Vinícola Buffon ProWine
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Produtora de Faria Lemos, em Bento Gonçalves, apresentou em São Paulo um portfólio que passa por espumantes de método tradicional, vinhos de produção limitada e projetos ligados à trajetória da família Buffon

 

A história da Vinícola Buffon começa antes de existir uma vinícola com esse nome. Ela passa pela imigração italiana, pela chegada de uma família ao Rio Grande do Sul no fim do século XIX e pelas primeiras videiras plantadas em Bento Gonçalves. Mais de um século depois, essa trajetória chegou à ProWine São Paulo 2026 traduzida em vinhos.

O portfólio da produtora gaúcha foi apresentado na feira por Anderson Buffon, diretor e enólogo da Vinícola Buffon, e pelo enólogo Joel Dal Ponte. Entre espumantes elaborados pelo método tradicional, rótulos de pequenos lotes e projetos autorais, a empresa mostrou uma produção que procura manter a ligação com o lugar onde as uvas são cultivadas e com a própria história familiar.

Joel Dal Ponte e Anderson Buffon

A Vinícola Buffon está instalada em Faria Lemos, distrito de Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, em uma propriedade situada a cerca de 750 metros de altitude. Os vinhedos estão na latitude 29° Sul, em área de solo basáltico e com uma tradição vitícola que ultrapassa 100 anos.

As condições locais favorecem vinhos com frescor, aromas marcados e acidez natural, características importantes para a produção de espumantes. A umidade da região também exige atenção no manejo dos vinhedos. A empresa concentra o cultivo principalmente em variedades brancas e em uvas tintas de ciclos curto e médio.

Da imigração italiana às primeiras videiras em Bento Gonçalves

Um dos rótulos que melhor resume essa ligação entre vinho e memória familiar é o Giacommo, produzido em homenagem a Giacomo Buffon, integrante da primeira geração da família no Brasil.

Giacomo nasceu em 1876, em Cison di Valmarino, na província de Treviso, na Itália. Aos dez anos, migrou para a América com os pais, Pietro e Giovanna. A família chegou ao Rio Grande do Sul e se estabeleceu em Bento Gonçalves.

Em 1920, Giacomo adquiriu a própria terra e começou a cultivar suas primeiras videiras. A história atravessou gerações e acabou incorporada ao projeto atual da vinícola.

O vinho que leva seu nome tem produção restrita a 300 garrafas e passa 12 meses em barricas de carvalho americano de primeiro uso. A proposta transforma um capítulo da trajetória familiar em uma das edições mais limitadas do portfólio.

Latitude 29 transforma localização em parte do vinho

A posição geográfica da propriedade também ganhou uma linha própria. O Latitude 29 parte justamente das condições encontradas na latitude 29° Sul para trabalhar a relação entre frescor, maturação e identidade aromática.

Entre os destaques do portfólio está o Buffon Latitude 29 Brut, espumante elaborado com Viognier, Glera e Chardonnay, a partir de uvas cultivadas nos vinhedos próprios da família em Faria Lemos, na latitude 29 do Hemisfério Sul.

Produzido pelo método tradicional, com segunda fermentação na própria garrafa, o rótulo passa por 58 meses de maturação, dos quais 42 meses em contato com as leveduras durante a autólise, período que contribui para a cremosidade, a complexidade e as notas de brioche. O blend combina o perfil aromático da Viognier, o frescor da Glera e a estrutura da Chardonnay.

Considerado pela vinícola seu espumante mais emblemático, o Latitude 29 leva no nome uma referência direta à localização dos 10 hectares de vinhedos da Buffon, em Faria Lemos, distrito de Bento Gonçalves, onde a família cultiva as próprias uvas e mantém uma tradição vitivinícola que atravessa cinco gerações.

A vinícola também trabalha com linhas de perfil mais jovem. A Ciao reúne espumantes elaborados pelo método ancestral, pensados para preservar frescor, fruta e naturalidade.

Vinho enterrado recupera uma prática histórica portuguesa

Outra experiência apresentada pela Buffon parte de uma história ocorrida longe da Serra Gaúcha.

O Enterrado foi inspirado na prática portuguesa de esconder garrafas sob a terra. Segundo o relato apresentado pela vinícola, o costume remonta ao período das invasões napoleônicas em Portugal, no início do século XIX, quando produtores enterravam vinhos para evitar saques.

A ideia foi incorporada pela família durante a reforma do prédio que atualmente abriga a Vinícola Buffon. A partir daí, a produtora passou a enterrar um lote exclusivo a cada safra antes do início do verão.

O vinho é produzido com Marselan, variedade resultante do cruzamento entre Cabernet Sauvignon e Grenache Noir. A uva encontrou espaço no Sul do Brasil e integra um projeto que une elaboração e uma forma pouco usual de guarda.

A experiência também chegou ao enoturismo da propriedade. A Buffon trabalha com grupos pequenos, em atividades nas quais os visitantes podem acompanhar diferentes etapas ligadas ao vinho, da colheita ao dégorgement, além da experiência de desenterrar garrafas.

Barricas de whiskey entram em outra linha da Buffon

O portfólio apresentado na ProWine São Paulo também mostra que a vinícola não restringe suas experiências ao método tradicional dos espumantes.

A linha Tennessee nasceu de um projeto de Anderson Buffon e Joel Dal Ponte. Os dois enólogos desenvolveram vinhos em lotes limitados que passam por barricas de carvalho americano anteriormente utilizadas na produção de Tennessee Whiskey, estilo norte-americano que tem no Jack Daniel’s sua referência mais conhecida.

A proposta introduz ao vinho características provenientes da madeira e de seu uso anterior, criando uma linha própria dentro do portfólio da empresa.

Vinícola Buffon ProWine
Laranja elaborado com um blend de 20% Chardonnay, 20% Prosecco, 20% Trebbiano, 20% Lorena,secco, 20% Trebbiano, 20% Lorena e 20% Moscato Poloski

Outro núcleo reúne os chamados Exóticos, vinhos nos quais a equipe trabalha diferentes técnicas de elaboração, fermentação e maturação. A produção é feita em pequenos lotes, com propostas que podem mudar conforme a matéria-prima e o caminho escolhido para cada vinho.

Vinícola Buffon ProWine
La Paloma, branco elaborado com a casta Lorena, delicado. A elaboração ficou aos cuidados da técnica enóloga Paloma Buffon

Portfólio vai além dos espumantes tradicionais

A diversidade apresentada em São Paulo inclui ainda a linha La Paloma, formada por vinhos de perfil leve e delicado. O nome vem da palavra espanhola para “pomba”, associada pela vinícola à ideia de paz e tranquilidade.

Entre os projetos de identidade brasileira aparece o BRS Bibiana, um frisante natural elaborado com uma variedade híbrida brasileira desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), por meio da Embrapa Uva e Vinho, em Bento Gonçalves. O produto tem perfil aromático com referências tropicais e florais e leve dulçor.

O conjunto ajuda a explicar a posição que a Buffon levou à ProWine São Paulo. A empresa mantém os espumantes como parte importante de sua identidade, mas abre espaço para pequenos lotes, técnicas diferentes de vinificação e rótulos construídos a partir da memória da família.

Cinco gerações depois da chegada de Giacomo Buffon ao Rio Grande do Sul, a história iniciada com as primeiras videiras continua no mesmo território. Na feira, Anderson Buffon e Joel Dal Ponte mostraram como esse passado passou a dividir espaço com novas formas de elaborar e apresentar o vinho brasileiro.

ProWine reúne profissionais do setor no Expo Center Norte

A ProWine São Paulo é derivada da ProWein Düsseldorf, realizada na Alemanha, e ocorre no Brasil desde 2019. O evento é voltado ao mercado profissional de vinhos e destilados e reúne produtores, importadores e demais empresas ligadas ao setor.

A edição de 2026 acontece de 6 a 8 de outubro, das 12h às 19h, nos pavilhões Branco e Azul do Expo Center Norte. A feira é realizada conjuntamente pela Emme Brasil, Inner Group e Messe Düsseldorf.

Serviço:

Vinícola Buffonn

site e e-commerce:  https://www.vinicolabuffon.com.br/

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