Home Cultura Peça sobre democracia e barbárie provoca reflexões no Teatro Alfredo Mesquita

Peça sobre democracia e barbárie provoca reflexões no Teatro Alfredo Mesquita

Peça Teatro Alfredo Mesquita
Foto: Divulgação/Matheus Brant
Tempo de Leitura: 4 minutos

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Em um tempo em que gritar virou forma de calar, Onde Vivem os Bárbaros ergue-se como um teatro-espelho, um lugar onde a arte expõe as rachaduras da democracia. Com direção de Wallyson Mota e dramaturgia do chileno Pablo Manzi, a montagem do Coletivo Labirinto retorna aos palcos paulistanos com sessões gratuitas no Teatro Alfredo Mesquita, na Zona Norte, reafirmando o teatro como espaço de encontro, confronto e pensamento coletivo.

Na trama, três primos se reencontram no Chile, em 2015. Um deles, diretor de uma ONG voltada para ações democráticas em zonas de conflito, se vê envolvido no assassinato de uma jovem ligada a movimentos neonazistas.

Esse crime se torna o gatilho para o desmoronamento das relações entre os personagens. O que começa como uma reunião afetuosa transforma-se em um campo de embates ideológicos, revelando o que cada um pensa sobre o outro — e sobre o mundo.

Segundo o diretor Wallyson Mota, a peça expõe como as sociedades buscam respostas rápidas para temas profundos e complexos. “Muitas vezes, essa pressa resulta em injustiças, exclusões e silenciamentos. A peça discute justamente esse impulso de eliminar o que é diferente ou dissonante”, afirma.

Peça Teatro Alfredo Mesquita
Foto: Divulgação/Matheus Brant

Os três momentos

O espetáculo é dividido em três partes. A primeira se passa na Grécia do século 5 a.C., considerada o berço da civilização ocidental e da democracia. A segunda parte transcorre no Chile contemporâneo, onde as contradições sociais se intensificam. A terceira se passa no Brasil de 2022, às vésperas das eleições presidenciais, quando os fantasmas da intolerância e da desinformação ameaçaram as instituições democráticas.

Com essa estrutura temporal, a peça propõe uma reflexão contínua sobre os caminhos da democracia e sobre quem realmente pode participar dela. “Bárbaro é aquele que está à margem, que não habita a polis, que não tem o direito de exercer ação sobre o Estado. Mas quem decide isso? Quem tem, de fato, acesso à cidadania?”, questiona Mota.

O elenco — formado por Abel Xavier, Carol Vidotti, Ernani Sanchez, Ton Ribeiro e o próprio Mota — conduz o público com intensidade e sensibilidade por um roteiro marcado por ironia, absurdos e uma crítica social firme, porém não panfletária. A encenação propõe ao espectador que assuma uma posição ativa, quase como numa ágora moderna, compartilhando sentimentos, pensamentos e dúvidas em torno da narrativa.

Peça Teatro Alfredo Mesquita
Foto: Divulgação/Matheus Brant

O conteúdo

Mais do que uma peça política, Onde Vivem os Bárbaros é um exercício teatral de escuta e de desconstrução. Não se trata de rejeitar a democracia, mas de lembrar que ela só existe plenamente quando todos — independentemente de raça, classe ou gênero — podem usufruir de seus direitos e influenciar suas direções. Como reforça o diretor: “A democracia é um ato coletivo, cotidiano e público. Ela precisa ser exercida sempre, ou corre o risco de desaparecer”.

A peça foi criada em 2022 como resposta artística à tensão política vivida na América Latina e agora reestreia como parte das comemorações dos 10 anos do grupo. O espetáculo integra o projeto “Pés-Coração: A América Latina Como Caminho”, contemplado pela 43ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo. A proposta prevê ainda leituras encenadas e laboratórios de criação ao longo de 2025, ampliando o diálogo com o público e aprofundando a pesquisa do coletivo.


Coletivo Labirinto == Fundado em 2013,  é um núcleo artístico dedicado à pesquisa e criação teatral. Reúne artistas que atuam em direção, performance, produção e dramaturgia. O grupo investiga as relações sociais por meio da dramaturgia latino-americana contemporânea. Já encenou peças como Sem_Título, Argumento Contra a Existência…, e Mirar. Sua trajetória valoriza o teatro como espaço de reflexão coletiva.

Ficha Técnica

Direção: Wallyson Mota / Dramaturgia: Pablo Manzi  Tradução: Wallyson Mota / Elenco: Abel Xavier, Carol Vidotti, Ernani Sanchez, Ton Ribeiro e Wallyson Mota / Assistente de direção: Carolina Fabri / Cenário e figurino: Lu Bueno / Iluminação: Matheus Brant / Visagismo: Fábia Mirassos / Concepção Sonora: Gregory Slivar / Cenotécnico: Armando Junior / Aderecista: Jésus Seda e Matias Arce / Designer Gráfico: Renan Marcondes / Fotos: Mayra Azzi e Matheus Brant / Assessoria de imprensa: Pombo Correio / Produção: Corpo Rastreado – Leo Devitto e Lucas Cardoso / Realização: Coletivo Labirinto e  Cooperativa Paulista de Teatro


Serviço

Onde Vivem os Bárbaros, do Coletivo Labirinto

  • Local: Teatro Alfredo Mesquita
  • Endereço: Av. Santos Dumont, 1770 – Santana
  • Localização: em frente ao Campo de Marte
  • Transporte: Metrô Linha 1-Azul / Estações Santana e Carandiru
  • Estacionamento: no local, livre
  • Capacidade: 198 lugares
  • Apresentações: 25 e 26 (6a./sábado-20hs) e 27/07/2025 (domingo, 19 hs)
  • Duração: 75 minutosClassificação: 14 anos
  • Ingresso: Gratuito – 01 hora antes/bilheteria

<<Com apoio de informações/fonte: Pombo Correio  Comunicação  / Douglas Picchetti e Helô Cintra >>

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