da Redação DiárioZonaNorte
- Ventos chegaram a 98 Km/h na cidade. Santana registrou 81,2 Km/h
- 1,5 milhões de clientes da Enel estão sem energia elétria
- Falta de energia afeta internet, abastecimento de água
- 282 semáforos foram afetados
A cidade de São Paulo e a Grande São Paulo amanheceram em colapso após o ciclone extratropical que atingiu a região na 4ª feira (10/11). O fenômeno, que durou cerca de 12 horas, provocou rajadas de vento que chegaram a 98 km/h em alguns pontos da capital.
No Mirante de Santana, os ventos alcançaram 81,2 km/h e em Guarulhos, 77,8 km/h. Não houve registro de mortes, mas o estrago foi imenso.
O resultado foi um apagão de proporções inéditas: 1,5 milhão de clientes ficaram sem energia elétrica, o equivalente a cidades inteiras como Rio de Janeiro ou Paris mergulhadas no escuro.
A interrupção atingiu não só a distribuição de energia, mas também água, internet, transporte, aviação, comércio e serviços essenciais.
Impacto imediato: parques fechados, aeroportos paralisados, trânsito travado
A Prefeitura de São Paulo interditou todos os parques municipais por segurança. No transporte aéreo, o caos se espalhou: mais de 344 voos foram cancelados entre Congonhas e Guarulhos na 4ª feira. Na 5ª feira, os cancelamentos continuaram… 54 apenas em Guarulhos e 46 em Congonhas. Os impactos chegaram a aeroportos do Rio de Janeiro e Brasília.
Nas ruas, o cenário era de pane generalizada. Segundo a CET, 282 semáforos estavam apagados por falta de energia, 20 por falhas e 5 em modo amarelo piscante. Às 7h, a cidade somava 203 km de lentidão.
Quando falta energia, falta tudo: água, internet, renda e segurança
O vendaval deixou milhões sem luz e água, já que as bombas da Sabesp dependem de energia para funcionar e manter o abastecimento.
O apagão se espalhou para o transporte público, fechou comércios e paralisou shoppings inteiros e a CEAGESP. Empresários relatam prejuízos altos, especialmente em bairros totalmente às escuras.
A falta de energia também derrubou a conectividade: moradores relatam falhas no 4G e 5G, instabilidade no Wi-Fi e dificuldades até para acessar serviços básicos.
As empresas associadas ao Conexis – Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e Internet, afirmam que as oscilações são consequência direta da impossibilidade de funcionamento das estações sem alimentação elétrica. Segundo a Anatel, Claro e TIM foram as operadoras mais afetadas.
Nas casas, o impacto é prático e doloroso: alimentos descongelando, remédios que dependem de refrigeração perdidos, famílias sem comunicação e comerciantes sem trabalhar.
Onde o impacto foi maior
A cidade de São Paulo concentra o maior número de unidades sem luz: mais de 1 milhão. Depois vêm Santo André (69.550), Osasco (35.714), Embu (31.552), Carapicuíba (26.616) e Diadema (26.038).
Entre os bairros mais atingidos estão Ipiranga, Jabaquara, Vila Prudente, Vila Andrade, Campo Limpo e Limão. Moradores da Vila Maria, relatam por meio das redes sociais, que estão sem energia há mais de 24 horas.
Quedas de árvores e risco para equipes de resgate
Segundo a Prefeitura, 231 quedas de árvores foram registradas. Muitas só podem ser removidas após a Enel desligar a rede, o que tem feito as equipes aguardarem 10 a 12 horas para conseguir trabalhar com segurança.
O Corpo de Bombeiros recebeu 1.642 chamados para quedas de árvores, 26 para desabamentos e 5 para enchentes apenas na 5ª feira.
Histórico de falhas e multas acumuladas
De janeiro a outubro de 2025, a Enel SP registrou 328.091 ocorrências de falta de energia, uma média de 1.079 por dia — maior número desde o início de sua gestão, em 2019 (exceto 2024). O tempo médio para restabelecimento melhorou: passou de mais de 10 horas, em 2024, para cerca de 7 horas em 2025.
Ainda assim, a demora nos eventos climáticos anteriores resultou em R$ 300 milhões em multas aplicadas pela Aneel. A empresa prevê R$ 10,4 bilhões em investimentos entre 2025 e 2027, mas até setembro deste ano havia executado apenas 18% desse total.
Procurada, a Enel enviou a nota, que transcrevemos a seguir na íntegra:
“A Enel Distribuição São Paulo implementou todas as ações propostas e cumpriu integralmente com o Plano de Recuperação apresentado à Aneel. A companhia manteve ao longo do ano trajetória contínua de melhoria, numa demonstração de que todas as ações, acompanhadas em fiscalizações mensais pelo regulador, são estruturais e permanentes.
O Plano estabeleceu iniciativas concretas e mensuráveis, que foram integralmente atendidas, com objetivo de buscar melhorias em três frentes: redução do tempo de atendimento a ocorrências emergenciais; redução de interrupções de longa duração (mais de 24h) e mobilização rápida de equipes em contingências de nível extremo.
Em relação ao tempo médio de atendimento emergencial, desde novembro de 2023 até outubro de 2025, a companhia registrou uma melhora de 50%. Já as interrupções com mais de 24 horas de duração reduziram em 90% no mesmo período. As melhorias foram comprovadas pelos relatórios de fiscalização da Aneel e consideradas satisfatórias pelo regulador.
A distribuidora tem investido um volume recorde de recursos para expandir e modernizar a rede elétrica e reforçou de forma estrutural seu plano operacional para reduzir o impacto aos clientes diante do avanço dos eventos climáticos na área de concessão. A companhia reitera que tem forte compromisso com os seus clientes e seguirá trabalhando para seguir aprimorando o serviço prestado.”
O ciclone extratropical expôs, mais uma vez, a fragilidade da infraestrutura elétrica em São Paulo. A cidade paralisa, moradores ficam vulneráveis e o prejuízo se espalha por todos os setores — enquanto crescem as cobranças por respostas, investimentos e transparência.
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