da Redação DiárioZonaNorte
- Trabalhadores reivindicam reajuste salarial com reposição da inflação
- Adicional de 70% nas férias
- Adicional de 250% para trabalho aos fins de semana e feriados
- Manutenção de direitos já conquistados.
- Rombo da estatal passa de R$ 5 bilhões
Funcionários dos Correios de nove estados iniciaram greve durante a negociação do acordo coletivo da categoria, mediada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST). A paralisação começou na 4ª feira (17/12), em agências do Ceará, Paraíba, Mato Grosso, Minas Gerais e Rio de Janeiro, além de algumas regiões de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
O movimento acontece em um dos períodos mais sensíveis do ano, com o Natal se aproximando e o aumento expressivo no volume de encomendas, o que tem gerado apreensão entre consumidores e comerciantes.
Correios afirmam que maioria do efetivo segue trabalhando
Segundo a estatal, dos 36 sindicatos que representam os trabalhadores, 12 aderiram à greve. Ainda assim, os Correios informaram que, 6ª feira, dia 19, cerca de 90% do efetivo estava em atividade.
Em nota, a empresa afirmou que as agências permanecem abertas ao público e que as entregas seguem sendo realizadas em todo o país. A estatal também informou ter adotado medidas contingenciais para garantir a continuidade dos serviços considerados essenciais.
Relatos de atrasos e temor entre consumidores
Apesar da posição oficial, nas redes sociais multiplicam-se relatos de atrasos nas entregas e de consumidores preocupados com a chegada de encomendas, especialmente presentes de Natal e compras feitas pela internet.
O receio é que a paralisação, mesmo parcial, afete prazos já apertados típicos do fim de ano.
TST determina manutenção mínima de funcionários
Na 5ª feira, dia 18, o Tribunal Superior do Trabalho determinou, em decisão liminar, que pelo menos 80% dos funcionários permaneçam em atividade nas unidades onde há paralisação. Em caso de descumprimento, foi estipulada multa diária de R$ 100 mil por sindicato.
Na decisão, a ministra Kátia Magalhães Arruda afirmou que a deflagração da greve compromete a boa-fé das negociações, uma vez que havia compromisso das entidades sindicais de não realizar paralisações enquanto o diálogo estivesse em curso.
O que os trabalhadores reivindicam
Entre as principais reivindicações da categoria estão o reajuste salarial com reposição da inflação, adicional de 70% nas férias e de 250% para trabalho aos fins de semana e feriados, além da manutenção de direitos já conquistados.
As federações que representam os trabalhadores seguem orientando a continuidade da greve.
Negociação segue até dezembro
Em audiência realizada no início da semana, ficou definido que a proposta construída na mediação, com vigência de dois anos, deve ser submetida às assembleias da categoria até o dia 23 de dezembro. A previsão é de assinatura do acordo no dia 26.
Caso a proposta seja rejeitada, o impasse poderá evoluir para um dissídio coletivo, transferindo para a Justiça a definição das cláusulas do acordo.
Empresa enfrenta cenário financeiro desafiador
Os Correios afirmam que a proposta apresentada preserva benefícios conquistados ao longo dos anos, mesmo em um cenário econômico considerado desafiador. A estatal estima um déficit de R$ 5,808 bilhões neste ano, que, se confirmado, será o maior entre todas as empresas estatais.
Segundo a empresa, a proposta mediada pelo TST representa uma oportunidade de solução negociada, com validação governamental e preservação de direitos já adquiridos.
Sindicato ameaça ampliar mobilização
Por outro lado, a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) afirmou que não aceitará nenhuma proposta que implique perda de direitos. A entidade também orientou os sindicatos a ampliarem a mobilização, com possibilidade de uma greve nacional.
Em nota, a Fentect afirmou que a postura da direção dos Correios tem sido intransigente e que não houve avanço nas negociações diante da retirada de direitos proposta pela empresa.
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