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Deserto no Sesc Santana une poesia e memória de Bolaño em monólogo impactante

Foto: Divulgação/Renato Mangolin
Tempo de Leitura: 4 minutos

da Redação DiárioZonaNorte

  •  O texto resgata temas como o colapso social, a violência do machismo e a urgência de resistir com arte. É um grito seco em meio ao deserto da existência moderna.
  • “Mesmo que o mundo esteja seco e surdo, ainda vale a pena criar poesia.”

Em cartaz até 17 de agosto, o palco acolhedor do Sesc Santana, recebe o monólogo Deserto, com texto e direção de Luiz Felipe Reis e interpretação visceral de Renato Livera, na interpretação de sua temporada paulista.

Inspirado na trajetória do escritor chileno Roberto Bolaño * (1953–2003 = 50 anos), que marcou a literatura latino-americana com obras como Os Detetives Selvagens e 2666, o espetáculo propõe um mergulho poético e sensorial no deserto íntimo do autor.

Renato Livera personifica um Bolaño fragmentado – ora acadêmico, ora doente, ora confrontando a urgência de viver diante da iminência da morte – numa performance que articula literatura, vídeo, música e performance corporal.

O monólogo parte de uma pesquisa rigorosa, estruturando cenas que mesclam memórias biográficas, entrevistas e trechos literários. Em um dos momentos mais memoráveis, o ator interage com projeções e narrativas paralelas, questionando o lugar do artista no mundo contemporâneo e refletindo sobre a “desertificação” das subjetividades.

Foto: Divulgação/Renato Mangolin

A iluminação, o som e o vídeo amplificam essa inquietação, criando uma atmosfera cinematográfica que reverbera o universo migrante e existencial de Bolaño A dramaturgia percorre as transições entre Chile, México e Espanha, enfatizando o exílio físico e emocional do escritor.

Um momento de grande carga poética – e dolorosa – é a cena em que a “voz” grava um recado emocionado para o filho que nunca chegou a conhecer, implorando para que ele leia poetas. Ali, o deserto interior se torna manifesto de resistência.

“Deserto é uma contracena ao mundo neoliberal, à desertificação das subjetividades e à destruição do que é vital. É uma peça que afirma a poesia como forma de vida, como criação em meio ao colapso”, explica Luiz Felipe Reis. A montagem também acompanha os últimos anos de vida do escritor, que enfrentou uma grave doença hepática enquanto produzia suas obras finais, em uma luta silenciosa, mas intensamente criativa.

Foto: Divulgação / Renato Mangolin

Os caminhos de Bolaño

A obra ainda revisita marcos da trajetória de Bolaño — do Chile ao México, da militância política à consagração literária — compondo um mosaico de sua inquieta existência. Assim, Deserto emerge como um tributo potente à força da palavra e da imaginação em tempos de colapso, reafirmando o valor da arte como ferramenta de questionamento e criação.

A encenação faz um contraponto potente ao mundo neoliberal, resgatando o império da poesia como forma de resiliência. A direção de Luiz Felipe Reis imprime equilíbrio entre o corpo, a palavra e o espaço cênico, enquanto Renato Livera – ator, dramaturgo e diretor com passagem marcante pela TV e streaming – se reinventa nesse universo literário com uma entrega emocional intensa.

O público  já acolheu bem Deserto: nas críticas, o espetáculo foi descrito como “provocador, “belíssimo” e capaz de manter a atmosfera do palco em silêncio ainda depois de terminada a cena. No Sesc Santana, ganha ainda um toque de proximidade, reforçado pela sensibilidade da equipe e pelo tom intimista da encenação.

A peça é uma realização da Companhia Polifônica (núcleo de pesquisa e de criação artística) e já passou por palcos cariocas e festivais nacionais, sendo indicada a importantes prêmios como Shell e APTR nas categorias ator, direção e dramaturgia.


(*) Roberto Bolaño Não confunda: nada a ver com o ator e comediante mexicano Roberto Gómez Bolaños, criador de Chavez e Chespirito. O escritor chileno Roberto nasceu na capital   Santiago. É considerado um dos grandes nomes da literatura mundial. Passou a adolescência no México e voltou ao seu país pouco antes do golpe que depôs Salvador Allende. Em 1977, instalou-se na Espanha, onde começou sua carreira literária. Morreu de insuficiência hepática, na cidade de Barcelona, em 2003. Do autor, a Companhia das Letras publicou Os detetives selvagens, 2666, Estrela distante, A literatura nazista na América, entre outros.  Veja todas as obras: clique aqui 


Serviço
  • Local: Sesc Santana ( Teatro – 330 lugares )
  • Endereço: Av. Luiz Dumont Villares, 579 – Jd. São Paulo
  • Datas:  26, 27/07 e 01, 02,03, 08, 09, 10, 15, 16, e 17/08 – 6ªs. e sábados
  • Horários: semana às 20 hs e aos domingos às 18 hs
  • Sessão extra/Gratuita:  15/8 (6a.feira), às 15 hs., exclusivo 60+
  • Libras/autodescrição: todas as sessões
  • Classificação indicativa: 16 anos.
  • Ingressos: R$60 (int.)/ R$30 (meia)/ R$18 (Cred)
  • Duração: 90 minutos.
  • Acesso para pessoas com deficiência:  estacionamento.
  • Estacionamento: – R$ 17 (1a.hora) e R$ 4 (adic)

<<Com apoio de informações/fonte: Assessoria de Imprensa/Leandro Pereira >>