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NO AR DA DITADURA revive memórias da repressão militar em relato de resistência e dor

Foto: Arquivo Nacional/DP
Tempo de Leitura: 3 minutos

“No Ar da Ditadura” expõe memórias vividas na repressão e a urgência da lembrança histórica

no ar da ditaduraO Brasil viveu, entre 1964 e 1985, um de seus períodos mais sombrios: a Ditadura Militar. Foram anos marcados por censura, perseguições políticas, desaparecimentos, prisões arbitrárias e torturas que deixaram marcas profundas na sociedade.

A violência do regime calou vozes e destruiu sonhos, instaurando o medo como norma cotidiana. Nesse cenário sufocante, em que até mesmo a arte e a imprensa eram controladas, surgiram histórias de resistência que ainda hoje ecoam como alertas.

É nesse terreno que se insere o livro “No Ar da Ditadura”, da socióloga e escritora Izelda Amaral, obra que une memória pessoal e denúncia histórica.

Em busca da liberdade

Mais de cinco décadas após os acontecimentos de 1971, a autora decidiu revisitar suas vivências e transformá-las em narrativa literária. O livro é, nas palavras de Izelda, “um documento histórico e também uma coroa de flores no túmulo daqueles que se foram, em especial meu marido, Francisco”. A obra vai além de uma recordação dolorosa: é um gesto político de resistência e uma homenagem a todos que tombaram em busca da liberdade.

Construído a partir de registros pessoais, anotações e reflexões feitas no calor dos acontecimentos, o livro apresenta a atmosfera de medo e violência instaurada no país. A ditadura não se limitou a prisões e torturas nos porões do DOI-CODI; ela invadia o cotidiano, moldava relações sociais e fazia da vigilância uma presença constante. A escritora traduz essas sutilezas, mostrando como a repressão se infiltrava na vida comum, sem perder de vista a dimensão humana dos que resistiram.

A narrativa também carrega a força da memória afetiva. Ao citar o marido, Francisco, Izelda estabelece um vínculo entre dor pessoal e luta coletiva. Essa escolha aproxima o leitor, que percebe que a história da ditadura não se resume a estatísticas de mortos e desaparecidos, mas a vidas interrompidas, famílias despedaçadas e afetos marcados pela violência do Estado.

no ar da ditadura
Foto: UBES-União Bras. Estudantes Brasileiros

Um dos sobreviventes

O livro ganha ainda mais peso com o endosso de Ivan Seixas, jornalista, ex-preso político e sobrevivente das torturas do DOI-CODI de São Paulo. Preso aos 16 anos, ele e o pai foram brutalmente violentados pela repressão. Hoje, como um dos principais defensores da memória histórica, Seixas reforça a importância do lançamento: “O livro de Izelda mostra essa realidade brutal sem filtros. É um alerta para que nunca mais volte a acontecer”.

Segundo Izelda, “No Ar da Ditadura” não é apenas memória do passado, mas um recado urgente ao presente: valorizar a democracia e jamais esquecer os sacrifícios feitos em sua defesa. Em tempos de revisionismo histórico, em que vozes tentam minimizar ou negar os horrores da ditadura, a obra se torna essencial.


Quem é Izelda Amaral  — Nasceu em Piracicaba, interior de São Paulo, em 1947. É socióloga pós-graduada em Globalização e Cultura. Desde a década de 1970 vive entre o Brasil e a Europa. “No ar da ditadura” é um resgate de sua história pessoal e seu primeiro livro publicado no Brasil.


Serviço

                          No Ar da Ditadura

  • Editora: Mireveja
  • Autora: Izelda Amaral
  • Páginas: 96
  • Preço sugerido: R$ 45/50,00
  • Vendas: Editora Mirejeva (clique aqui), Amazon (clique aqui) e outras

O lançamento está marcado para 6 de setembro, às 15h, na Livraria Martins Fontes ( Rua Dr. Vila Nova, 309 – Vila Buarque – SP). Mais do que um evento literário, será um momento de resistência simbólica, reafirmando que recordar é também lutar.


<<Com apoio de informações/fonte: Assessoria de Imprensa: RS Press/Jéssica Silva Cunegundes de Souza >>

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