- A fibra óptica é um meio de transmissão de dados que utiliza fios finos de vidro ou plástico para enviar dados através de pulsos de luz;
- Essa tecnologia é a base de muitas redes de comunicação modernas, incluindo internet de alta velocidade, televisão e telecomunicações; e
- A concessionária de energia elétrica Enel, na cidade de São Paulos, cobra aluguel pelo uso de seus postes pelas empresas de telecomunicações.
Fios soltos, cabos enrolados em árvores, postes carregados além do limite, calçadas obstruídas e restos de conexões espalhados pelas ruas. O que parece apenas mais um detalhe urbano é, na verdade, um problema crescente em São Paulo.
Um levantamento da Associação Paulista dos Gestores Ambientais (APGAM) revela que a instalação desordenada e o descarte irregular de cabos de fibra óptica têm provocado danos ao meio ambiente urbano, comprometido a mobilidade e representado riscos à segurança de pedestres.
Esses cabos, que garantem o funcionamento da internet em casas, empresas e indústrias, muitas vezes são deixados ao relento, cortados ou abandonados sem qualquer controle. A cada nova instalação, sobra fio velho. E a cada rompimento, um cabo descartado sem destino correto. A consequência é um acúmulo silencioso — mas visível — de lixo tecnológico pelas ruas da capital.

Falta de padrão técnico e perigo real
A APGAM mapeou dezenas de pontos críticos, com registros em fotos e localização por GPS. Os fios estão instalados sem seguir as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), muitas vezes próximos a redes elétricas de baixa tensão. O resultado? Um perigo real de acidentes e choques. Além disso, há registros de obstrução de calçadas, galhos de árvores estrangulados por fios e cabos pendurados sobre faixas de pedestres.
Para quem caminha, anda de bicicleta ou depende de cadeira de rodas, a situação é ainda mais grave. O emaranhado de cabos compromete a acessibilidade e, em muitos casos, também prejudica a sinalização de trânsito.

Cidades conectadas, mas desorganizadas
A instalação acelerada da fibra óptica, impulsionada pela demanda crescente por conectividade, deixou para trás a organização técnica. As prestadoras de serviço — muitas vezes terceirizadas — ignoram a logística reversa dos materiais usados. Fios antigos são deixados nos postes ou jogados em bueiros, comprometendo o sistema de drenagem urbana e aumentando os riscos de enchentes.
Em pontos próximos a escolas, unidades de saúde e praças públicas, há registros de fios rompidos em contato com o chão, colocando crianças e idosos em risco. Tudo isso em desacordo com a Lei Cidade Limpa (nº 14.223/06) e a Lei de Limpeza Urbana (nº 13.478/03).

O que pode ser feito?
Segundo a APGAM, a solução passa por cinco medidas imediatas:
- Logística reversa obrigatória para recolhimento e destinação correta dos cabos;
- Fiscalização reforçada pela Prefeitura, com base nas legislações já existentes;
- Aplicação de sanções e multas contra empresas que desrespeitam as normas;
- Responsabilização civil e criminal das prestadoras por danos causados; e
- Coordenação entre PMSP, ENEL, operadoras e órgãos ambientais.
Conectividade precisa ser sustentável
O levantamento também destaca que esse descaso urbano viola princípios de sustentabilidade e contraria metas estabelecidas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).
A gestão adequada dos fios de fibra óptica se relaciona diretamente com:
- ODS 9 – Infraestrutura resiliente e inovação responsável;
- ODS 11 – Cidades seguras, inclusivas e sustentáveis;
- ODS 12 – Consumo e produção responsáveis; e
- ODS 17 – Parcerias para soluções conjuntas.
Mais atenção ao que ninguém vê
A poluição provocada pela má gestão da fibra óptica é invisível nas estatísticas, mas visível a cada esquina. São Paulo está conectada digitalmente, mas desconectada da responsabilidade urbana. O futuro da cidade depende de uma nova cultura técnica, ambiental e institucional, onde a tecnologia esteja a serviço da vida — e não contra ela.
Íntegra da Lei nº 14.223 de 26/09/2006 – clique aqui
Acesse o Manual Ilustrado de Aplicação da Lei Cidade Limpa e normas complementares Lei nº 14.223, de 26 de setembro de 2006 Decreto nº 47.950, de 5 de dezembro de 2006 == clique aqui
Leia as reportagens anteriores do DiárioZonaNorte:·
- Uso desordenado de postes sobrecarrega infraestrutura e coloca em risco a população – (20/01/2025) – clique aqui.
- Prefeitura SP quer acabar com fios enrolados em postes e a publicidade lambe-lambe – (11/06/2025) – clique aqui
- Lei Cidade Limpa: entre o ideal urbano e o caos visual que volta a ocupar São Paulo – (16/04/2025) –clique aqui

- Texto/Registros/Pesquisas: Ga. Ramos,J.C. (Diretoria APGAM).
- Diretoria de Comunicação: Ga.Eduardo Oliveira
- Apoio: Ga. Caroline Kerestes – Presidente APGAM.
- E-mail: [email protected]
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- Telefone:(11) 96347-4281
Associação Paulista dos Gestores Ambientais (APGAM) == Atua pela valorização e regulamentação da profissão. Com experiência acumulada em diversas ações, seus membros conquistaram respeito pelas causas ambientais. A entidade se mobiliza em frentes políticas, técnicas e acadêmicas. Desenvolve projetos e estimula a participação ativa dos profissionais da área. Busca atender às exigências do mercado com propostas consistentes. Sua base é formada por bacharéis, tecnólogos e técnicos em meio ambiente.















































