da Redação DiárioZonaNorte
- A praça circular Campo de Bagatelle, que é a entrada de Santana e da Zona Norte, presta homenagem ao pai da aviação, Alberto Santos Dumont; e
- O bairro de Santana está distante 17,2 km do “marco-zero”, da Praça da Sé, no Centro Histórico da cidade.
Com cerca de 190 mil habitantes, o bairro de Santana, na Zona Norte de São Paulo, tem população maior que muitas cidades do interior de São Paulo ou até de outros estados, e até de países inteiros como Liechtenstein ou Mônaco.
Mas não é só em tamanho que o distrito de Santana impressiona. Fundado oficialmente em 26 de julho de 1782, o bairro completa 243 anos neste sábado (26/07/2025) com uma bagagem histórica que poucos lugares da cidade — ou do Brasil — conseguem carregar.
Foi em Santana, mais precisamente no Solar dos Andradas, que José Bonifácio de Andrada e Silva redigiu o manifesto que incentivou o “Dia do Fico”, ato decisivo que conduziu à Independência do Brasil em 1822.
O prédio do Solar dos Andradas foi demolido e reconstruído, sendo desde 1948 ocupado pela Centro de Preparação de Oficiais da Reserva de São Paulo (CPOR) do Exército, na Rua Alfredo Pujol.

O bairro, que nasceu como Fazenda de Sant’Ana, doada aos jesuítas e voltada à agricultura e à criação de animais, acabou sendo palco de decisões que mudariam os rumos da história nacional.
Santana é, portanto, o bairro mais antigo da Zona Norte, e talvez um dos mais simbólicos. Sua origem está ligada à fé — em especial ao culto de Sant’Ana, mãe de Maria e avó de Jesus — e à terra.
Os jesuítas construíram ali uma capela e iniciaram plantações que abasteciam a capital colonial. Com o tempo, o que era fazenda virou sede política, escola, hospital, quartel, estação ferroviária e depois um bairro pulsante, onde passado e presente caminham lado a lado.

Terra de trilhos, rios e invenções
Como tantas cidades do interior e da capital paulista, Santana surgiu à beira de um rio — o Guaré, hoje canalizado como parte do Tietê — e se desenvolveu ainda mais com a chegada dos trilhos.
O Tramway da Cantareira, implantado em 1893, ligava o centro à Serra da Cantareira, transportando água, materiais e operários. Passava pela atual Avenida Cruzeiro do Sul, atravessando o bairro e impulsionando seu crescimento.Por 72 anos, o trem foi símbolo de progresso até ser desativado em 1965.
Dez anos depois, o Metrô retomaria o papel de conexão, com a chegada da Linha 1-Azul e suas estações Tietê, Carandiru e Santana – e ligando os bairros do Jardim São Paulo, Parada Inglesa e Tucuruvi.

Foi também em Santana que o mundo ouviu, pela primeira vez na história, a voz humana transmitida por ondas de rádio. Em 16 de julho de 1899, o padre Roberto Landell de Moura (veja link no final), pároco da Capela de Santa Cruz (na Rua Voluntários da Pátria), vizinha ao antigo Colégio das Irmãs de São José e depois Colégio Santana (atualmente Colégio Elite), realizou a primeira transmissão radiofônica da história, daquele ponto até Avenida Paulista.
Outro marco importante foi o Campo de Marte, primeiro aeroporto da cidade de São Paulo, inaugurado em 1929. Com ele, Santana passou a abrigar voos históricos e se tornou um local do Parque de Material Aeronáutico de São Paulo (PAMA-SP) da Força Aérea Brasileira (FAB). Hoje, o Campo de Marte continua operando voos executivos e treinamentos, mantendo viva sua conexão com os céus – e os desbravadores Santos Dumont e Edú Chaves.

Um bairro que tem de tudo
O que nasceu como campo e capela virou um dos bairros mais completos da cidade. Santana abriga comércio forte, serviços de saúde, educação pública e privada, shoppings, supermercados, bares, praças, parques, igrejas, colégios históricos e centros culturais. Por outro lado, momentos de lazer, esportes e cultura com Parque da Juventude-Dom Evaristo Arns e os grandes eventos e feiras do Distrito Anhembi, com fechamento nas festividades do Carnaval no Sambódromo.
A tradicional Rua Voluntários da Pátria, com seus quarteirões comerciais — ruas Leite de Moraes, Doutor César, Alfredo Pujol e outras — concentra desde lojas populares a grandes marcas. E como complemento, nas proximidades, os moradores podem desfrutar de shoppins e hipermercados, que ampliam o consumo e o lazer da população.
Além disso, Santana é ponto de partida para toda a cidade. De lá, saem vias para o centro (Avenida Cruzeiro do Sul, Ponte das Bandeiras), para a Zona Leste (Via Norte-Sul, Marginal), para a Zona Oeste (Ponte da Casa Verde, Marginal Tietê) e para o interior as saídas para importantes rodovias como a Fernão Dias e a Presidente Dutra, caminho para o Aeroporto de Guarulhos. É um bairro com fácil acesso, seja por metrô, trem, ônibus ou carro.

A fé que permanece
No coração do bairro, a Basílica Menor de Sant’Ana (veja link no final) – que acaba de completar 130 anos — guarda a imagem da santa padroeira, encontrada em escavações da antiga capela jesuíta. A devoção cresceu com o tempo e, em 1895, foi criada a paróquia. A construção do templo atual começou em 1906 e resistiu às dificuldades até ser concluída. Em 2020, a igreja foi elevada a Basílica, o mais alto título eclesiástico de um templo católico fora do Vaticano.
Tradição e futuro
Santana mistura o antigo e o novo com naturalidade. Em suas ruas, crianças brincam perto de casarões do século XIX; jovens circulam por estações de metrô conectados à internet; idosos relembram o som dos trens enquanto fazem compras no supermercado. Cada morador carrega um pedaço dessa longa jornada, que começou com fé, se fortaleceu com ferrovia, ganhou asas com o rádio e o aeroporto, e hoje se reinventa a cada esquina
Ao comemorar seus 243 anos, Santana mostra que ser antigo não é ser ultrapassado. É, sim, ter muitas histórias para contar — e disposição para continuar escrevendo novas páginas. Cada rua guarda um marco, cada praça carrega memórias, cada comércio pulsa com o espírito do bairro. Santana é fé, é gente que trabalha, é história que se renova a cada geração. Muito mais ainda há por descobrir e celebrar neste solo que é berço, ponte e futuro da Zona Norte.
Saiba mais:
- Há 126 anos, o rádio dá voz ao mundo graças à invenção do brasileiro Padre Landell – clique aqui
- Basílica Menor de Sant’Ana celebra 130 anos de história, fé e compromisso com a ZN – clique aqui
<< Com informações do Centro de Pesquisas e Arquivo do DiárioZonaNorte>>















































