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A Prefeitura de São Paulo segue com as obras de modernização do corredor de ônibus da Avenida Imirim, na Zona Norte da capital, no trecho entre a Avenida Deputado Emílio Carlos e a Alameda Afonso Schmidt.

A expectativa do poder público é beneficiar cerca de 112 mil pessoas por dia, com redução no tempo de deslocamento e melhoria nas condições de segurança e acessibilidade do transporte coletivo.

O projeto, anunciado como uma transformação relevante para a mobilidade urbana da região, já se estende por quase cinco anos e enfrenta novos atrasos.

Quanto custa a obra e por que o valor mais que dobrou

Inicialmente orçada em R$ 36,1 milhões, a intervenção acumulou aditivos contratuais e hoje soma R$ 102,6 milhões em investimentos. Um acréscimo de 43% no valor inicial.

As obras abrangem 4,6 quilômetros do eixo viário e incluem melhorias estruturais importantes. Com  o novo valor da obra, cada quilômetro custou em média, R$ 20 milhões de reais.

Avanços já realizados ao longo do eixo viário

Já foram executados serviços de drenagem superficial, implantação de guias e sarjetas, pavimentação com concreto de alta resistência nos cruzamentos e paradas de ônibus, além da requalificação de calçadas com rampas e piso tátil.

Também foram implantadas valas técnicas destinadas às redes de telecomunicações e à iluminação pública, etapa fundamental para a reorganização da infraestrutura urbana da via.

Outro eixo do projeto envolve a modernização do sistema de transporte, com adequações voltadas à acessibilidade e à eficiência operacional.

As paradas de ônibus estão sendo reformadas para receber pavimento rígido e totens com informações sobre as linhas, além de recursos de sinalização voltados a pessoas com deficiência auditiva e melhorias na sinalização viária.

O papel do enterramento da rede elétrica no atraso

Entre as frentes de maior impacto está o enterramento da rede elétrica, executado pela concessionária Enel, com investimento adicional de R$ 48 milhões.

A medida prevê a retirada dos fios aéreos, a remoção de postes e a implantação de infraestrutura subterrânea, o que contribui para reduzir riscos durante tempestades, aumentar a durabilidade das redes e reorganizar visualmente o espaço urbano.

Por que a entrega foi adiada para setembro 2026

De acordo com informações da Prefeitura ouvidas pelo jornal, o atraso no cronograma está diretamente relacionado ao não cumprimento dos prazos previstos para o aterramento da rede elétrica, por inércia da Enel.

A administração municipal afirma que a conclusão das demais etapas depende da finalização desse serviço. Com isso, a previsão inicial de entrega, que era fevereiro de 2026, foi revista internamente para o final de setembro do mesmo ano – conforme fontes ouvidas por este jornal, na condição de anonimato.

Corredor Ônibus Avenida Imirim
Reprodução: Tv Globo

Uma obra estratégica para a Zona Norte, ainda em espera

Apesar dos transtornos, a obra coloca a Avenida Imirim como a primeira via da Zona Norte a receber esse modelo de modernização com enterramento da rede elétrica, prática ainda pouco comum na capital paulista.

Atualmente, apenas cerca de 1% da rede elétrica de São Paulo está no subsolo, percentual inferior ao de outras capitais brasileiras.

O alto custo do processo, estimado em até oito vezes mais que a rede aérea, segue no centro do debate entre poder público e concessionária.

Além do investimento elevado, especialistas apontam que a manutenção do sistema subterrâneo exige mais tempo em caso de falhas, e os custos tendem a ser considerados em revisões tarifárias futuras.

Impactos para moradores, comerciantes e usuários do transporte

A Avenida Imirim é um dos principais eixos viários da Zona Norte e tem papel estratégico na ligação entre bairros e subprefeituras.

Criada oficialmente como avenida em 1964, a via atravessa um território que hoje se divide entre as subprefeituras de Santana Tucuruvi e Casa Verde Cachoeirinha.

O bairro do Imirim, que completa 183 anos em maio, acompanha com expectativa e desgaste o avanço das obras.

Moradores, comerciantes, motoristas e passageiros de ônibus relatam dificuldades no dia a dia, especialmente em trechos onde as intervenções permanecem inacabadas.

Pontos de ônibus improvisados, circulação comprometida e mudanças constantes no tráfego fazem parte da rotina de quem vive ou transita pela região.

Para quem vive a Avenida Imirim diariamente, resta aguardar o cumprimento do novo cronograma. A expectativa é que, ao final das obras, a via entregue os benefícios prometidos e marque uma transformação urbana aguardada há anos, encerrando um longo período de intervenções que impactaram a rotina da região.

Corredor Ônibus Avenida Imirim   Corredor Ônibus Avenida Imirim Corredor Ônibus Avenida Imirim Corredor Ônibus Avenida Imirim