da Redação DiárioZonaNorte
“Queremos ter certezas e não dúvidas, resultados e não experiências, mas nem mesmo percebemos que as certezas só podem surgir através das dúvidas e os resultados somente através das experiências”. — Carl Jung
- Considerado o maior pensador do século 20 pela revista TIME;
- Foi um pensador interessado nas diferentes culturas e tradições; e
- Neste ano, comemoram-se os 150 anos de seu nascimento.

Carl Gustav Jung (1875 – 1961 – 86 anos), psiquiatra e psicoterapeuta suíço, construiu uma obra que marcou profundamente a compreensão contemporânea da mente humana. Fundador da Psicologia Analítica, deixou como legado conceitos que atravessaram gerações — como inconsciente coletivo, arquétipos e sincronicidade — e seguem influenciando profissionais de saúde e milhões de pessoas em busca de clareza emocional.
No século 21, marcado pela multiplicidade de transtornos mentais e por um mundo acelerado, urbano e exaustivo, o pensamento junguiano volta ao centro das discussões sobre bem-estar e saúde mental.
Em um período em que ansiedade e depressão atingem índices recordes — segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil lidera em casos de ansiedade e ocupa posição crítica em depressão — cresce a percepção de que a psiquiatria precisa dialogar com outras abordagens, integrando medicina, filosofia, arte e espiritualidade.
Jung já antecipava essa necessidade ao afirmar que o ser humano é feito de luz e sombra, razão e mito, individualidade e coletividade, e que qualquer tentativa de equilíbrio passa pelo mergulho no próprio inconsciente.

Uma travessia pela alma humana no MIS
É nesse cenário contemporâneo que o Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo — inaugura a exposição “A alma humana, você e o universo de Jung”, uma experiência imersiva inédita que convida o público a percorrer, simbolicamente, os territórios mais profundos da psique. Com 550 m² de instalações dedicadas ao pensador suíço, a mostra celebra também os 150 anos de seu nascimento, comemorados em 2025.
A concepção é de Luciana Branco, ao lado dos curadores Waldemar e Simone Magaldi, do Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa (IJEP), referência há mais de quatro décadas no estudo da obra junguiana. Completam o time criativo Flavio Vieira e Camila Whitaker, e a produção executiva é assinada por Naiclê Leônidas.
As instalações foram organizadas para dialogar com três camadas simultâneas:
- a pedagógica, que apresenta conceitos de forma clara;
- a sensorial, que provoca sensações e percepções; e
- a provocativa, que convida o visitante ao autoconhecimento.
Sintomas: o ponto de partida das dores contemporâneas
Logo na entrada, o visitante é confrontado com os “Sintomas”, núcleo que expõe as inquietações modernas. Jung considerava que nada do que vive no inconsciente permanece silencioso: ele se expressa — seja por sonhos, comportamentos, símbolos, crises ou doenças.
Aqui, dois caminhos se abrem: seguir adiante ignorando esses sinais ou parar para escutá-los. Frases de impacto, entre elas uma participação emblemática de Tom Zé, reforçam a urgência de olhar para a vida interior. É um dos espaços mais recomendados para contemplação prolongada, pois funciona como “chave” para todo o percurso.

Os pilares da Psicologia Analítica
O núcleo seguinte — Inconsciente — apresenta, com linguagem acessível, as diferenças entre os modelos de Jung e Freud. É um espaço que serve como manual rápido de compreensão para quem inicia ou aprofunda o estudo da Psicologia Analítica.
Dali, o visitante entra nos Arquétipos, representados por obras de Moara Tupinambá que conectam ancestralidade e imaginação simbólica. Os arquétipos da Mãe, do Herói, da Sombra e do Sábio surgem como forças universais que atravessam culturas há milênios.
Em Mitos, cinco tradições culturais aparecem lado a lado, mostrando como narrativas distintas carregam temas semelhantes — a jornada do herói, o encontro com o desconhecido, a necessidade de integração entre opostos. A instalação, criada por Tania Sassioto em parceria com Daniela Euzébio, ajuda o visitante a perceber que a psique humana é maior do que fronteiras geográficas.
As máscaras que usamos
O ambiente dedicado a Anima e Animus utiliza videoarte gerada com apoio de Inteligência Artificial para representar a complementaridade entre aspectos masculinos e femininos internos. A estética e a fluidez desse núcleo o tornam um dos momentos mais impactantes da mostra.
Em Persona, 1.260 máscaras de gesso produzidas por estudantes do IJEP ocupam o espaço como um mar de rostos possíveis. O visitante caminha devagar e sente a presença de múltiplas identidades sociais que todos usamos no dia a dia — uma reflexão sobre autenticidade num mundo que exige papéis, versões e performances.

O território das transformações
No núcleo dos Sonhos, depoimentos de Sueli Carneiro e Ailton Krenak reforçam que o ato de sonhar é político, espiritual e profundamente humano. As instalações combinam luzes, sons e fragmentos visuais que convidam o visitante a revisitar seus próprios sonhos.
Já Expressões Simbólicas destaca a ponte entre Jung e a psiquiatra brasileira Nise da Silveira, que revolucionou a terapia ocupacional e o uso da arte como forma de cura.
O corredor da Alquimia, com obras de Mariana Guardani e aquarelas recriadas do “Rosarium Philosophorum”, ilumina o processo de transformação interna — o “ouro” que nasce do confronto com as sombras.
O fechamento da jornada
A Sonhografia apresenta cinco sonhos fundamentais de Jung e seus significados, organizada pelo analista José Balestrini. A instalação funciona como um mapa onírico de sua vida interior.
A mostra termina com os núcleos de Sincronicidade e do Livro Vermelho, ambos com obras do artista carnavalesco Victor Passos. São espaços que reforçam a interligação entre indivíduo, mundo externo e eventos que parecem casualidade, mas que dialogam com sentidos profundos.
Com linguagem sensorial, beleza estética e forte dimensão reflexiva, o MIS transforma conceitos junguianos em experiências acessíveis. Em tempos de urgências emocionais, a mostra se confirma como um convite necessário — não apenas para entender Jung, mas para compreender a si mesmo.
” Uns sapatos que ficam bem numa pessoa são pequenos para uma outra; não existe uma receita para a vida que sirva para todos“. – Carl Jung
Serviço
Exposição “A alma humana, você e o universo de Jung”
- Local: MIS – Museu da Imagem e do Som
- Endereço: Avenida Europa, 158 – Jd. Europa – São Paulo
- Telefone/informações: (11) 2117.4777 – a partir das 10 hs
- Horários: 3a a 6a. feira, das 10 às 19h; sábados, das 10 às 20h; domingos e feriados, das 10 às 18h.
- Período: até 18 de janeiro de 2026
- Ingressos: 3a. feira = GRATUITO; de 4a. a domingo: R$ 30 (inteira) e R$ 15,00 (meia); às terceiras 4ªs. feiras do mês, a entrada também é GRATUITA, por uma parceria com a B3.
- Classificação: livre
<< Com apoio de informações/fonte: Assessoria de Comunicação/Divulgação – MIS / Diego Andrade de Santana >>
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