da Redação DiárioZonaNorte
- O texto resgata temas como o colapso social, a violência do machismo e a urgência de resistir com arte. É um grito seco em meio ao deserto da existência moderna.
- “Mesmo que o mundo esteja seco e surdo, ainda vale a pena criar poesia.”
Em cartaz até 17 de agosto, o palco acolhedor do Sesc Santana, recebe o monólogo Deserto, com texto e direção de Luiz Felipe Reis e interpretação visceral de Renato Livera, na interpretação de sua temporada paulista.
Inspirado na trajetória do escritor chileno Roberto Bolaño * (1953–2003 = 50 anos), que marcou a literatura latino-americana com obras como Os Detetives Selvagens e 2666, o espetáculo propõe um mergulho poético e sensorial no deserto íntimo do autor.
Renato Livera personifica um Bolaño fragmentado – ora acadêmico, ora doente, ora confrontando a urgência de viver diante da iminência da morte – numa performance que articula literatura, vídeo, música e performance corporal.
O monólogo parte de uma pesquisa rigorosa, estruturando cenas que mesclam memórias biográficas, entrevistas e trechos literários. Em um dos momentos mais memoráveis, o ator interage com projeções e narrativas paralelas, questionando o lugar do artista no mundo contemporâneo e refletindo sobre a “desertificação” das subjetividades.

A iluminação, o som e o vídeo amplificam essa inquietação, criando uma atmosfera cinematográfica que reverbera o universo migrante e existencial de Bolaño A dramaturgia percorre as transições entre Chile, México e Espanha, enfatizando o exílio físico e emocional do escritor.
Um momento de grande carga poética – e dolorosa – é a cena em que a “voz” grava um recado emocionado para o filho que nunca chegou a conhecer, implorando para que ele leia poetas. Ali, o deserto interior se torna manifesto de resistência.
“Deserto é uma contracena ao mundo neoliberal, à desertificação das subjetividades e à destruição do que é vital. É uma peça que afirma a poesia como forma de vida, como criação em meio ao colapso”, explica Luiz Felipe Reis. A montagem também acompanha os últimos anos de vida do escritor, que enfrentou uma grave doença hepática enquanto produzia suas obras finais, em uma luta silenciosa, mas intensamente criativa.

Os caminhos de Bolaño
A obra ainda revisita marcos da trajetória de Bolaño — do Chile ao México, da militância política à consagração literária — compondo um mosaico de sua inquieta existência. Assim, Deserto emerge como um tributo potente à força da palavra e da imaginação em tempos de colapso, reafirmando o valor da arte como ferramenta de questionamento e criação.
A encenação faz um contraponto potente ao mundo neoliberal, resgatando o império da poesia como forma de resiliência. A direção de Luiz Felipe Reis imprime equilíbrio entre o corpo, a palavra e o espaço cênico, enquanto Renato Livera – ator, dramaturgo e diretor com passagem marcante pela TV e streaming – se reinventa nesse universo literário com uma entrega emocional intensa.
O público já acolheu bem Deserto: nas críticas, o espetáculo foi descrito como “provocador”, “belíssimo” e capaz de manter a atmosfera do palco em silêncio ainda depois de terminada a cena. No Sesc Santana, ganha ainda um toque de proximidade, reforçado pela sensibilidade da equipe e pelo tom intimista da encenação.
A peça é uma realização da Companhia Polifônica (núcleo de pesquisa e de criação artística) e já passou por palcos cariocas e festivais nacionais, sendo indicada a importantes prêmios como Shell e APTR nas categorias ator, direção e dramaturgia.
(*) Roberto Bolaño — Não confunda: nada a ver com o ator e comediante mexicano Roberto Gómez Bolaños, criador de Chavez e Chespirito. O escritor chileno Roberto nasceu na capital Santiago. É considerado um dos grandes nomes da literatura mundial. Passou a adolescência no México e voltou ao seu país pouco antes do golpe que depôs Salvador Allende. Em 1977, instalou-se na Espanha, onde começou sua carreira literária. Morreu de insuficiência hepática, na cidade de Barcelona, em 2003. Do autor, a Companhia das Letras publicou Os detetives selvagens, 2666, Estrela distante, A literatura nazista na América, entre outros. Veja todas as obras: clique aqui
Serviço
- Local: Sesc Santana ( Teatro – 330 lugares )
- Endereço: Av. Luiz Dumont Villares, 579 – Jd. São Paulo
- Datas: 26, 27/07 e 01, 02,03, 08, 09, 10, 15, 16, e 17/08 – 6ªs. e sábados
- Horários: semana às 20 hs e aos domingos às 18 hs
- Sessão extra/Gratuita: 15/8 (6a.feira), às 15 hs., exclusivo 60+
- Libras/autodescrição: todas as sessões
- Classificação indicativa: 16 anos.
- Ingressos: R$60 (int.)/ R$30 (meia)/ R$18 (Cred)
- Duração: 90 minutos.
- Acesso para pessoas com deficiência: estacionamento.
- Estacionamento: – R$ 17 (1a.hora) e R$ 4 (adic)
<<Com apoio de informações/fonte: Assessoria de Imprensa/Leandro Pereira >>















































