O Compadre
Pernil
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Há restaurantes que servem comida. E há os que guardam capítulos inteiros da nossa história. O O Compadre, no Shopping Lar Center, na Zona Norte de São Paulo, é o nosso.

A celebração do batizado dos meus filhos aconteceu ali. As mesas grandes acomodaram família, amigos, abraços demorados e aquele cansaço feliz de quem vive um dia importante. Depois vieram aniversários, encontros de fim de ano, decisões difíceis, recomeços. Sempre que algo marcava nossa família, o caminho parecia natural: reservar uma mesa no O Compadre.

A história da família Temperani na Zona Norte

O Compadre nasceu em 1992, na Vila Maria, fundado pelo casal Osmar e Rosa Temperani. Em 1998, mudou-se para o Lar Center, onde consolidou sua presença na Zona Norte.

A ligação da família com a região é ainda mais antiga. Em 1969, seu Osmar criou a lanchonete Dizzy, endereço que se tornou referência muito antes de o hambúrguer ganhar status gourmet na cidade. Também são proprietários do Nozū Restaurante e do Circo da Pizza, todos na Zona Norte.

A família Temperani construiu mais do que um restaurante. Construiu permanência. Depois da partida de seu Osmar, Dona Rosa e os filhos Marcus Vinicius, Marcius Débora mantiveram o mesmo padrão, a mesma cozinha de influências mineiras, paulistas e capixabas, o mesmo cuidado que faz com que a experiência não oscile.

Osmar Temperani

Histórias, nossas histórias… Dias de luta, dias de glória

Aliás, uma das mensagens mais bonitas que recebemos quando o Maurício nos deixou, em novembro de 2025, foi do Marcus em nome de sua família. Nos sentimos acolhidos,  abraçados…

Maurício gostava de sentar perto das janelas. Pedia com calma, observava o movimento do salão e dizia que ali havia algo raro na cidade: regularidade. A comida vinha sempre no ponto certo, o atendimento tinha constância, o ambiente acolhia sem esforço. Era o nosso porto seguro.

Léo, nosso mais velho, transformou cada partida importante em ritual. Antes de grandes coberturas jornalísticas, a gente se reunia ali. Já foram guerras, Copas do Mundo, Olimpíadas, reportagens na Amazônia sobre o avanço ilegal do garimpo.

Assuntos densos, complexos, que exigiam preparo emocional.  E, curiosamente, sempre que sentávamos àquela mesa, tudo ficava um pouco mais leve, como delicado merengue de morangos da Dona Rosa. Como se aquele almoço anunciasse que, independentemente do que viesse pela frente, a vida encontraria seu eixo de novo.

Dona Rosa e Reila Criscia – CEO da Anagrama Comunicações e Eventos

E era ali, quase como um ponto de encontro inevitável, que reencontrávamos colegas de profissão. A conversa se estendia sem pressa, entre uma caipirinha bem feita e o suco de tangerina que já virou tradição da casa.

Tivemos a alegria de dividir a mesa com Márcio Campos, Reila Criscia, Bete Almeida, Regina Mesquita e Joaquim Desidério – entre tantos outros queridos, em tardes que misturavam jornalismo, amizade e histórias que atravessam o tempo.

Maurício, Dona Rosa e Márcio Campos, amigo querido de profissão

O Compadre tem esse efeito silencioso. É um altar cotidiano da minha história. É onde eu segurei a mão do Maurício, onde viu meus filhos crescerem, onde respirei  fundo antes de o Léo atravessar o mundo para cobrir guerras e voltar para casa. Onde ficamos orgulhosos quando a Mariana, nossa mais nova, dividiu conosco seus planos de mudar de  cidade para se realizar profissionalmente e ganhar o mundo…

Comadre Rosa e o tacho de cobre que guarda memórias

Antes das sete da manhã, Dona Rosa já está no restaurante. Organiza compras, supervisiona o buffet e acompanha de perto o preparo dos doces e compotas feitos em um tacho de cobre com mais de meio século de história, herança de família. São receitas que levam tempo e exigem técnica, transmitidas de geração em geração.

É dessa cozinha que saem pratos com influências mineiras, paulistas e capixabas, executados com maestria. A comida chega ao buffet servida em panelas que conservam calor e memória.

Saladas frescas, vindas do sítio da família, o perfume do feijão tropeiro, o vapor da galinha caipira ensopada, o caldo da moqueca capixaba e a rabada com angu formam um convite silencioso ao apetite. Há ainda carne-seca na moranga, tutu cremoso, bobó de camarão, paella e, às quartas e sábados, feijoada.

O Compadre
Casquinhas de siri

O cuscuz paulista merece atenção. De formato quadrado, úmido na medida certa, é uma das receitas reconhecidas em iniciativas ligadas à promoção da gastronomia paulistana.

No buffet também aparecem queijos variados, alho assado, saladas diversas, maionese de legumes e preparos que equilibram textura e tempero.

Cuscuz Paulista

A grelha no centro do salão libera aromas de costelinha suína, costela bovina assada lentamente, cupim macio, linguiça artesanal, picanha,  coração e muçarela assada chegam ao prato ainda fumegando.

O Compadre
costelinha suína, suculenta…

Para finalizar, doces em calda feitos no tacho de cobre por Dona Rosa, que transforma fruta, açúcar e tempo em memória comestível. Doce de leite, arroz-doce, bolo de cenoura, mil-folhas, sagu com creme inglês apaixonam.

O sistema é de preço fechado e reúne cerca de 30 pratos quentes, cinco opções de grelhados, 30 tipos de saladas e 15 sobremesas.

O CompadreUma das maiores cartas de cachaça de São Paulo

O Compadre também se destaca pela carta de destilados. São mais de 200 rótulos de cachaça de diferentes regiões do Brasil, além de cerca de 50 tipos de uísque. A casa trabalha com exemplares armazenados em diferentes madeiras, que influenciam aroma, cor e sabor da bebida.

Entre os destaques estão rótulos premiados de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, além da cachaça própria da casa, disponível nas versões prata e ouro. A prata é mais fresca e aromática, utilizada também na caipirinha do restaurante. A ouro passa por envelhecimento em barril de carvalho e apresenta notas que remetem a frutas e mel.

O Compadre

Hoje, quando volto ao O Compadre, não vou apenas almoçar. Vou revisitar fases da minha vida. Vou lembrar de risos altos, de planos sussurrados, de brindes feitos antes de embarques importantes. Vou sentir aquela mesma sensação de estabilidade que atravessou tantos momentos nossos.

Dividir a mesa é dividir a vida. E quando a vida é partilhada com quem se ama, ela encontra um jeito de ficar mais leve. Na Zona Norte de São Paulo, o O Compadre continua lá. E, para nós, continua sendo casa.

Restaurante O Compadre
  • Av. Otto Baumgart, 500 • Estacionamento/Shop.Lar Center
  • Vila Guilherme –  São Paulo/SP  CEP: 02049-900
  • Dias e Horários: 2a. a 6a. feira e  sábados: 12h às 16h e 19h   às 23h
  • Domingos e feriados: apenas almoço (12h às 16h)
  • Cartões de crédito e débito. Vale Refeição: todas as bandeiras
  • Informações:  (011) 2252-3131