da Redação DiárioZonaNorte
- O Hospital Geriátrico e de Convalescentes Dom Pedro II iniciou as atividades em 1885, como Asilo de Mendicidade; e
- E, em 1911, foi transferido para o Jaçanã, na Zona Norte, atuando como hospital geriátrico, mas também conta com leitos para recuperação de pacientes provenientes de outras unidades de assistência à saúde.
O relógio marca 6 horas da manhã. Em um dos quartos do centenário Hospital Geriátrico e de Convalescentes Dom Pedro II da Santa Casa de Misericórdia — conhecido como Asilo do Jaçanã (*) –, na Zona Norte de São Paulo, a madrugada ainda respira seu silêncio frio. Apenas o bip compassado do monitor cardíaco corta o ar, como se marcasse o tempo não em segundos, mas em batalhas vencidas.
No leito, Cleyton Cipriano Pinto, 44 anos, desperta para mais um dia igual e diferente — igual na imobilidade do corpo, diferente na inquietude da mente.
São 24 anos desde que uma bala — que aconteceu ao apartar uma briga numa festa — perfurou sua juventude e, junto dela, a liberdade de movimento. Desde então, o mundo se resume a paredes brancas, visitas rápidas e ao teto que já decorou mentalmente mil vezes. Mas, dentro dele, pulsa um território vasto e indomável, onde sonhos não obedecem às grades do corpo.
Hoje, porém, o amanhecer carrega algo inédito. Um equipamento pousa no quarto como quem abre uma porta para o impossível: sensores capazes de transformar o mais sutil movimento da cabeça e um leve toque no rosto em comandos de computador. Ao lado, uma bolsa integral para cursar graduação a distância. O som do monitor continua o mesmo, mas algo, lá dentro, já começou a mudar o compasso.

Tecnologia como extensão do corpo
Na última 4ª feira (06/08/2025), o quarto de Cleyton recebeu visitas especiais: o CEO do Grupo Ser Educacional, Jânyo Diniz, e a equipe do Laboratório de Inovações Acadêmicas (LIA).
Trouxeram um equipamento inédito, desenvolvido no Projeto Mãos Livres, capaz de controlar o cursor de um computador por meio de sensores que captam o movimento da cabeça e realizam cliques com leves toques no rosto. Produzido com tecnologia 3D, o dispositivo oferece conforto e precisão, libertando Cleyton das soluções improvisadas.
Junto com o equipamento, veio o que ele chama de “o passaporte para um futuro possível”: uma bolsa integral para cursar uma graduação a distância na Universidade Guarulhos (UnG).
“A história de perseverança do Cleyton nos inspira e reforça nosso compromisso com a transformação social por meio da educação”, afirmou Jânyo Diniz, durante a entrega.
Já para o reitor da UnG, Yuri Neiman, a bolsa é mais do que um benefício acadêmico: “É a chance de reconstruir uma trajetória com dignidade. A determinação dele mostra o quanto a educação pode ser potente na vida das pessoas”.
Da clausura à reintegração
Hospitalizado desde 2001, Cleyton viu amigos partirem, rotinas mudarem e tecnologias avançarem do lado de fora. O que não mudou foi seu desejo de reintegração social. Sem família próxima para apoiar, buscou na educação um caminho para autonomia. A leitura e o estudo tornaram-se companheiros fiéis.
Com o novo recurso, ele poderá frequentar aulas virtuais, fazer trabalhos e pesquisas sem depender de terceiros para cada comando no computador.
“Não se trata apenas de oferecer educação, mas de garantir que ela seja acessível a todos. É usar a inovação para gerar impacto social positivo”, explica Adriane Mendes, gerente de Governança Ambiental e Social do Ser Educacional.

Um novo capítulo
O Projeto Mãos Livres foi criado para atender pessoas com tetraplegia, oferecendo não só bolsas integrais, mas também recursos adaptados para garantir independência no aprendizado. A missão é clara: romper as barreiras físicas que impedem talentos de florescer.
No leito, Cleyton demonstrou que essa é a oportunidade de finalmente concluir a graduação e buscar uma profissão. “É como abrir uma janela depois de anos olhando para a mesma parede”, disse, com um sorriso contido, mas firme.
E assim, no silêncio do quarto hospitalar, começa um novo capítulo. Entre o som dos monitores e o clique suave registrado por um sensor no rosto, ele escreve — mais uma vez — a própria história.
Em mais este ato de apoio social, a Universidade de Guarulhos (UnG), com 55 anos de tradição no ensino superior, é reconhecida por sua excelência acadêmica, inovação e compromisso com a inclusão e a transformação das pessoas. Acredita no poder da educação como ferramenta capaz de mudar vidas e impulsionar o desenvolvimento pessoal e profissional de seus mais de 110 mil alunos ao longo de sua história.

Sobre o Projeto Mãos Livres
<<Com apoio de informações/fonte: Assessoria de Imprensa da Universidade de Guarulhos (UnG) – Cristiane dos Reis Pappi >>
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