- A prática de cuidar das unhas remonta a milhares de anos, com evidências de tratamentos de unhas na Babilônia antiga e na China, onde as cores das unhas indicavam o status social; e
- O primeiro salão de beleza, como o conhecemos hoje, surgiu em 1888, nos Estados Unidos, fundado por Martha Matilda Harper, em Rochester, Nova York.
O barulho do secador se mistura às conversas animadas. Do outro lado, uma cliente folheia uma revista enquanto aguarda a vez. A manicure afia o alicate com destreza e outra profissional prepara a cera quente.
A cena poderia ser de qualquer salão de beleza em São Paulo, onde a vaidade é rotina e os cuidados com a aparência, um ritual. Mas o que poucos percebem é que, em meio a tanta movimentação e estética, podem estar presentes riscos sérios à saúde.
Ir ao salão parece um momento de relaxamento, mas pode esconder perigos silenciosos, como a transmissão de doenças infecciosas graves. Hepatites B e C, infecções por fungos, HPV e até bactérias que causam lesões de pele estão entre os problemas que podem surgir, especialmente quando os estabelecimentos não seguem normas básicas de higiene.
Segundo a infectologista Dra. Michelle Zicker, do Grupo São Cristóvão Saúde, os alicates e objetos cortantes são os principais vilões. “As hepatites B e C são transmitidas por contato com sangue contaminado. O da hepatite B, por exemplo, sobrevive até sete dias em superfícies. Por isso, a esterilização correta dos instrumentos é crucial”, explica.
Mas os riscos vão além. Espátulas de madeira, lixas reutilizadas, ceras depilatórias reaproveitadas, toalhas compartilhadas e até bacias de pés sem proteção plástica são fontes potenciais de contaminação. “Esses objetos, se não forem descartáveis ou esterilizados, podem transmitir desde micoses até vírus como o HPV”, alerta a médica.
A situação é agravada em estabelecimentos irregulares, que funcionam sem fiscalização da Vigilância Sanitária. “Infelizmente, muitos salões ainda ignoram protocolos básicos de biossegurança. É um problema de saúde pública”, afirma Dra. Michelle.

Como se proteger?
A consumidora deve estar atento a detalhes importantes. O primeiro passo é verificar se o salão possui licença sanitária e expõe informações sobre seus procedimentos de limpeza.
Em seguida, é essencial observar se os materiais utilizados são descartáveis — como lixas, palitos, luvas e protetores plásticos para lavatórios e cubas — ou se os instrumentos metálicos passam por esterilização em autoclave.
“Limpar com álcool ou água quente não elimina os vírus mais resistentes. Só a autoclave garante a esterilização eficaz”, reforça a especialista.
Outra dica prática é levar o próprio kit de manicure e pedicure. “Pode parecer exagero, mas é uma medida que elimina o risco de contaminação cruzada”, aconselha.
E os profissionais?
Os profissionais também precisam se proteger. Usar luvas descartáveis trocadas a cada cliente, lavar as mãos com frequência e manter os EPIs em dia são atitudes indispensáveis.
Dra. Michelle destaca ainda a importância da vacinação contra hepatite B — disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS)— como proteção essencial para quem trabalha na área da beleza.
“A vacina é uma das formas mais eficazes de prevenção. Todo profissional que lida com risco de contato com sangue deve estar imunizado”, diz.
A beleza não deve custar a saúde
Ainda que muitos salões sigam boas práticas, é dever da consumidora observar o ambiente e fazer perguntas. “A saúde vem antes da vaidade. Uma unha bem feita ou um cabelo bem escovado nunca devem justificar a exposição ao risco de doenças evitáveis”, conclui a médica.
O momento de autocuidado no salão pode continuar sendo prazeroso — desde que seja também seguro. Afinal, saúde e beleza precisam andar juntas.
A cliente levanta da cadeira com um sorriso satisfeito, elogia o capricho da manicure e ajeita a bolsa no ombro. Agradece o atendimento, confere o brilho do esmalte sob a luz e caminha em direção à porta.
Lá fora, o mundo a espera — e suas unhas, agora lindas e seguras, ganham as ruas como parte de sua expressão. Vaidade e saúde lado a lado. Porque cuidar de si começa pelas escolhas certas.
<<Com apoio de informações/fonte: Global Consulting / Camila Pal >>
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