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Após investigação do MP-SP, Ultrafarma muda estratégia e leva operação para a Zona Norte

Ultrafarma Zona Norte
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  • Empresa confirma mudança de modelo após investigação e diz buscar mais eficiência e nova experiência de consumo

A rede de farmácias Ultrafarma está promovendo uma mudança estrutural em sua operação em São Paulo, com o fechamento de lojas na Zona Sul e a concentração das atividades físicas em uma megaloja na Zona Norte da capital.

O movimento ocorre após uma investigação deflagrada em 2025 e marca uma tentativa de reposicionamento da empresa no varejo farmacêutico.

Segundo apuração do jornal Valor Econômico, a Ultrafarma decidiu encerrar suas unidades próprias, todas localizadas na Avenida Jabaquara, onde a rede manteve operações por décadas.

Em nota a empresa afirma que a decisão faz parte de uma mudança estratégica de modelo de negócios, com foco em eficiência operacional, experiência do consumidor e integração com o comércio digital.

Mudança de Rota

A  reestruturação acontece após uma operação deflagrada  pelo  Ministério Público de São Paulo (MP-SP), por intermédio por intermédio do Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos (GEDEC), em agosto de 2025.

A Operação Ícaro, que investiga um suposto esquema de corrupção envolvendo o fundador da empresa, Sidney Oliveira, além de outros agentes e empresas ligadas à área fiscal do Estado.

Ainda segundo o Valor Econômico, a investigação teria impactado diretamente a operação da Ultrafarma, especialmente no acesso a crédito antecipado de ICMS, mecanismo utilizado por empresas do varejo para manter o fluxo de caixa.

Com a interrupção dessas condições, a rede passou a enfrentar restrições financeiras, o que levou à necessidade de reduzir custos e reorganizar a estrutura física.

O Valor também aponta dificuldades na reposição de mercadorias e negociações em curso com bancos e fornecedores, o que pressionou a liquidez da empresa.

O que diz a Ultrafarma sobre a mudança

Em informações divulgadas pela assessoria, a Ultrafarma afirma que a decisão de fechar as lojas da Avenida Jabaquara e concentrar a operação física em um único ponto representa uma “virada histórica” após 25 anos de atuação sob o mesmo formato.

A empresa confirma a criação de uma megaloja-conceito na Zona Norte de São Paulo – em local não divulgado, com cerca de 3 mil metros quadrados, reunindo em um único espaço a venda de medicamentos, serviços farmacêuticos, ótica e farmácia de manipulação. A mudança, segundo a companhia, deve ocorrer em curtíssimo prazo.

A estratégia prevê menos pontos físicos e maior concentração operacional, com apoio de tecnologia e uso de inteligência artificial para otimizar processos internos, reduzir custos e ampliar a competitividade de preços.

Logística, entregas e operação nacional

Apesar do fechamento das unidades físicas na Zona Sul, a Ultrafarma afirma que as entregas seguem normalmente.

A distribuição para todo o Brasil continua sendo realizada a partir do centro de distribuição em Santa Isabel (SP), com cerca de 15 mil metros quadrados.

Já a nova megaloja da Zona Norte deverá funcionar também como ponto estratégico para entrega expressa em diversas regiões da Grande São Paulo, segundo a empresa.

Inspiração no varejo e mudança de mentalidade

De acordo com a Ultrafarma, a concepção do novo modelo foi influenciada por experiências recentes no varejo nacional, especialmente pelo formato de megaloja adotado pelo Magazine Luiza.

A empresa afirma que a proposta não se limita a uma mudança de endereço, mas reflete uma mudança de mentalidade, com foco em experiência do consumidor e eficiência.

Em declaração divulgada pela assessoria, Sidney Oliveira afirma que o novo modelo busca oferecer mais clareza, praticidade e agilidade ao cliente, reunindo diferentes serviços em um único ambiente.

Zona Norte no centro da nova estratégia

Com a decisão, a Zona Norte de São Paulo passa a ocupar papel central na estratégia da Ultrafarma. A região, tradicionalmente associada à logística, transporte e grandes operações comerciais, torna-se o novo eixo físico da empresa na capital paulista.

O movimento também reforça a tendência de concentração de operações em grandes formatos, em um momento de transformação do varejo físico e digital no Brasil.