por Hamilton Almeida (*)
O dia de hoje (16/07/2025) marca o aniversário de um evento extraordinário. Há 126 anos, na fria manhã de domingo de 16 de julho de 1899, o padre gaúcho Roberto Landell de Moura realizou uma experiência pública de transmissão de voz e música por ondas de rádio.
Com um aparelho semelhante ao da foto, diante de uma plateia de convidados, Padre Landell escreveu o seu nome na história como o autor da mais antiga demonstração de rádio do planeta.
Por mais incrível que pareça, tal fato ocorreu na cidade de São Paulo, bem longe dos centros de ciência da época. Mais especificamente do prédio da atual Elite Rede de Ensino – unidade de Santana (ex Colégio Santana), na zona norte, para a Ponte das Bandeiras e, depois, para a Avenida Paulista, distante 8 km em linha reta.
O mundo convivia, na área das comunicações, com relativamente poucas opções: jornais e revistas impressos, além do telégrafo e do telefone com fio (o chamado telefone fixo). O telégrafo sem fio, inventado por Marconi, emitia sinais em código Morse (e não a voz humana ou sons musicais).
O italiano Guglielmo Marconi fizera o seu experimento em 1895 e sua invenção engatinhava: alcançara cerca de 50 km. O início da era wireless, no final do século XIX, transformou a humanidade para sempre, deixando para trás não só a infraestrutura de fios e cabos, mas os limites das distâncias, chegando às comunicações interplanetárias – algo previsto pelo Padre Landell.
Se a barreira do sem fio começou a ser quebrada por Marconi, o passo seguinte foi dado pelo Padre Landell ao colocar a voz em ondas eletromagnéticas!
O padre-cientista patenteou o rádio no Brasil e nos Estados Unidos, no alvorecer do século XX. Em que pese toda a sua genialidade e pioneirismo, não recebeu nenhum apoio para desenvolver e comercializar aquela que seria batizada de “a mídia de maior penetração no planeta”.
Com o tempo, a sua invenção seria inventada por outros cientistas e o Brasil estaria fadado a ser importador da tecnologia. Até hoje, a obra científica do Padre Landell não é reconhecida oficialmente pelos méritos que, inegavelmente, conquistou.
(*) Hamilton Almeida — É jornalista e biógrafo do Padre Landell. Começou a pesquisar as façanhas do brasileiro inventor do rádio ainda estudante na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), em 1976, aula de radiojornalismo. Não parou mais até agora e pretende publicar um novo livro com a biografia mais completa do padre inventor. Iniciou a carreira profissional em São Paulo, como repórter da agência Telenotícias, do Grupo Visão. Em Porto Alegre, foi repórter de economia do jornal Zero Hora por mais de uma década. Em Buenos Aires, correspondente de ZH e, depois, da Gazeta Mercantil Latino-Americana, além de colunista da revista Imprensa e colaborador da rádio BBC, de Londres, para assuntos de economia. De volta ao Brasil, atuou na CDN Comunicação e é colaborador da revista Química e Derivados.
(*) Livros da autoria de Hamilton Almeida:
- Padre Landell de Moura – Editora Tchê/RBS;
- Padre Landell – um herói sem glória – Editora Record;
- Padre Landell, o brasileiro que inventou o wireless – Editora Insular;
- O outro lado das telecomunicações: a saga do Padre Landell – (Ed.Sulina);
- Padre Landell: O brasileiro que inventou o Wireless; e
- Em alemão: Pater und Wissenschaftler – Debras Verlag-Deutschland.
Mais sobre o Padre Landell:
- Nos 125 anos da invenção do rádio, Padre Landell recebe homenagem na Zona Norte – clique aqui
- Av. Paulista ganha espaço em homenagem ao rádio, mas sem citar o seu inventor Landell – clique aqui
- Bulevar do Rádio precisa reconhecer o inventor brasileiro Padre Landell de Moura – (20/09/2023) – clique aqui
- Exposição no MIS apresenta o Padre Landell, o verdadeiro inventor, e a história do rádio – (01/03/2023) –clique aqui
* Padre Landell, um gênio brasileiro que foi esquecido como inventor pioneiro do rádio – (24/06/2022) – clique aqui
* O rádio nasceu na Zona Norte da cidade de São Paulo -(30/07/2021) – clique aqui
Saiba mais:
- No Brasil, existem aproximadamente 10 mil emissoras de rádio com concessão pública, divididas entre AM, FM e comunitárias, segundo dados de 2022. Destas, cerca de 4.000 são emissoras FM, 1.700 são AM e outras 4.000 são rádios comunitárias.
- Estima-se que existam mais de um milhão e quatrocentos mil emissoras emissoras de rádio no mundo. O Brasil ocupa o segundo lugar da lista, que tem os Estados Unidos no topo.















































