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Conta de àgua mais cara: até 2050 Brasil pode viver racionamentos e escassez

água 2050 Brasil
Tempo de Leitura: 3 minutos

 

  • Estudo alerta para aumento da demanda e escassez hídrica agravada pelas mudanças climáticas

O Brasil corre o risco de viver períodos cada vez mais frequentes de falta d’água nas próximas décadas.

Segundo o estudo “Demanda Futura por Água em 2050: Desafios da Eficiência e das Mudanças Climáticas”, produzido pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a consultoria EX Ante, o país poderá enfrentar até 12 dias de racionamento de água por ano, em média, até 2050.

A situação será ainda mais crítica em regiões que já sofrem com pouca chuva, como o Nordeste e o Centro-Oeste, onde os períodos sem abastecimento podem ultrapassar 30 dias por ano.

O que o estudo revela

O levantamento mostra que, se nada for feito, a demanda por água potável no Brasil crescerá 59,3% até 2050 em relação à produção atual. O aumento é resultado da expansão demográfica, do crescimento econômico e do avanço esperado na universalização do saneamento básico.

Além disso, as mudanças climáticas devem intensificar o problema: até 2050, a temperatura máxima média no país deve subir 1°C, e a mínima, 0,47°C. Haverá menos dias de chuva, mas com precipitações mais fortes, o que significa mais calor, mais consumo e menor capacidade de reposição dos mananciais.

Esses fatores combinados trazem a urgência de adotarmos medidas imediatas e efetivas para reduzir as perdas no sistema de distribuição e planejar de forma sustentável o uso dos nossos recursos hídricos”, afirma Luana Pretto, presidente-executiva do Instituto Trata Brasil.

Como o clima e a economia influenciam

De acordo com o estudo, o consumo de água aumenta 24,9% a cada grau Celsius adicional de temperatura. E com o crescimento populacional e econômico, o país precisará produzir 10,6 bilhões de m³ de água a mais por ano para atender à demanda.

Hoje, o consumo médio no país é de 175 litros de água por pessoa por dia, incluindo perdas. Com o crescimento projetado e as altas temperaturas, esse volume deve subir para 205 litros diários até 2033.

Outro ponto de alerta é o desperdício. Em 2023, mais de 7 bilhões de m³ de água tratada se perderam em vazamentos ou usos irregulares. Se o índice de perdas, hoje em torno de 40%, fosse reduzido para 25%, seria possível suprir boa parte da demanda futura sem pressionar ainda mais os mananciais.

Mudanças climáticas e desigualdade regional

Na média nacional, as tendências climáticas indicam uma redução de 3,4% na oferta de água, o que equivale aos 12 dias de racionamento anuais estimados. Mas nas regiões semiáridas — como áreas do Cerrado e da Caatinga — a escassez tende a ser mais severa, ampliando o risco de desertificação e de problemas de saúde e saneamento.

O que dizem os especialistas

Para Luana Pretto, o cenário exige ação imediata: “Onde já enfrentamos escassez, como em partes do Nordeste e Centro-Oeste, a falta de água pode se prolongar por mais de 30 dias. É fundamental agir agora para promover eficiência e preparar o país para os desafios que as mudanças climáticas trarão nos próximos anos.

Gesner Oliveira, economista da EX Ante, destaca que “a universalização do saneamento básico é parte essencial da solução, mas ela precisa vir acompanhada de investimentos em eficiência, redução de perdas e gestão inteligente da água”.

Sobre o Instituto Trata Brasil

O Instituto Trata Brasil é uma organização da sociedade civil criada em 2007, dedicada a promover avanços no saneamento básico e proteger os recursos hídricos do país.

A entidade realiza estudos, campanhas e projetos sociais que ajudam a conscientizar a população e pressionar governos a agir de forma responsável na gestão da água.

Mais informações: www.tratabrasil.org.br

<com apoio de informações: Instituto Trata Brasil – Ivan Rocatelli>

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