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Sesc Santana recebe Izaías e Seus Chorões em noite que celebra a tradição do choro

Foto: Divulgação/Sesc Santana
Tempo de Leitura: 3 minutos
da Redação DiárioZonaNorte
  • O choro surgiu no Rio de Janeiro do século XIX a partir da fusão de danças europeias, como polca e valsa, muito presentes nos salões e festas da elite carioca.;
  • Joaquim Callado Júnior, reconhecido como virtuoso da flauta, ficou conhecido como o “pai do choro”, e sua composição “Flor Amorosa”, de 1867, é considerada um marco inaugural do gênero;
  • Embora inspirado por referências estrangeiras, o choro logo assumiu características próprias, consolidando-se como a primeira expressão musical urbana genuinamente brasileira e patrimônio cultural do país; e
  • Fundado em 1974, em São Paulo, o grupo Izaías e Seus Chorões nasceu com a missão de preservar a tradição, executando peças de mestres pioneiros, registrando discos históricos e valorizando compositores paulistas em seu repertório. 

“Carinhoso, meu coração…” — a melodia que marcou gerações serve de abertura simbólica para um domingo especial no Sesc Santana. No próximo dia 7 de setembro, data em que o Brasil celebra 203 anos de sua Independência, a apresentação de Izaías e Seus Chorões ganha ainda mais significado: unir memória musical e memória cívica em um mesmo ato cultural.

O grupo de choro mais antigo em atividade em São Paulo, com 51 anos de trajetória, sobe ao palco para reafirmar que o gênero é parte essencial da identidade nacional e continua a emocionar plateias como patrimônio vivo da nossa cultura.

O repertório da apresentação reúne obras de compositores como Zequinha de Abreu, Jacob do Bandolim, Pixinguinha e Waldir Azevedo, entre outros nomes fundamentais da música brasileira.

Izaías Bueno de Almeida, fundador do grupo, é bandolinista e foi recentemente reconhecido como Mestre do Choro pela Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.

Com 88 anos, sua trajetória acompanha a história do choro no país, desde rodas informais e apresentações em rádios e discos, até os palcos da televisão e turnês internacionais. Em 2024, recebeu o prêmio por trajetória no Edital PNAB, e em 2025, junto a seu irmão Israel, foi condecorado com a Ordem do Ipiranga, a mais alta honraria do Estado de São Paulo.

Sesc Santana Izaías Chorões
Foto: EBC-Agência Brasil/Marcelo Camargo

A história do choro no Brasil

O choro é considerado o primeiro gênero musical urbano tipicamente brasileiro. Surgiu no Rio de Janeiro no século XIX. Músicos como Joaquim Callado, Ernesto Nazareth e Chiquinha Gonzaga ajudaram a consolidar esse estilo que, mais do que um gênero, representa uma forma de tocar — marcada pelo improviso, pela virtuosidade instrumental e pela afetividade entre músicos e público.

Pixinguinha, com sua genialidade na flauta e no saxofone, transformou o choro em sinônimo de brasilidade, criando arranjos sofisticados que atravessaram gerações. Jacob do Bandolim deu continuidade a essa tradição, levando o choro a patamares de refinamento estético e de reconhecimento nacional. Waldir Azevedo popularizou o cavaquinho com composições como “Brasileirinho”, que atravessaram fronteiras.

O choro se manteve vivo graças às rodas — encontros informais em bares, quintais e praças — que garantiram a transmissão oral do repertório e das técnicas de execução. Nas décadas de 1940 e 1950, o rádio impulsionou sua difusão. Mais tarde, a televisão, as gravações em vinil e as turnês internacionais fizeram o gênero conquistar plateias além do Brasil.

Sesc Santana Izaías Chorões
Reprodução/Facebook

A continuidade com Izaías e Seus Chorões

Em São Paulo, o grupo Izaías e Seus Chorões tornou-se guardião dessa tradição. Ao longo de cinco décadas, apresentou-se em teatros, universidades e festivais, formando público e inspirando jovens músicos. A escolha de repertórios que resgatam clássicos e, ao mesmo tempo, valorizam novas composições, ajuda a manter o choro vivo, atual e dialogando com diferentes gerações.

O reconhecimento recente a Izaías reforça o papel dos mestres que mantêm a memória e a vitalidade desse patrimônio cultural. O show no Sesc Santana é, portanto, mais do que um espetáculo: é uma celebração da história do choro, do legado de seus grandes mestres e da persistência de artistas que seguem tocando com paixão e dedicação.


Ficha técnica

Bandolim: Izaías Bueno de Almeida
Violão de 7 cordas: Israel Bueno de Almeida
Violão de 6 cordas: Marco Bailão
Cavaquinho: Getúlio Ribeiro
Pandeiro: Allan Gaia Pio

Serviço

Local: Sesc Santana
Espaço: Convicência – 80 lugares
Endereço: Av. Luiz Dumont Villares, 579 – Jd. São Paulo/Santana
Data: 07/09 – domingo
Horário: 17 horas
Duração: 60 minutos
Faixa etária:  12 anos
Ingressos:  Gratuito
Informações: (11) 2971-8700

<<Com apoio de informações/fonte: Ass.Imprensa/Sesc Santana-Leandro Pereira>>
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