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Giulia da ZN brilha na esgrima e sonha com o pódio olímpico representando o Brasil

Foto: Divulgação/Conf.Bras.Esgrima
Tempo de Leitura: 5 minutos
da Redação DiárioZonaNorte
  • Na pista silenciosa onde espadas dançam com leveza, brilha uma menina da Zona Norte chamada Giulia de Carvalho Figueiredo Santos.

Aos 13 anos, ela é a nova promessa da esgrima brasileira. Com florete em mãos, passos firmes e olhos atentos, Giulia vai abrindo caminho num esporte que exige inteligência, estratégia e sensibilidade. E tudo começou como um conto improvável, em um colégio da capital paulista.

Giulia nasceu em 1º de junho de 2012 e vive com os pais, Nilton e Raquel, e o irmão Lucca, de 8 anos, no tradicional bairro de Santa Teresinha, na Zona Norte de São Paulo. É lá que, entre uma ida ao treino e outra à escola, a menina sonha em disputar as Olimpíadas e dar orgulho ao Brasil com sua espada certeira.

Giulia ZN Esgrima
Giulia ao lado do pai Nilton e da mãe Raquel, os seus pais-managers. Foto: Arquivo pessoal

Desde pequena, já demonstrava habilidade esportiva. Ainda na educação infantil, encarava com naturalidade o judô, a natação e o futebol. Não gostava de brincar de bonecas, nem se interessava por ballet. Era das quadras, dos tatames, da ação. Os pais dos colegas logo percebiam e comentavam com convicção: “Essa menina é do esporte!” E eles estavam certos.

Giulia sempre teve o “tempo certo” para as atividades físicas. Seus professores de educação física até disputavam sua participação nas diferentes modalidades oferecidas. No Colégio Salesiano Santa Teresinha, começou praticando judô como atividade extra e logo passou a competir. O auge foi a vitória em um campeonato interescolar no Clube A Hebraica, onde subiu ao pódio como campeã.

Giulia ZN Esgrima
Foto: Divulgação / Conf.Bras. Esgrima

O destino

Mas então veio a pandemia. Com o fechamento da escola, o judô ficou só no ambiente virtual, e a prática perdeu força. Ao voltar para o presencial, a atividade esportiva não foi retomada. A menina, no entanto, manteve a chama acesa e decidiu experimentar o futebol. Inscreveu-se numa escolinha para meninas e, como de costume, se destacou. Ganhou medalhas e elogios.

Foi então que surgiu, no colégio, a oportunidade de testar algo diferente: a esgrima. Giulia pediu aos pais para fazer uma aula experimental. Aprovada pela curiosidade e pelo encantamento, mergulhou nesse mundo novo de floretes, máscaras e toques leves como poesia. A princípio, era só uma recreação, com equipamentos simples. Mas a paixão logo falou mais alto.

Giulia ZN Esgrima
Divulgação/Conf.Bras.Esgrima

O início na esgrima profissional

Seguia com o futebol em paralelo, até que participou de um festival de esgrima. Lá, um atleta olímpico assistiu a seus movimentos e indicou seu nome a um mestre. E assim, aos 10 anos, Giulia começou a treinar profissionalmente e foi federada. Nesse momento, largou a bola e decidiu seguir com a espada.

A trajetória não foi fácil. No início, enfrentava meninas mais experientes, mas degrau por degrau, foi conquistando seu espaço. O primeiro grande resultado veio num campeonato estadual — e, desde então, Giulia não parou mais.

Hoje, aos 13 anos, é tri-campeã paulista, campeã nacional e vice-campeã sul-americana na categoria infantil. Treina no Esporte Clube Pinheiros, referência na esgrima nacional, onde lapida seus movimentos com foco total nos sonhos que tem. Quer estar nas Olimpíadas, no futuro, representando o Brasil.

Giulia também inspira dentro de casa. O irmão Lucca observa seu dia a dia com admiração. Vê nela um espírito de vencedora: alguém que acorda cedo, treina com afinco, respeita os adversários e carrega no olhar a certeza de que vai longe.

Giulia ZN Esgrima
Divulgação/Conf.Bras.Esgrima

Cadê o patrocínio?

Mas para que essa história siga em frente, é preciso mais do que vontade. A esgrima é um esporte caro. Exige equipamentos específicos, viagens, inscrições e treinamento constante. Sem patrocínio fixo, os pais bancam tudo com muito esforço e dedicação — buscam recursos em rifas e até na “Vaquinha”. O pai cuida da logística e dos treinos. A mãe prepara os lanches e acompanha a rotina. A família é um verdadeiro time e torcida.

Sonhar é de graça. Treinar, não. Mas eu estou disposta”, diz Giulia com a serenidade de quem sabe o que quer. Nos torneios, entra silenciosa, focada, quase invisível. Mas na pista, sua presença cresce. Os passos são leves, os ataques precisos. O florete risca o ar como pincel de artista.

Esgrima na história

A esgrima é um duelo de elegância e estratégia. Desde o Egito Antigo e a Grécia Clássica, há registros desse tipo de combate. A modalidade se organizou como arte na Itália e na Alemanha, no século XV, e entrou nos Jogos Olímpicos modernos em 1896.

Hoje, as três armas da esgrima — florete, espada e sabre — representam estilos diferentes de toque e movimentação. Giulia se encontrou no florete.

Dvulgação/Conf.Bras. Esgrima

Olhando o futuro

O Clube Pinheiros, onde treina, carrega um histórico de vitórias. Lá, grandes nomes como Nathalie Moellhausen, campeã mundial em 2019, construíram sua jornada. Giulia observa os campeões, aprende com eles e avança um toque de cada vez.

Neste ano,  ela ainda disputará o Campeonato Sul-Americano, Pan-Americano, Brasileiro e Estadual, com o suporte da Confederação Brasileira de Esgrima (CBE). Nos próximos dias, estará seguindo para competir nos campeonatos sulamericano em Quito (Equador) e o panamericano em Lima (Perú).

A rotina é intensa, mas ela não descuida dos estudos. Na escola, segue firme. E sua disciplina favorita? Educação física, é claro. Mas ainda não deu tempo para escolher o seu caminho universitário.

A atleta não quer ser princesa, nem guerreira. Quer ser esgrimista. Quer vestir o uniforme do Brasil, levantar medalhas e fazer história. Com humildade, quer mostrar que sonhos nascidos em bairros simples também podem alcançar o topo do mundo. E se os contos de fadas são feitos de coragem, disciplina e um toque de magia, o dela já começou — florete em punho e olhar no pódio.


Um pouco mais da Giulia: