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A situação hídrica da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) voltou a preocupar. O Sistema Cantareira, principal responsável pelo abastecimento da capital e de cidades do entorno, registrou nesta 5ª feira (15 de janeiro de 2026) apenas 19,7% do volume útil, índice que mantém o sistema na Faixa 4, considerada nível de restrição.
O cenário é agravado pelo volume de chuvas abaixo do esperado. Em janeiro, choveu apenas 18,6% da média histórica, que é de 262,0 milímetros para o período. Os dados são da Sabesp.
O que acontece se o Cantareira chegar à Faixa 5
Caso o Sistema Cantareira atinja a Faixa 5, conhecida como faixa especial, entram em vigor medidas ainda mais rigorosas. Entre elas está a redução adicional da vazão captada, definida diretamente pelos órgãos gestores, com o objetivo de preservar os reservatórios e reforçar a segurança hídrica do sistema.
Até o momento, nem a Sabesp nem os órgãos estaduais informaram a partir de qual nível poderá ser adotado um eventual racionamento de água.
Por que o Sistema Cantareira é tão importante
Considerado um dos maiores sistemas de abastecimento do mundo, o Sistema Cantareira produz cerca de 33 mil litros de água por segundo e atende aproximadamente 8,8 milhões de pessoas, o que representa quase metade da população da Região Metropolitana.
O abastecimento alcança moradores das zonas Norte, Central, Leste e Oeste da capital, além de municípios como Franco da Rocha, Francisco Morato, Caieiras, Osasco, Carapicuíba, São Caetano do Sul, parte de Guarulhos, Barueri, Taboão da Serra e Santo André.
Medidas de restrição já foram ampliadas
Para preservar os mananciais, o Comitê de Segurança Hídrica, formado pela Arsesp e pela SP Águas, determinou a ampliação da Gestão da Demanda Noturna (GDN).
A medida reduz o fornecimento de água por 10 horas diárias, das 19h às 5h. Durante o dia, segue o controle da pressão da rede para garantir o abastecimento. As ações são consideradas temporárias e dependem da recomposição dos níveis dos reservatórios, diretamente ligada à ocorrência de chuvas.
Chuvas abaixo da média pressionam todo o sistema
O impacto da estiagem não se restringe ao Cantareira. O Sistema Integrado Metropolitano (SIM), responsável pelo abastecimento de toda a RMSP, opera atualmente com 27,47% do volume útil, índice 21,51 pontos percentuais menor do que o registrado em 2021.
Os sistemas Cantareira e Alto Tietê, que juntos concentram 80% da capacidade do SIM, operam com 29,7% e 25,7%, respectivamente. Na última semana, a média de queda do SIM foi de 0,26% ao dia.

Um sistema com raízes no século 19
A história do Cantareira remonta ao século 19, quando estudos apontaram a Serra da Cantareira como área estratégica para o abastecimento de São Paulo. Na época, a cidade passava por um rápido crescimento populacional impulsionado pela urbanização e pela industrialização.
Em 1878, foi criada a Companhia Cantareira e Esgotos, cuja inauguração contou com a presença do imperador Dom Pedro II. À época, estimava-se que São Paulo entraria no século 20 com cerca de 60 mil habitantes — número rapidamente superado. Em 1899, a cidade já tinha 240 mil moradores.

Cantareira. 1901. Foto de P. Doumet. Acervo Memória Sabesp
Da Companhia Cantareira ao sistema atual
Com o erro de projeção populacional, o Governo do Estado rescindiu o contrato com a Companhia Cantareira e adquiriu suas propriedades na serra. Cerca de 5 mil hectares foram desapropriados para a construção de novas represas, como Engordador, Guaraú, Cassununga, Bispo e Divisa, entre outras.
A partir desse processo, foi criada a Repartição de Água e Esgotos da Capital (RAE), responsável pelo sistema de abastecimento que permaneceu em operação até 1973, quando entrou em funcionamento o atual Sistema Cantareira, hoje administrado pela Sabesp.

Parque Estadual da Cantareira e preservação ambiental
As áreas adquiridas para garantir a produção de água de qualidade foram classificadas como reserva florestal ainda antes da virada para o século 20. Em 1962, a região foi oficialmente transformada no Parque Estadual da Cantareira, status reforçado em 1968, quando passou a ser reconhecida como Parque Estadual Turístico.
Uso racional da água é essencial
Com a estiagem e a queda nos níveis dos reservatórios, o Sistema Cantareira permanece em estado de alerta. O monitoramento constante e a conscientização da população sobre o uso racional da água são considerados fundamentais para atravessar o período seco e garantir segurança hídrica à Grande São Paulo.
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