Home Cultura Streaming redefine hábitos culturais e altera como brasileiros consomem filmes e séries

Streaming redefine hábitos culturais e altera como brasileiros consomem filmes e séries

Tempo de Leitura: 5 minutos

 

  • A era do vídeocassete e das locadoras de vídeo no Brasil floresceu principalmente nas décadas de 1980 e 1990, com a introdução dos primeiros videocassetes nacionais em 1982;
  • O auge da popularidade durou até o início dos anos 2000, quando o surgimento dos aparelhos de DVD  e Blue-ray; e
  • A internet e os serviços de streaming, especialmente após a chegada da Netflix em 2011, foram o fator determinante para o desaparecimento gradual das locadoras. 

Antes dos serviços digitais conquistarem espaço no dia a dia, assistir a um filme significava um ritual: escolher a sessão no cinema, enfrentar filas e mergulhar na experiência coletiva da sala escura. Nos anos 1980 e 1990, o videocassete e as fitas VHS democratizaram o acesso doméstico, permitindo rever produções favoritas quantas vezes fosse necessário. Logo depois, os DVDs ofereceram imagem mais nítida e praticidade. O avanço seguinte veio com o Blu-ray, que prometia alta definição em discos compactos.

Paralelamente, canais de TV por assinatura ampliaram a oferta de entretenimento, trazendo séries e filmes diretamente para dentro de casa. Esse caminho abriu terreno para o atual reinado: os serviços de streaming, que transformaram radicalmente a forma como os brasileiros consomem vídeo.

De acordo com levantamento inédita da Nexus Instituto de Pesquisas, sete em cada dez brasileiros das classes A, B e C (72%) utilizam algum serviço de streaming de vídeo. O levantamento mostra que, entre os assinantes, 27% optam por apenas uma plataforma, 26% contratam entre duas e três, e 19% acumulam quatro ou mais assinaturas. Este último grupo é formado, sobretudo, por pessoas da classe A (44%), com ensino superior completo (29%) e moradores do Norte e Centro-Oeste (24%).

Já os que ficam restritos a uma única assinatura são, em sua maioria, integrantes da classe C (32%), solteiros (34%), residentes do Nordeste (35%) e pessoas fora da População Economicamente Ativa (37%). O cenário demonstra uma segmentação clara do mercado, refletindo renda, perfil demográfico e hábitos regionais.

Netflix segue como líder

Entre as plataformas, a Netflix é a mais popular, presente em 59% das assinaturas das classes A, B e C. O serviço domina sobretudo no Sul (78%), entre brasileiros da classe A (71%) e com ensino superior (71%). Em seguida aparecem Prime Video (33%), Globoplay (26%), HBO Max (22%) e Disney+ (22%).

Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, explica que a influência da Netflix vai além do número de assinantes formais: “A plataforma tem cerca de 25 milhões de contas ativas, mas alcança mais de 70 milhões de pessoas no Brasil. É uma presença que já faz parte da cultura audiovisual do país”.

A pesquisa ainda mostra que 48% dos entrevistados consideram a Netflix a melhor e mais completa plataforma, com destaque para a variedade e qualidade do catálogo. O serviço também aparece no top 3 de 76% dos respondentes. A preferência é maior entre mulheres (83%) do que homens (69%), e entre os mais ricos (85%).

O Prime Video é o segundo mais citado no ranking de prediletos, lembrado por 48% dos entrevistados, sobretudo entre a classe B (61%) e pessoas com ensino superior (60%). Já a Globoplay completa o pódio, sendo destaque entre os baby boomers (46%), a geração X (43%) e moradores do Sudeste (40%).

O que o brasileiro busca no streaming

Filmes são a opção preferida de 81% dos entrevistados, seguidos por séries (73%), noticiários (27%) e documentários (26%). Na sequência, aparecem novelas (22%), esportes (22%), conteúdo infantil (14%), shows musicais (9%) e reality shows (7%).

Mesmo com o crescimento dos streamings, 35% afirmaram que também aumentaram o consumo de TV tradicional após assinar plataformas digitais. Porém, a maioria (69%) assiste mais séries e filmes em streaming do que na TV. Ao todo, 58% dizem ver “muito mais” conteúdos digitais.

Quanto se paga e por quê

O gasto médio com streamings também foi medido. Cerca de 35% dos brasileiros desembolsam até R$ 50 por mês. Outros 35% pagam entre R$ 51 e R$ 100, enquanto 13% gastam de R$ 101 a R$ 200. Apenas 5% destinam acima de R$ 200, e 12% não souberam ou preferiram não responder.

Na avaliação das motivações para assinar, 68% apontaram a grande variedade de filmes e séries como principal fator. O custo-benefício aparece em segundo lugar (34%), seguido pelo conteúdo original e exclusivo (29%). Outros motivos citados foram a facilidade de uso (23%), a qualidade de imagem e áudio (19%) e as recomendações personalizadas (8%).

Entre as plataformas, a valorização da variedade é destaque entre usuários da Netflix (75%) e Prime Video (73%). O preço mais acessível, por sua vez, é mais determinante para os assinantes da HBO Max (39%) e Globoplay (37%). Já o conteúdo original foi o diferencial para 38% dos clientes do Prime Video.

Um mercado em transformação

O estudo da Nexus mostra que o consumo de streaming no Brasil vai além da assinatura: ele molda hábitos, redefine prioridades de gasto e reforça a centralidade da cultura audiovisual no cotidiano. Se antes o cinema, as fitas e a TV a cabo representavam a experiência máxima do entretenimento, hoje é no celular, no tablet ou na TV conectada que milhões de brasileiros encontram, a qualquer hora, um mundo de opções ao alcance de um clique.

O levantamento

Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados entrevistou, face a face, 1.000 cidadãos das classes A, B e C com idade a partir de 16 anos, nas 27 Unidades da Federação (UFs), entre os dias 14 e 20 de julho de 2025. A margem de erro no total da amostra é de 3 p.p, com intervalo de confiança de 95%. A amostra é controlada a partir de quotas de: (a) sexo, (b) idade, (c) região e (d) PEA.  Para esta pesquisa da Nexus, as classes A, B e C foram consideradas, segundo o Critério Brasil, da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas (Abep). Somadas, essas classes representam, aproximadamente, 120 milhões de brasileiros. Renda média:  A – R$ 26.811,68 / B1 – R$ 12.683,34 / B2 – R$ 7.017,64 /  C1 – R$ 3.980,38 / C2 – R$ 2.403,04 – Fonte: valores segundo a Abep.


<<Com apoio de informações/fonte: Imprensa-Nexus = Rodrigo Caetano e Lara/ Faria – e FSB Holding >>