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Volume do Cantareira cai para 19,7% e reforça alerta hídrico em São Paulo

sete anos Crise hídrica SP
Crédito da foto: Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA)
Tempo de Leitura: 4 minutos

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A situação hídrica da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) voltou a preocupar. O Sistema Cantareira, principal responsável pelo abastecimento da capital e de cidades do entorno, registrou nesta 5ª feira (15 de janeiro de 2026) apenas 19,7% do volume útil, índice que mantém o sistema na Faixa 4, considerada nível de restrição.

O cenário é agravado pelo volume de chuvas abaixo do esperado. Em janeiro, choveu apenas 18,6% da média histórica, que é de 262,0 milímetros para o período. Os dados são da Sabesp.

O que acontece se o Cantareira chegar à Faixa 5

Caso o Sistema Cantareira atinja a Faixa 5, conhecida como faixa especial, entram em vigor medidas ainda mais rigorosas. Entre elas está a redução adicional da vazão captada, definida diretamente pelos órgãos gestores, com o objetivo de preservar os reservatórios e reforçar a segurança hídrica do sistema.

Até o momento, nem a Sabesp nem os órgãos estaduais informaram a partir de qual nível poderá ser adotado um eventual racionamento de água.

Por que o Sistema Cantareira é tão importante

Considerado um dos maiores sistemas de abastecimento do mundo, o Sistema Cantareira produz cerca de 33 mil litros de água por segundo e atende aproximadamente 8,8 milhões de pessoas, o que representa quase metade da população da Região Metropolitana.

O abastecimento alcança moradores das zonas Norte, Central, Leste e Oeste da capital, além de municípios como Franco da Rocha, Francisco Morato, Caieiras, Osasco, Carapicuíba, São Caetano do Sul, parte de Guarulhos, Barueri, Taboão da Serra e Santo André.

Medidas de restrição já foram ampliadas

Para preservar os mananciais, o Comitê de Segurança Hídrica, formado pela Arsesp e pela SP Águas, determinou a ampliação da Gestão da Demanda Noturna (GDN).

A medida reduz o fornecimento de água por 10 horas diárias, das 19h às 5h. Durante o dia, segue o controle da pressão da rede para garantir o abastecimento. As ações são consideradas temporárias e dependem da recomposição dos níveis dos reservatórios, diretamente ligada à ocorrência de chuvas.

Chuvas abaixo da média pressionam todo o sistema

O impacto da estiagem não se restringe ao Cantareira. O Sistema Integrado Metropolitano (SIM), responsável pelo abastecimento de toda a RMSP, opera atualmente com 27,47% do volume útil, índice 21,51 pontos percentuais menor do que o registrado em 2021.

Os sistemas Cantareira e Alto Tietê, que juntos concentram 80% da capacidade do SIM, operam com 29,7% e 25,7%, respectivamente. Na última semana, a média de queda do SIM foi de 0,26% ao dia.

Represa Principal do Engordador, do antigo Sistema Cantareira. 1893. Foto de P. Doumet. Acervo Memória Sabesp

Um sistema com raízes no século 19

A história do Cantareira remonta ao século 19, quando estudos apontaram a Serra da Cantareira como área estratégica para o abastecimento de São Paulo. Na época, a cidade passava por um rápido crescimento populacional impulsionado pela urbanização e pela industrialização.

Em 1878, foi criada a Companhia Cantareira e Esgotos, cuja inauguração contou com a presença do imperador Dom Pedro II. À época, estimava-se que São Paulo entraria no século 20 com cerca de 60 mil habitantes — número rapidamente superado. Em 1899, a cidade já tinha 240 mil moradores.

Volume Cantareira cai
Estação Elevatória do Engordador, pertencente ao antigo Sistema deAbastecimento da
Cantareira. 1901. Foto de P. Doumet. Acervo Memória Sabesp

Da Companhia Cantareira ao sistema atual

Com o erro de projeção populacional, o Governo do Estado rescindiu o contrato com a Companhia Cantareira e adquiriu suas propriedades na serra. Cerca de 5 mil hectares foram desapropriados para a construção de novas represas, como Engordador, Guaraú, Cassununga, Bispo e Divisa, entre outras.

A partir desse processo, foi criada a Repartição de Água e Esgotos da Capital (RAE), responsável pelo sistema de abastecimento que permaneceu em operação até 1973, quando entrou em funcionamento o atual Sistema Cantareira, hoje administrado pela Sabesp.

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Represa do Toucinho, na Serra da Cantareira, pertencente ao “Cantareira Velho”. 1893. Foto de P. Doumet. Acervo Memória Sabesp

Parque Estadual da Cantareira e preservação ambiental

As áreas adquiridas para garantir a produção de água de qualidade foram classificadas como reserva florestal ainda antes da virada para o século 20. Em 1962, a região foi oficialmente transformada no Parque Estadual da Cantareira, status reforçado em 1968, quando passou a ser reconhecida como Parque Estadual Turístico.

Uso racional da água é essencial

Com a estiagem e a queda nos níveis dos reservatórios, o Sistema Cantareira permanece em estado de alerta. O monitoramento constante e a conscientização da população sobre o uso racional da água são considerados fundamentais para atravessar o período seco e garantir segurança hídrica à Grande São Paulo.

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