde os bancos não chegavam. Durante décadas, seu papel foi preencher lacunas do sistema tradicional.
E foi justamente esta origem rural que serviu como alicerce para um modelo centrado na confiança, na proximidade e no desenvolvimento coletivo, permitindo que o cooperativismo financeiro conquistasse ambientes econômicos complexos.
À medida que os centros urbanos cresceram, também cresceu a demanda por instituições financeiras mais humanas, participativas e comprometidas com o desenvolvimento local. Nesse contexto, as cooperativas perceberam uma oportunidade.
A presença física deixou de ser vista como característica de interior e passou a ser um diferencial competitivo. Diferente dos bancos tradicionais, que fecham agências nas cidades, as cooperativas estão ocupando esses espaços com estruturas modernas, tecnológicas e abertas à comunidade, construindo relações e fortalecendo o tecido social.
Essa mudança de perfil marca uma virada histórica: o cooperativismo financeiro deixou de ser um ator coadjuvante para se tornar uma força estratégica nas metrópoles brasileiras. E essa expansão urbana não é pontual, mas planejada e consistente — liderada por cooperativas que enxergam nas cidades o próximo grande ciclo de crescimento.
Terreno fértil para o Cooperativismo
A expansão nos grandes centros urbanos não é apenas uma estratégia de mercado. É um sinal de mudança estrutural no sistema financeiro brasileiro. Entre todas as cooperativas do país, uma se tornou símbolo da entrada do cooperativismo financeiro nas grandes cidades: a Sicredi Vale do Piquiri Abcd PR/SP. Hoje, ela representa a nova geração de cooperativas que entenderam o valor estratégico da atuação nas metrópoles.
E sua história começou de forma simples, quase simbólica e diz muito sobre essa virada histórica do cooperativismo. Há 37 anos, em Palotina – no Oeste do Paraná, o que viria a se tornar uma das maiores cooperativas financeiras do Brasil nasceu debaixo de uma escada. Ali, em um espaço improvisado cedido pela então Coopervale (hoje CVale), havia apenas uma mesinha de madeira, uma cadeira e um armário de aço com quatro gavetas.
Nada de luxo. Mas havia algo muito mais poderoso: gente acreditando… Eles não criaram apenas uma instituição financeira. Criaram um movimento de desenvolvimento econômico e social, baseado na confiança e no pertencimento.

Debaixo de uma escada para a maior cidade do Hemisfério Sul
Saída do interior do Paraná, ela agora está presente no Grande ABC e em diversas regiões da cidade de São Paulo — a maior metrópole e coração financeiro do Hemisfério Sul, com agências nas Avenida Paulista, Rebouças e Berrini, entre outras. Do degrau de uma escada para o centro das maiores cidades do Brasil.
Daquele espaço modesto nasceu uma potência: hoje, a Sicredi Vale do Piquiri é a 3ª maior cooperativa do Sistema Sicredi e a 5ª maior do país. Saída do interior do Paraná, ela agora está presente no Grande ABC e em diversas regiões da cidade de São Paulo — a maior metrópole e coração financeiro do Hemisfério Sul. Do degrau de uma escada para o centro das maiores cidades do Brasil.

Sobre a trajetória da instituição, o presidente Jaime Basso lembra que “crescer, para nós, nunca foi apenas ampliar números ou inaugurar novas estruturas. É fortalecer vínculos, compreender as realidades de cada associado e oferecer caminhos sustentáveis para que todos prosperem. É permanecer fiel ao ideal dos fundadores, o de estar ao lado das pessoas, e não acima delas. Cada agência, cada projeto social e cada história de vida que se entrelaça a nossa trajetória são provas de que o cooperativismo segue atual e necessário. Ele nos lembra que o desenvolvimento real nasce da partilha, um valor que não se desgasta com o tempo, apenas se renova.”
E o mais impressionante: mesmo crescendo, ela manteve sua essência cooperativa. Do simples para o extraordinário. Da união para a transformação. Essa é a força do cooperativismo.

Expansão mesmo quando os bancos recuam
Na última semana, a Sicredi Vale do Piquiri Abcd PR/SP inaugurou três novas agências: Rudge Ramos – em São Bernardo do Campo, Pirituba – Zona Noroeste e São Mateus – Zona Leste de São Paulo. Até o final do ano, outras quatorze serão inauguradas na capital paulista. Esse movimento reforça um posicionamento diferenciado: para a cooperativa, a agência física não é custo — é conexão.
Todas as unidades da instituição financeira cooperativa seguem um padrão moderno, com ambientes acolhedores, atendimento consultivo e recursos digitais avançados. Mas o grande diferencial está na forma de receber o associado. Essa combinação atrai empreendedores, profissionais liberais, pequenas e médias empresas e famílias que buscam atendimento personalizado — um público típico dos grandes centros.

A trajetória da Sicredi Vale do Piquiri Abcd PR/SP mostra que o cooperativismo não apenas pode competir nas metrópoles — ele pode liderar. Suas sucessivas aberturas de agências em regiões urbanas densas, como o ABCD e outras áreas estratégicas de São Paulo, provam que há demanda por um modelo financeiro mais humano, participativo e conectado à realidade das pessoas.

Crédito Rural na Megacidade
No fim do mês de setembro, a Sicredi marcou um capítulo importante ao realizar a entrega para agricultores associados de tratores adquiridos via Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) — primeira operação dessa linha de crédito registrada na cidade de São Paulo em mais de dez anos.
A instituição financeira cooperativa trouxe sua expertise em crédito rural e atua junto a agricultores do distrito de Parelheiros, no extremo sul da capital, fomentando a agricultura familiar e apoiando práticas sustentáveis indo de encontro ao trabalho da Prefeitura de São Paulo, via Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho e a plataforma Sampa+ Rural.
A Sicredi desloca diariamente uma equipe para o Teia Parelheiros, coworking localizado no Parque Municipal Nascentes do Ribeirão Colônia, onde também funciona a Escola Municipal de Agroecologia. Ali, agricultores encontram não apenas orientação financeira, mas também capacitação e suporte técnico para expandir seus negócios de forma sustentável.
O distrito de Parelheiros, que completa 198 anos em 2025, integra um mosaico de áreas rurais que correspondem a 28% do território paulistano (445 km²), abrigando produção de frutas, legumes, verduras, plantas ornamentais e atividades ligadas ao ecoturismo, educação e preservação ambiental.
Na Zona Norte, esse percentual é menor — são 52,63 km² de área rural, nos limites com o Parque Estadual da Cantareira, onde predominam a criação de aves e suínos e, em menor escala, hortaliças. Estes agricultores podem contar com a agência Santana e a futura agência Tucuruvi, para acessar linhas de crédito rural.
Atualmente, cerca de 2 mil pessoas dependem da agricultura familiar na capital paulista. Destas, 600 fazem parte da Associação dos Produtores Rurais de Parelheiros e Região (APRUPAR), presidida pelo engenheiro agrônomo Luciano Santos.

Cooperativas fortalecem o tecido social das cidades
Cada nova agência da Sicredi Vale do Piquiri Abcd PR/SP significa empregos diretos e indiretos, capacitação de pessoas, circulação de renda na comunidade e maiores índices de desenvolvimento humano, empreendedorismo e engajamento social.
A presença da cooperativa financeira em uma comunidade vai muito além da oferta de produtos bancários. Diferente dos bancos tradicionais, cujo objetivo central é a maximização do lucro para acionistas, as cooperativas nascem com um compromisso maior: o desenvolvimento das pessoas e do território onde estão inseridas.
Micro, pequenos e médios negócios, setores muitas vezes ignorados pelos grandes bancos, são fortalecidos por meio de linhas de crédito, capacitação e apoio técnico. Isso impulsiona o comércio local, fortalece empreendedores e movimenta a economia real das cidades.

A cooperativa não entra nas cidades apenas para competir com bancos. Ela chega para fazer parte da comunidade, apoiar negócios locais, incentivar a educação financeira e reinvestir recursos na região. Cada agência aberta representa:
- Geração de empregos diretos e indiretos
- Acesso a crédito com taxas mais justas
- Programas de educação financeira
- Apoio a projetos sociais e culturais
- Reinvestimento das sobras entre os cooperados
A expansão das cooperativas nas áreas urbanas cria algo que os bancos não conseguem entregar: pertencimento. Um exemplo é o trabalho desenvolvido pelo Comitê Mulher e Comitê Jovem da Sicredi, que formam lideranças locais e promovem ações sociais nas comunidades onde a cooperativa atua. Destacamos ainda, o programa União Faz a Vida, que desenvolve ações de educação junto as comunidades. A agência deixa de ser apenas um ponto de atendimento e se torna um centro de relacionamento, apoio, formação e conexão entre pessoas.

Círculo Virtuoso do Cooperativismo
Esse é o motivo pelo qual comunidades com presença forte de cooperativas apresentam maiores índices de desenvolvimento humano, empreendedorismo e engajamento social. Mais do que crescer, a Sicredi Vale do Piquiri está mudando a lógica do sistema financeiro urbano, mostrando que é possível combinar eficiência econômica com impacto social.
Nas metrópoles do futuro, o dinheiro continuará circulando. A diferença é como ele irá circular — e para quem ele irá gerar valor. Se depender do cooperativismo, esse valor ficará onde sempre deveria estar: nas pessoas e nas comunidades.
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