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Moradores sofrem há 20 anos no Parque Novo Mundo com os descasos da CET

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Foto: arquivo
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== <Artigo / Meio Ambiente >> == por Eduardo Bizon (*)

Tudo se iniciou duas décadas atrás. Moradores da vizinhança da rua Soldado José Vivanco Solano, no Parque Novo Mundo, se uniram. Esta rua começa na Praça Paulo Sella e cruza a Avenida da Conceição e segue na direção do Terminal de Cargas Fernão Dias.

Na época a quantidade de caminhões que ali passava era exagerada. Rua de morro, com a maioria dos imóveis residenciais, com placas de proibido circular caminhões nas duas extremidades. Proibitiva, mas, ignorado pelos motoristas.

Dali se iniciou um movimento popular, com abaixo assinado, documento protocolado na Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e texto publicado no jornal Tribuna Paulista. Tudo isso contribuiu para atrair mais gente, sociedades amigos de bairro, entidades religiosas, comércio, indústria, e até mesmo as transportadoras do Terminal de Cargas ligadas ao Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo (SETCESP) e os motoristas ligados ao Sindicato dos Caminhoneiros.

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Moradores reunidos.Foto: arquivo

Havia queixas dos moradores. A CET dizia que a única maneira de diminuir o fluxo de caminhões era através do término do viaduto da Fernão Dias próximo ao Terminal de Cargas. Decidiu-se por fazer uma mobilização pacífica em cima do viaduto.

No dia 23 de Março de 2003, num domingo pela manhã, 800 pessoas fizeram um “pedido de socorro”, um SOS humano reivindicando a conclusão do viaduto. O ato atraiu a grande imprensa. Bingo, o assunto chamou atenção dos governos municipal, estadual e federal. A obra foi executada e o viaduto concluído.

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SOS no viaduto. Foto: arquivo
Nada valeu sem fiscalização

Mas, infelizmente, de nada adiantou. Os problemas de circulação de caminhões continuam e a CET sumiu. No inicio ainda vinha uma viatura da CET para notificar os infratores, mas era só isso. A maioria do tempo sem fiscalização permite aos motoristas cometer infração sem multa.

Atualmente, moradores da região, principalmente os da rua Soldado José Vivanco Solano continuam vivendo um pesadelo. Motoristas de caminhões desrespeitam as placas e passam sem cerimonia nesta rua de morro provocando poluição sonora, poluição do ar por eliminação de óleo diesel queimado.

Na sequência, a trepidação provocada pelos veículos pesados provoca trincas nos imóveis e destrói a capa asfáltica da via. E já provocou acidente de caminhão desgovernado que levou à morte um jovem residente à Rua Soldado Sebastião Felício com internação de seu filho de 3 anos de idade com fraturas múltiplas. E, por outro lado no meios de mais transtornos, as quebras de caminhões carregados no morro impedindo o fluxo normal de veículos.

As queixas se iniciaram através do site da CET e do telefone 156 da Prefeitura de São Paulo. Mas inacreditavelmente a CET não atende às solicitações. Em alguns protocolos é pedido pelo amor de Deus, mas, nem assim!

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Betoneira na região. Foto:arquivo
Surgem novos problemas

No ano passado, no pós-pandemia, os moradores começaram a presenciar outros males. Próximo à antiga fábrica da Estrela Brinquedos está instalada a Concreserv. Diariamente circulam muitos caminhões betoneira dessa empresa que adotaram como rota a rua Soldado José Vivanco Solano onde a velocidade permitida é de 30 Km/h.

Ocorre que eles sobem e descem carregados com massa de cimento em velocidade. O pior é que além de desrespeitar as placas, com frequência despejam concreto na via que quando seco levantam poeira com química de cimento que é inalada por moradores locais, além de sujar as casas, matar as plantas e depositar nocivamente sobre a lataria dos carros.

Moradores inutilmente já ligaram para o gerente da usina do Parque Novo, já ligaram para a logística central, para o jurídico, alguns foram até a usina pessoalmente. Os empregados da Concreserv ignoram aos apelos e continuam infringindo as leis de transito. Sobre isso já foi solicitado exaustivamente à CET que venha notificar. Mas ao que parece a Concreserv é mais importante para os órgãos públicos do que os munícipes.

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R.Soldado José Vivanco com Pr.Paulo Sella.Local tem placa proibitiva – desrespeitada.Foto: arquivo
Mais uma surpresa para os moradores

Faz alguns meses que outro problemão vem atormentado os moradores. Centenas de caminhões basculantes sobem a rua carregando terra provocando barulho altamente nocivo à audição humana. Moradores seguiram os caminhões. E aí chegaram ao mundo do que quem pode faz e o que menos pode fica olhando que nem tonto. Um espanto.

Deparou-se com uma obra gigantesca da Sanca Galpões do grupo Cyrela. Uma terraplanagem na antiga área onde ficava a fábrica da Estrela Brinquedos. Uma obra que trará para a região um futuro avassalador.

A várzea do rio Cabuçú de Cima sumiu, tendo sido toda coberta com a terra que esses caminhões levam aos montes todos os dias infernizando a vida dos moradores por onde passam. Falta de várzea é sinônimo de futuras enchentes na região.

É horripilante imaginar que se essa obra chegar ao fim, ali se instalarão centenas de empresas. A falta de acesso à rodovia Dutra fatalmente obrigará mais veículos leves e pesados a transitar pelas ruas residenciais da região, que se tornará inabitável.

<<Leia mais detalhes com fotos na reportagem do DiárioZonaNorte:  ” Desastre ambiental: construções na Várzea do Cabuçu jogam fora U$ 90 mi em dinheiro público, provocando enchentes na Z. Norte” (10/04/2022)clique aqui >>

Várias placas sem efeito.Foto: arquivo

Esses caminhões foram motivos de várias solicitações à CET para que enviassem uma viatura para notificar os infratores. A CET ignorou todas as solicitações. Nestas horas a população quer a presença do senhor prefeito.

A população não entende a negação da Secretaria Municipal de Mobilidade  e Trânsito.

Onde andarão o senhor prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o senhor secretário municipal Ricardo Teixeira, vereador do partido União Brasil, licenciado para ocupar o cargo de secretário?. Com todo o respeito, os Senhores do governo municipal têm as respostas!

<<Leia também artigo de José Ramos de Carvalho, da APGAM, publicado no DiárioZonaNorte“Meio Ambiente: Trágicos “Moinhos de Ventos” da Bacia do Rio Cabuçu de Cima” (06/06/2022) – clique aqui >>


(*)  Eduardo Bizon – Engenheiro, participante da Agenda 2030, conselheiro do Hospital Municipal Vereador José Storópolli. Morador da Zona Norte e cidadão atuante nos bairros de Vila Maria, Vila Guilherme e Vila Medeiros, com preocupação por toda a região.

Comentários e sugestões: [email protected]


Nota da Redação: O artigo acima é totalmente da responsabilidade do autor, com suas críticas e opiniões, que podem não ser da concordância do jornal e de seus diretores.fim do mundo.


 

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