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A Zona Norte de São Paulo se aproxima de ganhar um novo parque urbano em uma das áreas mais simbólicas de sua formação. A Prefeitura liberou a obra para implantação do Parque Sítio Morrinhos, na região da Casa Verde, um projeto que tem a proposta de combinar preservação histórica, recuperação ambiental e oferta de lazer.

A ordem de empenho, que libera o dinheiro para a obra,  foi assinada pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente em 26 de fevereiro de 2026 e publicada no Diário Oficial em 2 de março. A licitação, vinculada ao processo nº 6027.2023/0003470-1, teve como vencedora a empresa Apeng Serviços e Construções Ltda, com valor estimado de R$ 12.450.350,52.

O parque ocupará uma área de 35.601 metros quadrados, entre a Rua Santo Anselmo e a Avenida Braz Leme, no Jardim São Bento. O espaço reúne um dos conjuntos arquitetônicos mais antigos da cidade e uma área verde ainda pouco explorada pela população.

De acordo com o edital, a construtora tem 18 meses para a conclusão da obra, a contar da data de assinatura da ordem de serviço.

Um sítio do século XVIII no coração da cidade

No centro do futuro parque está o Sítio Morrinhos, cuja casa-sede remonta ao início do século XVIII. A inscrição “1702”, localizada na verga da porta principal, indica a provável data de construção. A edificação é um exemplar da arquitetura bandeirista, construída em taipa de pilão, técnica predominante nos primeiros séculos da formação paulista.

A construção da sede é atribuída a José de Góis Morais, paulista muito rico que fez grande parte se sua fortuna na mineração de ouro. Em 1708, negociou a compra da capitania (que viria a se tornar a cidade de São Paulo) com a Coroa Portuguesa.  O valor da negociação foi fixado em 40 mil cruzados e mais 4 mil de luvas e só não se concretizou, porque o navio que levava o dinheiro foi saqueado.

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Sitio Morrinhos – Museu da Cidade de São Paulo. – Foto:Divulgação/PMSP

O imóvel também teria sido uma residência rural da família Baruel e, ao longo do tempo, passou por diferentes usos e proprietários. Em 1902, foi arrematado pela Associação Pedagógica Paulista, ligada ao Mosteiro de São Bento, e passou a funcionar como espaço de descanso para os monges.

A transformação da região se consolidou em 1952, quando um acordo entre os montes e a Construtora Camargo Corrêa deu origem ao loteamento que estruturou o atual bairro Jardim São Bento. No mesmo ano, o imóvel foi doado à Prefeitura por desejo de Sebastião Ferraz de Camargo, sócio da empresa.

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Preservação entre abandono e restauro

Apesar do valor histórico, o conjunto passou longos períodos sem uso público. Em 1984, foram realizadas obras emergenciais para evitar a deterioração estrutural. Já nos anos 2000, teve início um processo mais amplo de restauração, baseado em pesquisas históricas e estudos arqueológicos.

O espaço foi reaberto em 2008 com a exposição “Escavando o Passado” e passou a abrigar o Centro de Arqueologia de São Paulo, vinculado ao Departamento do Patrimônio Histórico.

O sítio é tombado por diferentes instâncias de preservação, incluindo o Iphan, o Condephaat e o Conpresp, o que reforça sua relevância histórica e cultural.

Parque previsto há mais de uma década

A criação do parque foi formalizada por decreto em 2012, durante a gestão do então prefeito Gilberto Kassab,  mas dependia de recursos para implantação da infraestrutura. O projeto permaneceu por anos no planejamento até ser incorporado ao Plano Diretor Estratégico, que o classifica como área “em implantação”.

A demanda para transformar o espaço em parque partiu do Departamento do Patrimônio Histórico, com apoio da Secretaria Municipal de Cultura. A proposta foi ampliada pela Coordenação de Gestão de Parques e Biodiversidade, que passou a estruturar o projeto urbano.

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Planta do futuro parque Síto Morrinhos

O que está previsto para o novo parque

O projeto prevê a implantação de infraestrutura voltada ao uso público, com trilhas, iluminação, sinalização, equipamentos esportivos e espaços de convivência. Também estão previstos parquinho infantil, quadras e áreas multiuso.

Atualmente, o local conta com um viveiro desativado e dois campos de futebol que precisam de revitalização. A vegetação densa, formada por árvores frutíferas e ornamentais, é um dos elementos centrais do projeto e pode permitir atividades como educação ambiental e práticas ao ar livre.

A gestão do patrimônio histórico continuará sob responsabilidade da Secretaria de Cultura, enquanto a área verde será administrada pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente.

Um parque que conecta passado e futuro

A implantação do Parque Sítio Morrinhos representa mais do que a criação de um novo espaço de lazer. O projeto reúne, em um mesmo território, três dimensões importantes para a cidade: memória, meio ambiente e uso público.

Ao integrar o Centro de Arqueologia à área verde e abrir o espaço para visitação qualificada, o parque pode se tornar um ponto de referência na Zona Norte, aproximando a população de um patrimônio que, por décadas, permaneceu pouco acessível.

Serviço

Sítio Morrinhos

  • R. Santo Anselmo, 102 (esquina com Av Braz Leme)
  • Jardim Sao Bento, Zona Norte de São Paulo – SP

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