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Sabesp usa carros com IA e satélite para conter vazamentos de água em São Paulo

Imagem com IA mostra vazamento, Foto: Sabesp
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  • A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – mais conhecida como Sabesp —  é a empresa responsável pelo abastecimento de água e pela coleta e tratamento de esgoto em 375 municípios do estado de São Paulo;
  • A Sabesp foi privatizada oficiamente em julho de 2024 e atende  a cerca de 28,7 milhões de pessoas com abastecimento de água, sendo sendo uma das maiores empresas de saneamento do mundo; e
  • Fundada em 1973, a Sabesp também tem foco na conservação ambiental e na sustentabilidade de seus serviços.

Por toda a cidade de São Paulo, nas mais de 48 mil de vias públicas,  moradores têm sido os primeiros a notar poças inesperadas, rachaduras e jatos d’água em calçadas e ruas. De madrugada ou em plena hora de pico, são eles que gravam vídeos, enviam fotos e acionam os canais de emergência.

Esses relatos, que se multiplicam nas redes sociais, revelam um problema crônico: os vazamentos de água e esgoto que danificam o asfalto, abalam estruturas e atrasam o trânsito. E produzem grandes prejúizos.

A cena é cada vez mais comum. Um pequeno filete no início da manhã pode se transformar, horas depois, em uma correnteza capaz de abrir crateras, alagar garagens e comprometer comércios. O desperdício de água potável e o custo para recompor o pavimento se somam às perdas econômicas de lojistas e moradores que enfrentam quedas no abastecimento e desvalorização de imóveis.

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Trabalho nas ruas e a perda de água. Foto: Divulgação

Perdas bilionárias de água

Segundo a Sabesp, em todo o estado de São Paulo perdem-se, todos os dias, cerca de 1 bilhão e 547 milhões e 301 mil litros de água por causa de vazamentos. Na capital, um a cada cinco litros não chega ao destino final: 18,9% de perda.

A cidade conta com aproximadamente 80 mil quilômetros de tubulações, com idade média de 33 anos — e trechos que ultrapassam 80 anos de uso, com canos de ferro fundido sujeitos a rompimentos.

Esse conjunto explica a frequência de incidentes e o alto índice de desperdício, que impacta diretamente o abastecimento e a conta de água dos consumidores. A infraestrutura antiga é um desafio extra. Muitos trechos da rede passam por áreas densamente ocupadas, onde obras de substituição exigem planejamento, interdições e alto investimento.

Em épocas de seca, cada litro perdido representa risco maior para o abastecimento. Especialistas lembram que a água desperdiçada também significa mais energia elétrica consumida para captar, tratar e bombear água nova, gerando um efeito cascata de custos.

Carro com equipamento de IA. Foto: Divulgação

Tecnologia a serviço da solução

Com o objetivo de enfrentar o problema, a Sabesp aposta em um sistema de monitoramento em tempo real. Três veículos equipados com câmeras e sensores de Inteligência Artificial (IA) já rodam pelas vias públicas, registrando buracos, infiltrações e defeitos no asfalto.

As imagens são enviadas a uma central de dados que mantém um banco de informações com histórico de um ano, onde técnicos analisam as evidências para determinar o envio imediato de equipes ao ponto indicado. A meta é ambiciosa: colocar 50 carros em operação até o início do próximo ano, ampliando significativamente a cobertura.

Outra frente inovadora é o uso de satélites que enviam imagens de alta resolução capazes de revelar vazamentos ocultos sob o asfalto. Essa tecnologia ajuda a identificar problemas invisíveis, que representam cerca de 60% das ocorrências.

Com essa estratégia, a Sabesp calcula ter reduzido em 25% o número de vazamentos visíveis em comparação com o ano passado. A detecção mais precoce evita que pequenos defeitos se transformem em crateras e reduz os custos de reparo.

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Checagem de vazamento de água em via pública. Foto: Divulgação

Resultados e novo modelo de gestão

O ecossistema tecnológico já traz resultados. O tempo médio de recomposição do pavimento caiu 42%, o que significa menos transtornos no trânsito e mais segurança para pedestres e motoristas. Em vez de pagar prestadores de serviço pela quantidade de reparos, a companhia agora remunera por desempenho, estimulando qualidade e eficiência. Assim, cada intervenção, seja de manutenção ou de expansão da rede, tende a durar mais e provocar menor impacto urbano.

Essa mudança de modelo de contrato também permite maior controle sobre prazos e qualidade, pois as empresas passam a ser cobradas por indicadores de satisfação e pela durabilidade dos serviços executados. Segundo a diretoria de Operação e Manutenção, essa nova política garante que os mais de 3 milhões de atendimentos anuais tenham padrão internacional.

Este ecossistema tecnológico não apenas padroniza a entrega dos serviços, mas posiciona a companhia como referência em saneamento inteligente nas Américas, garantindo à população obras com qualidade superior, menor impacto urbano e durabilidade comparável aos melhores sistemas mundiais”, afirma Débora Pierini Longo, diretora-executiva de Operação e Manutenção da Sabesp.

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Obra da Sabesp na rua. Foto: Divulgação

Materiais de alta performance

A Sabesp também passou a adotar materiais que reforçam a resistência do pavimento. Entre eles, o asfalto provisório a frio, que permite reabrir o tráfego imediatamente após a obra, e a Reclaimed Asphalt Pavement – RAP espurmado ( ou seja, pavimento asfáltico reciclado ou reaproveitado), que é até cinco vezes mais resistente que os convencionais. Em vias de grande movimento, como rotas de caminhões e ônibus, aplica-se um tipo de asfalto com matriz de pedra, mais durável e seguro. Essas medidas reduzem a formação de buracos e melhoram a segurança para motoristas e pedestres.

Com uma rede de 156 mil quilômetros em todo o estado, a Sabesp reafirma que a combinação de monitoramento inteligente, materiais de alta performance e gestão moderna coloca a empresa entre as referências de saneamento inteligente nas Américas.

O objetivo é reduzir perdas de água, economizar recursos e proteger o asfalto, garantindo resposta rápida às denúncias da população. Com isto,  os moradores têm a expectativa de ruas mais seguras, menos desperdício e menor risco de desabastecimento, reforçando a importância da participação popular na comunicação de ocorrências.


<< Com o apoio de informações/fonte: Assessoria de Imprensa-Sabesp / Marcelo Ruiz  >>

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