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Entenda como atua a Anvisa e por que alimentos têm sido recolhidos do mercado

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Criada pela Lei nº 9.782, de 26 de janeiro de 1999, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, conhecida como Anvisa, é uma autarquia vinculada ao Ministério da Saúde com a missão de proteger a saúde da população por meio do controle sanitário de produtos e serviços.

Uma agência que regula para proteger a saúde

Ao completar 26 anos de atuação, a Agência se consolidou como uma das principais referências regulatórias do país, com reconhecimento também no cenário internacional.

Desde a sua criação, a Anvisa modernizou o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária e passou a exercer um papel central em um setor que impacta diretamente a vida dos brasileiros e representa mais de 20% do Produto Interno Bruto.

A atuação envolve decisões técnicas baseadas em evidências científicas e critérios de risco, sempre com foco na proteção da saúde coletiva.

A vigilância sanitária no cotidiano da população

A presença da Anvisa se manifesta de forma contínua no dia a dia da população, desde a compra de medicamentos, cosméticos e dispositivos médicos até o consumo de alimentos seguros nos supermercados.

Vacinas aplicadas nos postos de saúde, produtos utilizados em hospitais e itens que entram no país por portos, aeroportos e fronteiras passam por algum nível de controle sanitário.

A Agência atua na regulação, fiscalização, monitoramento e registro de produtos, além de coordenar o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária.

Essa estrutura permite que normas de qualidade e segurança sejam aplicadas em todo o território nacional, com apoio de estados e municípios.

A atuação durante a pandemia de Covid-19

Foi durante a pandemia que a Anvisa se tornou amplamente conhecida pela população.

As reuniões da diretoria que analisaram e aprovaram as primeiras vacinas contra a Covid-19 foram transmitidas ao vivo e acompanhadas por milhares de brasileiros.

Em um cenário de crise sanitária global, a Agência conseguiu responder com agilidade e rigor técnico, mesmo diante de um quadro reduzido de servidores.

A aprovação de pesquisas clínicas, o registro de vacinas e medicamentos e a flexibilização temporária de regras para viabilizar a fabricação e a importação de insumos essenciais foram decisivos para garantir o acesso da população a tratamentos seguros.

Também coube à Anvisa estabelecer normas excepcionais para o controle sanitário em portos, aeroportos e fronteiras durante o período mais crítico da pandemia.

Reconhecimento internacional e desafios estruturais

A qualidade regulatória da Anvisa é reconhecida internacionalmente.  Desde 2010, a Agência é classificada pela Organização Pan-Americana da Saúde como Autoridade Reguladora Nacional de referência.

O objetivo atual é alcançar o reconhecimento da Organização Mundial da Saúde como Autoridade Sanitária de Referência Internacional, o que amplia o acesso de produtos brasileiros a mercados globais e fortalece a competitividade da indústria nacional.

Apesar dos avanços, a Agência enfrenta desafios estruturais importantes. O número de servidores caiu de cerca de 2,7 mil, em 2007, para aproximadamente 1,5 mil atualmente.

Durante a pandemia, dirigentes e técnicos chegaram a sofrer ameaças em razão das decisões adotadas, mas o trabalho de avaliação e aprovação de produtos seguiu sendo realizado de forma contínua.

Alimentos e o controle de riscos sanitários

Na área de alimentos, a Anvisa é responsável por estabelecer normas, padrões de identidade e limites de contaminantes, com base em metodologias recomendadas pela Organização Mundial da Saúde e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura.

O objetivo é garantir a segurança e a qualidade de alimentos, bebidas, ingredientes, matérias-primas e materiais que entram em contato com os alimentos.

Por que a Anvisa determina o recolhimento de alimentos

A contaminação pode ocorrer em diferentes etapas da cadeia produtiva e estar relacionada a fatores ambientais, características da matéria-prima ou tecnologias utilizadas na produção.

Quando a eliminação total do risco não é possível, são definidos limites máximos aceitáveis, sempre fundamentados em critérios científicos. Produtos que ultrapassam esses limites não podem ser comercializados.

As recentes determinações de recolhimento e proibição de produtos alimentícios seguem esse mesmo princípio de proteção à saúde.

Sal marinho

Entre as ações mais recentes estão a suspensão do lote 901124 de sal marinho iodado da marca Marfim, reprovado em teste de teor de iodo, mineral essencial para prevenir doenças como o bócio e problemas no desenvolvimento fetal.

Azeite

Outro caso envolve a proibição do azeite de oliva extravirgem da marca Terra das Oliveiras, cuja origem é desconhecida e cuja empresa JJ – Comercial de Alimentos Limitada, informada no rótulo do produto como a importadora, teve o seu CNPJ extinto em 8 de janeiro de 2025, após encerrar suas atividades de forma voluntária.  O produto era comercializado por meio da plataforma Shopee.

Doce de leite

Também foi determinado o recolhimento do doce de leite em pedaços da marca São Benedito,  empresa JF Indústria Comercio de Doces e Laticínios Ltda.,  em razão da ausência de identificação de lote e da reprovação em testes laboratoriais relacionados ao uso de conservantes.

Fitoterápico

Além dos alimentos, a Agência proibiu produtos da marca Ervas Brasil por falta de licença sanitária, uso de ingredientes não autorizados e divulgação de benefícios terapêuticos sem comprovação científica.

Confeitaria

A mesma lógica foi aplicada a suplementos alimentares de origem desconhecida e a um lote específico do chocolate branco Laka, recolhido após falha de rotulagem que omitia a presença de glúten.

Também foi determinado o recolhimento de glitter alimentar da marca Flex Fest, por conter materiais plásticos impróprios para consumo, o que evidencia que o controle sanitário vai além dos alimentos tradicionais e alcança itens usados na preparação e decoração de produtos alimentícios.

Informação como aliada da saúde pública

Ao determinar o recolhimento de produtos, a Anvisa não atua de forma punitiva, mas preventiva. A retirada de itens irregulares do mercado reduz riscos à saúde e reforça a importância da informação correta para consumidores e empresas.

Em um cenário de ampla circulação de produtos e vendas online, o papel da vigilância sanitária se torna ainda mais estratégico.

A atuação da Anvisa segue orientada pela transparência, pelo diálogo com a sociedade e pelo uso de dados científicos.

Ao fortalecer o controle sanitário, a Agência contribui para escolhas mais seguras e para a construção de um ambiente de saúde pública mais protegido e confiável no Brasil.

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