Home Bem Estar O que é o vírus Nipah e por que casos na Índia...

O que é o vírus Nipah e por que casos na Índia acendem alerta da saúde internacional

vírus nipah
Tempo de Leitura: 2 minutos

.

  • O que é o vírus Nipah e por que ele voltou ao radar da saúde global

O vírus Nipah não é um patógeno recente. Ele foi identificado pela primeira vez em 1999, durante um surto ocorrido na Malásia, e desde então permanece restrito a países do Sudeste Asiático, onde episódios esporádicos são monitorados com protocolos de emergência e acompanhamento da Organização Mundial da Saúde.

Nas últimas semanas, o registro de novos casos na Índia, na região de Bengala Ocidental, levou autoridades sanitárias a reforçarem a vigilância.

Por que a prevenção segue sendo a principal estratégia

No Brasil, o Ministério da Saúde mantém protocolos permanentes de vigilância e resposta a agentes altamente patogênicos, em articulação com instituições de referência como o Instituto Evandro Chagas e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), além da participação da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS). 

Por que novos casos na Índia chamaram a atenção das autoridades

O alerta se deve principalmente ao histórico de alta letalidade associado ao vírus, que pode chegar a até 70% em surtos anteriores, segundo dados internacionais acompanhados por organismos de saúde.

O que é o vírus Nipah

De acordo com o Ministério da Saúde, o vírus Nipah é uma zoonose, ou seja, uma infecção transmitida originalmente de animais para humanos.

A principal associação ocorre com morcegos frutíferos, espécies que não existem no Brasil, considerados reservatórios naturais do vírus, além de porcos em determinados contextos.

Essas espécies envolvidas na cadeia de transmissão não existem no Brasil, o que reduz significativamente o risco de circulação local.

Como ocorre a transmissão do vírus Nipah

A transmissão pode ocorrer por meio da ingestão de alimentos contaminados por secreções desses animais ou, de forma menos frequente, pelo contato direto entre pessoas ou com superfícies contaminadas.

Apesar dessa possibilidade, não há evidências de transmissão sustentada na comunidade nem de disseminação aérea eficiente.

Quais são os sintomas e complicações da infecção

Segundo a infectologista do Hospital Sírio-Libanês, Jessica Ramos, a infecção pelo Nipah tende a evoluir de maneira rápida.

Após um período de incubação que varia entre quatro e quatorze dias, os sintomas iniciais incluem febre alta, dor de cabeça e mal-estar, podendo evoluir para quadros graves, como pneumonia e encefalite.

A especialista explica que o vírus provoca inflamação dos vasos sanguíneos, comprometendo principalmente os pulmões e o cérebro. Esse processo pode levar a manifestações neurológicas importantes, como convulsões, confusão mental e, em casos mais graves, coma.

Além da alta taxa de mortalidade, parte dos sobreviventes apresenta sequelas neurológicas prolongadas, o que reforça a importância da vigilância diagnóstica e do acompanhamento clínico.

Embora a transmissão entre humanos seja possível em situações de contato próximo, inclusive em ambientes hospitalares, Jessica Ramos ressalta que o risco de disseminação ampla é considerado baixo.

Existe risco de circulação do vírus no Brasil?

Segundo ela, não há registros de transmissão ativa no Brasil ou em outros países das Américas, e a possibilidade de importação direta do vírus é considerada reduzida pelas autoridades de saúde, desde que o cenário internacional permaneça restrito a contatos próximos.

Atualmente, não existem vacinas nem tratamentos antivirais específicos para o vírus Nipah. Diante desse cenário, o Ministério da Saúde e especialistas destacam a importância de estratégias preventivas baseadas na integração entre saúde humana, animal e ambiental.

As principais medidas envolvem a redução do contato com possíveis reservatórios naturais e a adoção de cuidados rigorosos com a higiene de alimentos que possam ter sido contaminados por secreções de morcegos.

<com apoio de informações: Imprensa Ministério da Saúde e LLYC – jornalista Marcela Ioli – Imprensa Hospital Sírio Libanês>

d