da Redação DiárioZonaNorte
- Além do reconhecimento facial, cerca de 4.000 câmeras do Smart Sampa possuem tecnologia para identificar placas de veículos;
- Essa funcionalidade tem sido reforçada por uma parceria com o Ministério da Justiça, permitindo a integração do programa à plataforma Córtex, que reúne bancos de dados federais; e
- O descarte irregular de lixo é considerado crime ambiental e pode gerar multas elevadas, além de outras sanções. As multas podem variar, mas em alguns casos podem chegar a R$ 25 mil ou mais,
O Smart Sampa, maior programa de videomonitoramento urbano da América Latina, tem mostrado resultados expressivos em seus primeiros meses de operação na cidade de São Paulo.
Entre dezembro de 2024 e maio de 2025, o sistema, que utiliza tecnologia de reconhecimento facial, colaborou diretamente para a prisão de 1.153 foragidos da Justiça.
A taxa de assertividade do programa chegou a 99,5%, segundo relatório de transparência apresentado recentemente pelo prefeito e o Secretário Municipal de Segurança Urbana, Orlando Morando.
As autoridades municipais comemoram os números, destacando também o apoio do sistema na localização de pessoas desaparecidas e em investigações policiais importantes. Mas o lado útil das câmeras pode ser aplicado até para auxiliar no controle de publicidade irregular contra a Lei Cidade Limpa (veja matéria do DiárioZonaNorte – clique aqui)
Mesmo com os avanços tecnológicos, a distribuição das câmeras segue desigual, com maior concentração nas regiões centrais e de alto valor comercial, deixando áreas populosas da Zona Norte expostas ao aumento da criminalidade e aos crescentes problemas de descarte irregular de lixo.

A Zona Norte enfrenta abandono
A primeira fase de implantação das câmeras foi concentrada nas áreas mais movimentadas da cidade, como o Centro Histórico, Avenida Paulista, a região da Sé, República e bairros da Zona Sul, como em avenidas como Faria Lima e Berrini.
Nessas áreas, a presença ostensiva de equipamentos de segurança trouxe alívio à população e redução dos índices de pequenos delitos. No entanto, bairros como Santana, Tucuruvi, Mandaqui, Carandiru, Casa Verde, Limão, Vila Maria, Vila Guilherme, Jaçanã, Tremembé e outros seguem à margem da cobertura tecnológica.
As estatísticas da Polícia Militar mostram que, enquanto houve redução de roubos e furtos nas regiões monitoradas, a Zona Norte tem registrado um aumento preocupante nos casos de assaltos, furtos e até latrocínios.
Moradores relatam a sensação constante de medo, especialmente nas proximidades das estações de Metrô, como Santana, Carandiru e até Tucuruvi , e em áreas de grande circulação como a Avenida Cruzeiro do Sul, Av. Zaki Narchi, Parque da Juventude e nas proximidades do Terminal Rodoviário Tetê

Lixo irregular sem fiscalização
Além da violência urbana, outro problema crônico tem ganhado dimensão alarmante na Zona Norte: o descarte irregular de lixo.
Pontos conhecidos de acúmulo de entulho se espalham por vias importantes, como a Rua Voluntários da Pátria, Avenida Ataliba Leonel, Av. Luiz Dumont Villares (com um ponto fixo há anos na esquina do prédio da Telefônica – próxima aos bares) e diversos trechos da Marginal Tietê.
Tudo que é possivel imaginar criam montanhas: móveis velhos, restos de construção, sacos de lixo e até eletrodomésticos são abandonados a céu aberto, muitas vezes durante a madrugada, quando a fiscalização é quase inexistente.
A ausência de câmeras de monitoramento nesses locais reforça a impunidade dos infratores. Com a falta de vigilância, os moradores são obrigados a conviver com a sujeira, o mau cheiro e o risco sanitário.
Especialistas alertam que o problema pode se agravar durante o período de chuvas, com o entupimento de bueiros e o aumento do risco de enchentes.

Ampliação imediata do programa
Segundo esses especialistas em segurança pública e urbanismo, a ampliação da cobertura do Smart Sampa seria uma solução eficaz para inibir não apenas a criminalidade, mas também os crimes ambientais urbanos.
Com o monitoramento em tempo real, a Guarda Civil Metropolitana (GCM) ou Guarda Municipal poderia agir de forma mais rápida, aplicando multas e responsabilizando os autores de descarte irregular.
Atualmente, a GCM conta com um novo comando localizado na Praça Heróis da FEB, em Santana, mas enfrenta limitações operacionais para cobrir toda a extensão da Zona Norte. A expectativa de moradores e comerciantes é que, com os novos investimentos em tecnologia, a Prefeitura avance no processo de descentralização das câmeras.
População aprova o programa
Pesquisas de opinião, como a realizada pelo Instituto Real Time Big Data, apontam que 91% dos paulistanos aprovam o Smart Sampa como ferramenta de segurança pública. Apesar do alto índice de aceitação, lideranças comunitárias da Zona Norte questionam a ausência de um cronograma para expansão do sistema na região.
“Enquanto o centro e a zona sul estão protegidos, nós seguimos vulneráveis”, reclama um comerciante há anos na Rua Voluntários da Pátria. Ele relata que sofreu duas tentativas de assalto em seu estabelecimento. “A gente vê os resultados do Smart Sampa na televisão, mas aqui na Zona Norte não sentimos nenhuma diferença”, desabafa.

O desafio do monitoramento ambiental
Além do enfrentamento à violência, o Smart Sampa também pode desempenhar um papel estratégico no combate aos crimes ambientais urbanos.
O monitoramento de áreas de descarte irregular de lixo permitiria a identificação dos responsáveis, a emissão de multas e a criação de campanhas educativas. Segundo dados da própria Prefeitura, a maioria dos pontos de descarte irregular está localizada justamente em bairros sem cobertura de câmeras.
A integração entre o Smart Sampa e os serviços de zeladoria urbana é vista por urbanistas como uma medida urgente e necessária. A prefeitura já admite que o programa está em fase de expansão, mas não apresenta um calendário oficial para cobertura da Zona Norte.
Justiça urbana e segurança para todos
Na prática, a falta de câmeras afeta diretamente a qualidade de vida dos moradores da Zona Norte. A ausência de monitoramento reforça o ciclo de insegurança, abandono e degradação urbana. O lixo acumulado atrai vetores de doenças, aumenta o risco de enchentes e compromete a saúde pública.
A eficácia já comprovada do Smart Sampa no centro e na Zona Sul reforça a necessidade de expansão rápida e igualitária. Moradores, comerciantes e lideranças comunitárias esperam que a tecnologia que protege outras regiões também chegue aos bairros da Zona Norte. Mais do que um avanço tecnológico, a ampliação do Smart Sampa representa uma questão de justiça urbana, cidadania e respeito à vida de todos os paulistanos.
<<Com apoio de informações e dados/fonte: Prefeitura de São Paulo – Secom e Secretaria Municipal de Segurança Urbana>>
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