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Com 340 páginas e 11 capítulos, obra de Dario Palhares recupera documentos e iniciativas que ajudam a contar a evolução da comunicação empresarial brasileira desde o século XIX.
Uma polca publicada em 1881 pode estar entre os ancestrais dos jingles publicitários brasileiros. Poucos anos depois, a Antarctica investia em teatros e espaços de lazer para aproximar a cerveja de um público que ainda olhava a bebida com reservas. Na virada para o século XX, a Light já mantinha um profissional para falar com o público e a imprensa e acompanhava o que jornais e revistas publicavam sobre a companhia.
Esses episódios fazem parte de A Voz das Marcas – Comunicação Empresarial no Brasil do Século XIX ao XXI, livro do jornalista e escritor Dario Palhares que será lançado nesta quinta-feira, 8 de outubro, em São Paulo. Com curadoria dos jornalistas Eduardo Ribeiro e Marco Antonio Rossi, sócios-diretores da Mega Brasil, a obra percorre mais de um século da história da comunicação empresarial brasileira.
Editado pela Mega Brasil, o livro reúne 11 capítulos e 340 páginas e é resultado de três anos de pesquisa. O trabalho acompanha a evolução da atividade desde os almanaques publicados no século XIX até a chegada da internet, das redes sociais e da inteligência artificial ao cotidiano das empresas e dos profissionais de comunicação.
Antes das relações públicas, as empresas já buscavam conversar com o público
A pesquisa de Dario Palhares amplia a linha do tempo normalmente utilizada para contar a história das relações públicas e da comunicação empresarial no país.
Essa trajetória costuma ser associada a alguns marcos do século XX, como a criação do Departamento de Relações Públicas da Light de São Paulo, em 1914, o curso promovido pela Fundação Getulio Vargas em 1953, com participação de professores estrangeiros, e a fundação da Associação Brasileira de Relações Públicas (ABRP), em 1954.
Palhares decidiu procurar iniciativas anteriores a esses acontecimentos. A investigação levou a documentos e experiências empresariais pouco conhecidas, algumas delas ainda no século XIX.
Um dos casos recuperados pelo livro é o da Antarctica. Para enfrentar a resistência que a cerveja encontrava entre parte dos brasileiros, a empresa passou a investir em iniciativas culturais e de lazer. Em 1892, inaugurou o Teatro Polytheama, em São Paulo, dando início a uma série de espaços associados à marca.
Vieram depois o Parque Antarctica, o Bosque da Saúde e a revista Antarctica Illustrada, lançada em 1904. As iniciativas mostram como empresas já buscavam construir relacionamento com seus públicos muito antes de expressões como comunicação corporativa ou gestão de reputação fazerem parte do vocabulário empresarial.
Uma polca de 1881 entre os ancestrais dos jingles
Entre os documentos encontrados durante a pesquisa está a partitura da polca Salsa, Caroba e Manacá, publicada em 1881 pelo Almanak da Flora Brasileira. A composição mencionava um dos produtos do laboratório e é apresentada na obra como uma espécie de antepassado dos jingles publicitários.
A pesquisa também encontrou registros que ajudam a antecipar a cronologia de práticas hoje consideradas rotineiras nas áreas de comunicação.
Em maio de 1900, a Light apresentou ao público e à imprensa, em São Paulo, um profissional que exercia funções semelhantes às de ouvidor e porta-voz. Dois meses depois, em julho daquele ano, a companhia passou a realizar clipagem e análise editorial das notícias publicadas sobre a empresa em jornais e revistas.
Os exemplos ajudam a mostrar que algumas ferramentas posteriormente incorporadas à comunicação empresarial já eram utilizadas, ainda que com outros nomes e estruturas, na passagem do século XIX para o XX.
Dos almanaques à inteligência artificial
A Voz das Marcas acompanha também o período de expansão dos almanaques genéricos e corporativos, publicações que tiveram grande circulação e importância na comunicação entre empresas e consumidores.
A obra avança pelos primeiros movimentos estruturados de relacionamento com a imprensa, pelas iniciativas de lobby no país, pelo crescimento das revistas corporativas e pelas tentativas de organização do setor.
O percurso chega à consolidação da comunicação empresarial moderna e às transformações provocadas pela digitalização. Internet e redes sociais alteraram a velocidade e a dinâmica da relação das organizações com seus públicos. A inteligência artificial abre agora uma nova etapa desse processo.
A documentação histórica reunida por Palhares permite observar essa evolução a partir de iniciativas concretas de empresas nacionais e estrangeiras que atuaram no Brasil.
Projeto nasceu de uma antiga ideia da Mega Brasil
Para os jornalistas Eduardo Ribeiro e Marco Antonio Rossi, curadores da obra e sócios-diretores da Mega Brasil, o projeto atende a uma antiga intenção de reunir em um único trabalho a trajetória da comunicação empresarial brasileira.
A experiência acumulada pelos dois profissionais ao longo de quase 35 anos de atuação da empresa também serviu como ponto de observação para a construção do projeto. A pesquisa histórica, porém, permitiu recuar muito além da experiência contemporânea e identificar práticas que antecedem em décadas alguns dos marcos tradicionalmente associados à atividade no Brasil.
O trabalho foi conduzido por Dario Palhares, jornalista com mais de 30 anos de carreira e passagem por veículos como O Globo, Exame, Folha de S.Paulo, Diário do Povo, de Campinas, e A Tribuna, de Santos. O autor também desenvolve projetos relacionados à memória corporativa.
Lançamento será em São Paulo
O lançamento de A Voz das Marcas – Comunicação Empresarial no Brasil do Século XIX ao XXI será realizado nesta quinta-feira, 8 de outubro, no campus da ESPM Tech, na Vila Mariana, em São Paulo.
A programação integra a Jornada Mega Brasil, promovida em celebração ao Dia da Comunicação Empresarial. O lançamento do livro está marcado para as 18h, na Rua Joaquim Távora, 1.240.
Durante o lançamento, o exemplar impresso terá preço promocional de R$ 120. Depois do evento, a publicação será comercializada exclusivamente pela Mega Brasil por R$ 150, acrescidos os custos de postagem.
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