por DiárioZonaNorte
- O título de basílica menor foi concedido pelo Papa Francisco em 2020;
- Um detalhe simbólico e social: as portas principais do templo foram entalhadas em madeira por detentos da Penitenciária do Estado, que era localizada no Carandiru — hoje espaço do Parque da Juventude; e
- Das ruas de terra, no passado, o progresso trouxe os prédios envolta da Basílica Menor de Sant’Ana e junto à primeira linha do Metrô.
Sant’Ana, Mãe da Virgem Maria e avó de Jesus, guia e protetora das famílias, das mães e educadoras, é hoje reverenciada com especial júbilo por sua comunidade em Santana, Zona Norte de São Paulo. Em seu nome, o templo consagrado à sua memória completa 130 anos como bastião da fé católica, da caridade e da história paulistana. Que sua intercessão siga iluminando os caminhos da cidade e abençoando os fiéis que sob suas torres buscam conforto, gratidão e renovação espiritual.
Neste sábado, 12 de julho de 2025, com uma solenidade especial no coração de Santana. A celebração será marcada pela presença do Arcebispo Metropolitano de São Paulo, Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, do prefeito da cidade, secretários municipais, líderes religiosos, autoridades civis e centenas de fiéis que reconhecem no templo um símbolo de fé e identidade da região.
Localizada na tradicional Rua Voluntários da Pátria, a Basílica Menor de Sant´Ana ocupa um lugar central na história do bairro e da cidade. Fundada oficialmente como paróquia em 1895, a igreja surgiu quando Santana ainda era uma região periférica, com chácaras, ruas de terra e uma população que crescia com a chegada de imigrantes e trabalhadores.
Pedra Fundamental
A pedra fundamental da construção atual foi lançada em 1º de maio de 1896, abençoada por Dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, que anos mais tarde seria o primeiro cardeal da América Latina.
Com o tempo, a igreja se transformou em um dos principais marcos religiosos e culturais da capital. A capela-mor foi inaugurada em 1908, e a nave central, em 1924. Em 1941, durante a festa da padroeira, foram finalizadas as duas torres e abençoados os três sinos de bronze, dedicados a São José, Sant’Ana e Santa Teresinha do Menino Jesus.

O templo impressiona não só pela imponência arquitetônica, com 54,72 metros de comprimento por 32 metros de largura, mas também por sua riqueza artística. A imagem de Sant’Ana, datada do século XVI e moldada em terracota, veio da antiga capela da fazenda que deu origem ao bairro.
Outras imagens sacras foram confeccionadas pelo artista e paroquiano Arthur Pederzolli, incluindo a padroeira (1933), Nossa Senhora das Graças e a Via-Sacra. Vitrais retratam momentos da vida de Maria e de Sant’Ana, e há uma pintura do casamento de São Joaquim com Sant’Ana, do pintor Vicente Maezo.

Elevação a Basílica Menor
Em 5 de julho de 2020, os sinos da igreja repicaram mais forte: naquele domingo, o Cardeal Dom Odilo Scherer anunciou, durante missa na Catedral da Sé, a elevação da Igreja de Sant’Ana à dignidade de Basílica Menor, por decisão da Santa Sé. A honraria, concedida pelo Papa Francisco, reconheceu a relevância histórica, espiritual e artística do templo, além de seu papel pastoral ativo na vida da Arquidiocese de São Paulo.
Segundo o decreto do Vaticano, as basílicas são templos de especial importância litúrgica e de veneração, com vínculo direto com o Sumo Pontífice. A elas se reconhece transcendência histórica, beleza artística e intensa vida religiosa.
No Brasil, há apenas 65 basílicas, incluindo a de Aparecida, a segunda maior do mundo, depois da Basílica de São Pedro, em Roma. Em São Paulo, além da de Sant’Ana, há outras quatro: Santa Ifigênia, São Bento, Nossa Senhora do Carmo (Bela Vista) e Nossa Senhora da Penha (na Diocese de São Miguel Paulista).
O reitor Padre Beto

Com a mudança de status, a então Paróquia Sant’Ana passou a ser Basílica e, conforme o direito canônico, seu pároco tornou-se reitor. O padre Roberto Aparecido de Oliveira — conhecido como Padre Beto —, que já liderava a paróquia desde 2018, assumiu também o título de reitor da nova basílica.
Padre Beto é professor de antropologia na PUC-SP e natural do interior paulista, ele divide seu tempo entre as missas, a administração e os projetos sociais, sem perder o vínculo com a comunidade. Antes, já havia atuado na Paróquia Santa Joana D’Arc, no Jardim França, também na Zona Norte.
Império
O crescimento de Santana, bairro que se urbanizou ao redor da igreja, acompanhou a trajetória do templo. Da antiga localização no Solar dos Andradas — onde hoje está o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva de SP, o CPOR do Exército, até o atual endereço entre a Avenida Cruzeiro do Sul e a movimentado centro comercial da Voluntários da Pátria, a igreja testemunhou transformações urbanas, o surgimento do metrô, o avanço do comércio e o adensamento populacional. Mas a fé dos fiéis seguiu firme.

O lado social
O trabalho social é um dos pilares da atuação da Basílica. Desde 1938, o Centro de Promoção Humana e Assistência Social (Cephas) oferece apoio a famílias em situação de vulnerabilidade, com distribuição de alimentos, roupas e orientação.
Há 22 anos, a Pastoral do Café da Manhã dos Pobres serve diariamente alimentos a moradores de rua e pessoas em trânsito sob os viadutos e arredores do metrô. Também são distribuídas cestas básicas e auxílio a migrantes que buscam retornar a suas cidades de origem.
Com a pandemia de Covid-19 e os reflexos econômicos dos últimos anos, a demanda por assistência só aumentou — e o apoio de voluntários, doações e instituições locais tem sido essencial para manter o serviço.

Neste 12 de julho, a programação do aniversário inclui missas solenes, procissões e uma homenagem à trajetória da Basílica. Entre os destaques está a entrega simbólica de placas comemorativas, depoimentos de fiéis antigos e apresentação do coral da comunidade. A festa da padroeira, Sant’Ana, que ocorre no dia 26, também terá programação especial e a presença de lideranças religiosas da Arquidiocese.
Para a Zona Norte, a Basílica Menor de Sant’Ana é mais que um monumento. É um elo vivo entre o passado e o presente, entre a fé e a solidariedade, entre a tradição e o acolhimento. Sua história é a própria história de Santana — bairro que se formou à sombra de sua torre e ao som de seus sinos. Aos 130 anos, ela segue como farol de espiritualidade, cultura e serviço à comunidade.
BASÍLICA MENOR DE SANT´ANA

- Todos os sábados e domingos, às 15 horas
- No local: chegar meia hora antes
- Evento gratuito.
- Av. Voluntários da Pátria, 2060 – Santana
- Transporte: Estação do Metrô Linha 1 – Azul
- Telefone: (11) 2281.9085 e (11) 2979-5558
- E-mail:secretaria@paroquiasantana.
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HORÁRIOS DE MISSAS
- Segunda-feira: 07h00 – 12h00 – 19h30
- Terça à Sexta-feira: 07h00 – 12h00 – 17h30
- Sábado: 07h00 – 12h00 – 16h30
- Domingo: 08h00 – 10h30 – 18h00
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