Home Cotidiano Carros sinistrados vendidos a preço de mercado sem alerta colocam vidas em...

Carros sinistrados vendidos a preço de mercado sem alerta colocam vidas em risco

Carros sinistrados alerta vidas
Tempo de Leitura: 2 minutos

O Brasil convive com uma falha estrutural grave: quase 90% da frota de veículos sinistrados, que receberam indenização integral por colisão, circulam sem passar pela inspeção veicular obrigatória.

Esse processo técnico, previsto em lei, é realizado por empresas credenciadas e resulta no Certificado de Segurança Veicular (CSV). O objetivo é verificar se o automóvel pode voltar às ruas em condições seguras, garantindo proteção para motoristas, passageiros e pedestres.

Carros sinistrados alerta vidas
Daniel Bassoli, da FENIVE

O diretor executivo da Federação Nacional da Inspeção Veicular (FENIVE), Daniel Bassoli, afirma que a ausência de controle sobre veículos danificados é um risco recorrente no trânsito.

Ele explica que muitos carros comprometidos estruturalmente acabam voltando ao mercado sem qualquer registro formal de danos, enganando consumidores e aumentando a insegurança viária.

A fragilidade do sistema ocorre, sobretudo, em acidentes sem vítimas, que raramente geram boletins de ocorrência com fotos e descrições técnicas. Sem esse registro, os veículos não passam por classificação de danos nem entram nas estatísticas oficiais da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).

Como consequência, estados brasileiros com grandes frotas apresentam índices ínfimos de restrições administrativas. Em 2024, por exemplo, São Paulo registrou apenas 11.295 veículos com restrição, Minas Gerais 956, enquanto na Bahia foram 2 e no Rio de Janeiro nenhum.

Carros sinistrados alerta vidas

PRF em ação

Para enfrentar esse cenário, a Polícia Rodoviária Federal  (PRF) lançou em julho de 2025 o Comunicação de Sinistro de Trânsito (CST) , uma ferramenta digital que formaliza acidentes sem vítimas em rodovias federais. O sistema permite classificar os danos e amplia o controle sobre a frota.

Embora a iniciativa seja relevante, especialistas ressaltam que a eficácia depende da ampliação do modelo para estradas estaduais e vias urbanas, além da integração com Departamentos de Trânsito  (Detrans) e seguradoras.

Segundo Bassoli, ainda falta padronização e integração entre bancos de dados. A Resolução 810/2020 do Contran já prevê avaliação obrigatória para veículos acidentados, mas a norma esbarra na ausência de exigência de imagens nos boletins eletrônicos. “Sem foto, sem laudo, sem inspeção”, resume.

Enquanto a fiscalização não avança, milhares de veículos recuperados de colisões graves continuam circulando sem inspeção técnica. Alguns são revendidos a preço de mercado, sem qualquer menção ao sinistro. Para especialistas, o CST representa um passo inicial para reverter essa realidade, mas ainda distante da solução definitiva.

A expectativa é a de que o CST sirva como modelo de padronização, integrando bancos de dados dos Detrans, seguradoras e órgãos fiscalizadores. Com isso, será possível rastrear sinistros, exigir inspeção quando necessário e garantir que apenas veículos seguros voltem a circular. “O CST ajuda a proteger o consumidor e a preservar vidas, conclui.


<<Com apoio de informações/fonte:  Estilo Editorial Comunicação / Danielle Blaskievicz e Letícia Groh >>

Carros sinistrados alerta vidas Carros sinistrados alerta vidas Carros sinistrados alerta vidas Carros sinistrados alerta vidas