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Com The Dalmore, Jura e Tamnavulin, importadora amplia a presença dos destilados na feira e aposta em degustações conduzidas pelo mixologista Rafael Mariachi para aproximar profissionais do universo do whisky.
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A presença dos destilados na ProWine São Paulo 2026 ganha espaço entre os expositores que tradicionalmente apresentam vinhos ao mercado brasileiro. A Casa Flora Importadora acompanha esse movimento com um bar dedicado aos whiskies escoceses da Whyte & Mackay, reunindo três marcas com características distintas: The Dalmore, Jura e Tamnavulin.
A feira, realizada entre 6 e 8 de outubro, no Expo Center Norte, na Zona Norte de São Paulo, oferece um ambiente de negócios para produtores, importadores, distribuidores e profissionais do setor de bebidas. A ampliação das categorias representadas também permite explorar relações entre produtos que compartilham processos de envelhecimento e matérias-primas.
No espaço da Casa Flora, essa aproximação aparece na influência dos barris anteriormente utilizados para maturar vinhos, especialmente os de Jerez, na Espanha, sobre os aromas e sabores dos whiskies escoceses.
À frente das degustações está Rafael Mariachi, mixologista premiado com trajetória na coquetelaria paulistana. O profissional atuou em grandes grupos de bares e trabalhou por quase dez anos na Pernod Ricard. Atualmente, é embaixador dos whiskies Whyte & Mackay junto à Casa Flora Importadora.
A experiência conduzida por Mariachi permite conhecer as diferenças entre os rótulos, compreender como a maturação influencia suas características e discutir o comportamento de um consumidor que começa a ampliar seu repertório sobre destilados.
Por que os barris de vinho são importantes para o whisky escocês?
A madeira desempenha um papel fundamental na produção do whisky. Depois da destilação, a bebida permanece armazenada em barris de carvalho por períodos que podem se estender por décadas. Durante esse tempo, ocorrem transformações químicas e físicas que influenciam a cor, os aromas e a textura do destilado.
O histórico do barril também importa. Recipientes que anteriormente receberam outros produtos podem transmitir características diferentes à bebida, dependendo da madeira, do tratamento empregado e das condições de maturação.
Entre os exemplos mais conhecidos estão os barris de Jerez, utilizados por diferentes destilarias escocesas. O vinho fortificado espanhol possui estilos variados, com características que podem contribuir para o desenvolvimento de notas de frutas secas, especiarias e chocolate nos whiskies.
Mariachi explica que essa relação ajuda a despertar o interesse de profissionais que visitam a ProWine principalmente para conhecer vinhos. O processo permite estabelecer uma ligação entre duas categorias que possuem tradições próprias e utilizam a madeira como parte da construção de suas características sensoriais.
Um dos exemplos apresentados durante a degustação é a relação da The Dalmore com a González Byass, produtora espanhola de vinhos de Jerez.
A seleção dos barris utilizados pela destilaria considera a procedência e o histórico dos recipientes, incluindo informações sobre os vinhos anteriormente armazenados. Essa rastreabilidade permite maior controle sobre a influência da madeira no perfil dos whiskies.
O processo também ajuda a compreender por que destilados produzidos a partir de matérias-primas semelhantes podem desenvolver aromas e sabores diferentes ao longo do envelhecimento.

The Dalmore: a identidade do whisky construída entre a destilação e os barris de Jerez
Fundada em 1839 por Alexander Matheson, a The Dalmore está localizada em Alness, nas Highlands, região do norte da Escócia. A destilaria passou ao controle da família Mackenzie em 1878, período que também marcou a incorporação de um símbolo que se tornaria conhecido internacionalmente.
O cervo de 12 pontas presente nas garrafas está associado ao brasão da família Mackenzie e à tradição que relata o salvamento do rei Alexandre III da Escócia durante o ataque de um cervo.
A marca passou a integrar a Whyte & Mackay em 1960 e desenvolveu um portfólio que inclui expressões de diferentes idades, além de edições especiais destinadas ao segmento de whiskies de luxo.
A produção possui características técnicas particulares. Os alambiques apresentam diferenças de tamanho e formato, influenciando o comportamento dos vapores durante a destilação. O controle desse processo contribui para a formação do perfil aromático que caracteriza a marca.
Durante a degustação, Mariachi chamou a atenção para duas referências sensoriais recorrentes nos whiskies The Dalmore: chocolate e laranja.
As notas cítricas fazem parte do perfil desenvolvido durante a produção do destilado, enquanto a maturação em determinados barris de Jerez contribui para a presença de características associadas ao chocolate.
Segundo o mixologista, a manutenção dessas referências aromáticas ajuda a preservar a identidade da marca, mesmo quando as expressões apresentam diferenças de idade, intensidade e seleção de barris.
Entre os rótulos apresentados estão o The Dalmore 12 anos e o The Dalmore 15 anos.
Na versão de 12 anos abordada na degustação, parte do destilado passa por uma etapa complementar de maturação em barris que anteriormente receberam Jerez Matusalem Oloroso. A madeira contribui para desenvolver características que se somam ao perfil original do whisky.
O The Dalmore 15 anos utiliza uma combinação de barris de diferentes estilos de Jerez, resultando em uma expressão com maior intensidade aromática e presença de características vínicas.
A marca também produz rótulos como King Alexander III e Cigar Malt, além de expressões de maturação prolongada e edições limitadas.
O Cigar Malt foi mencionado por Mariachi ao abordar a relação entre a estrutura de determinados whiskies e suas possibilidades de harmonização. A proposta desse estilo considera bebidas com corpo e intensidade suficientes para acompanhar a experiência sensorial de um charuto.
Jura: o whisky produzido em uma ilha que retomou sua tradição de destilação
A Ilha de Jura, localizada nas Hébridas, na costa oeste da Escócia, possui uma história marcada pelo isolamento geográfico e pelas dificuldades de manutenção de atividades econômicas em uma comunidade de pequena população.
A produção de whisky na ilha atravessou diferentes períodos até ser interrompida no início do século XX. A retomada ocorreu em 1963, quando Robin Fletcher e Tony Riley-Smith decidiram reconstruir a destilaria, buscando também contribuir para a economia local. O projeto contou com a participação de William Delme-Evans, responsável pelo desenvolvimento de instalações modernas para a época.
Entre as características da destilaria estão os alambiques de aproximadamente 7,7 metros de altura, que influenciam o processo de destilação.
A utilização de malte turfado passou a integrar parte da produção a partir do final dos anos 1990. A turfa contribui para a formação de notas defumadas, cuja intensidade varia conforme a composição e o estilo de cada whisky.
Em 2018, a Jura reformulou sua linha principal, incorporando uma presença sutil de fumaça a diferentes expressões.
Na ProWine, Mariachi apresentou o Jura 10 anos, maturado em carvalho e finalizado em barris de Jerez.
O mixologista destacou que a percepção aromática pode ser diferente da experiência no paladar. As características defumadas identificadas inicialmente se combinam com outras notas desenvolvidas durante o envelhecimento, produzindo um conjunto que deve ser avaliado ao longo da degustação.
O rótulo permite compreender como a seleção do destilado e o uso de diferentes barris contribuem para definir o estilo de uma marca.
Tamnavulin: um single malt para quem começa a explorar a categoria
Localizada em Speyside, uma das principais regiões produtoras de whisky da Escócia, a Tamnavulin iniciou suas atividades na década de 1960.
Sua produção é caracterizada por um destilado relativamente leve, com notas frutadas e de cereais. Diferentes expressões da marca utilizam barris anteriormente empregados no envelhecimento de outros produtos, incluindo vinhos.
Durante a degustação, Mariachi apresentou a Tamnavulin como uma alternativa para consumidores interessados em conhecer os single malts.
O profissional identificou aromas associados à maçã vermelha, acompanhados por notas de caramelo e baunilha percebidas no paladar.
A proposta comercial da marca também foi abordada. Segundo Mariachi, o Tamnavulin é oferecido no Brasil em faixas de preço próximas às de blended whiskies conhecidos, o que pode facilitar o primeiro contato com a categoria.
Essa diferença de posicionamento permite à Casa Flora Importadora apresentar whiskies com propostas distintas dentro de um mesmo portfólio, atendendo a consumidores com diferentes níveis de familiaridade e disponibilidade de investimento.
A degustação de Tamnavulin, Jura e The Dalmore também oferece uma oportunidade de comparação entre estilos. As diferenças de intensidade, textura e presença da madeira ajudam a demonstrar a diversidade encontrada entre os single malts escoceses.

O consumidor aprende a reconhecer os sabores do whisky
O desenvolvimento do paladar foi um dos temas centrais da entrevista com Rafael Mariachi.
Na avaliação do mixologista, a familiaridade com bebidas de maior complexidade sensorial é construída ao longo do tempo. O contato com diferentes estilos permite reconhecer aromas, identificar características da madeira e desenvolver preferências.
Mariachi observa que parte dos consumidores começa sua experiência com whiskies de perfil mais simples e preço acessível. A ampliação do repertório pode despertar o interesse por produtos com características mais específicas.
O processo também envolve a percepção de sabores. Com a experiência, algumas pessoas passam a buscar bebidas com menor sensação de doçura e maior diversidade aromática.
A degustação orientada contribui para esse aprendizado ao oferecer referências que ajudam a compreender o que está sendo percebido.
Na apresentação conduzida na ProWine, a sequência entre os diferentes whiskies permite identificar mudanças de intensidade e estrutura, além de observar a influência dos barris sobre cada expressão.
Por que um whisky envelhecido custa mais caro?
O tempo de maturação é um dos fatores que influenciam o preço do whisky, mas representa apenas parte do custo de produção.
Durante os anos de armazenamento, a bebida permanece em barris que exigem investimento, espaço físico e acompanhamento. O produtor também precisa considerar a imobilização do estoque, já que o produto não poderá ser comercializado antes de completar o período planejado de envelhecimento.
Outro fator é a evaporação natural.
Conhecida no setor como angel’s share, ou parte dos anjos, a perda ocorre gradualmente durante a permanência da bebida na madeira. Sua intensidade depende das condições de armazenamento, do clima e das características dos barris.
Mariachi explicou que um whisky envelhecido por 12 anos na Escócia pode apresentar perda acumulada próxima de 20% do volume, embora essa proporção varie conforme as condições de maturação.
O processo ajuda a compreender por que expressões mais antigas frequentemente apresentam preços elevados. Além do investimento necessário para manter o produto armazenado, a quantidade disponível para engarrafamento diminui com o passar dos anos.
A idade declarada no rótulo também possui um significado específico.
No whisky escocês, uma indicação de 12 anos significa que o destilado mais jovem presente naquela composição permaneceu pelo menos 12 anos em barris.
O consumidor encontra, portanto, uma informação sobre o período mínimo de maturação, independentemente de o produto ser um single malt ou um blended whisky.
A comparação com a cachaça brasileira ajuda a entender o custo da maturação
Ao explicar as perdas durante o envelhecimento, Mariachi estabeleceu uma comparação com a produção brasileira de cachaça.
O clima exerce influência importante sobre a evaporação. Em regiões mais quentes, as perdas podem ser elevadas, dependendo das condições de armazenamento e dos recipientes utilizados.
Essa característica afeta o rendimento da produção e ajuda a explicar o custo de determinadas cachaças envelhecidas por períodos prolongados.
O mixologista também chamou a atenção para as diferenças entre as regras de indicação de idade dos destilados, que precisam ser consideradas na comparação entre produtos.
No caso do whisky escocês, a idade declarada corresponde ao componente mais jovem da mistura. A classificação e a rotulagem da cachaça seguem normas próprias, com categorias e exigências específicas para os produtos envelhecidos.
A comparação permite compreender por que o tempo de armazenamento, isoladamente, não é suficiente para avaliar o custo ou as características de duas bebidas produzidas em países diferentes.
A disponibilidade de madeira, as perdas durante a maturação e a escala de produção também interferem no resultado econômico.
Mudanças climáticas e disponibilidade de madeira entram no debate
A produção de whisky depende de uma cadeia de fornecimento que inclui a fabricação, a seleção e a reutilização de barris.
Durante a entrevista, Mariachi foi questionado sobre os possíveis impactos das mudanças climáticas sobre as madeiras empregadas na maturação.
O profissional ponderou que os barris podem permanecer em uso durante muitos anos, passando por diferentes ciclos de armazenamento. Essa característica torna complexa a avaliação de impactos imediatos sobre a disponibilidade de recipientes para as destilarias.
A questão envolve, porém, a produção futura de madeira e as condições de crescimento das árvores. Alterações climáticas podem afetar o desenvolvimento de determinadas espécies e, consequentemente, a oferta de matéria-prima ao longo do tempo. A dimensão desses efeitos depende de estudos específicos sobre as regiões produtoras e suas cadeias de abastecimento.
Rafael Mariachi também mencionou a diversidade de madeiras utilizadas no envelhecimento da cachaça brasileira. O país possui espécies com características diferentes das encontradas nos carvalhos tradicionalmente empregados na indústria escocesa. A utilização de algumas madeiras nativas está sujeita a restrições ambientais, o que exige atenção à origem legal da matéria-prima e à disponibilidade de barris.
A discussão evidencia a importância do planejamento para uma indústria que trabalha com produtos armazenados durante longos períodos.
A harmonização amplia as possibilidades de consumo
As diferenças entre os whiskies também influenciam suas possibilidades de harmonização.
Mariachi considera a estrutura da bebida um dos principais critérios para selecionar acompanhamentos. Whiskies mais encorpados podem ser combinados com alimentos de sabores intensos, observando a relação entre textura, aromas e persistência no paladar.
A harmonização por semelhança foi destacada pelo mixologista como uma possibilidade para criar combinações equilibradas.
A seleção depende das características de cada rótulo, especialmente da influência da madeira e da intensidade desenvolvida durante a maturação.
Esse conhecimento também permite aos profissionais apresentar o whisky em contextos que ultrapassam a degustação isolada, ampliando as possibilidades de serviço e consumo.
Casa Flora leva conhecimento técnico ao mercado de bebidas na ProWine
A presença de The Dalmore, Jura e Tamnavulin na ProWine São Paulo 2026 acompanha a ampliação do espaço dedicado aos destilados dentro da feira.
Para a Casa Flora Importadora, o bar da Whyte & Mackay oferece uma oportunidade de apresentar diferentes perfis de whisky a profissionais que atuam na distribuição, comercialização e seleção de bebidas.
A experiência conduzida por Rafael Mariachi acrescenta informações sobre produção e maturação que ajudam a compreender o posicionamento de cada marca.
O contato com os rótulos também permite observar a influência dos barris de vinho de Jerez, elemento que aproxima os destilados escoceses do universo tradicionalmente representado na ProWine.
A apresentação reúne três destilarias com trajetórias próprias, diferentes processos de produção e expressões destinadas a perfis variados de consumidores.
A ampliação desse repertório pode contribuir para o trabalho de profissionais que precisam orientar escolhas, explicar características dos produtos e acompanhar as mudanças no mercado brasileiro de bebidas.












































