por Aguinaldo Gabarrão (*)

O diretor M. Night Shyamalan tinha uma trama intrincada na cabeça para resolver num único filme (Corpo Fechado – 2001), a história de suas personagens com poderes extraordinários.

Assim, quem pôde assistir também a sequência da história em Fragmentado (2017), crítica publicada no DiárioZonaNorte (reveja aqui), terá a oportunidade de ajuntar as peças deste quebra-cabeça e compreender a dimensão das vidas que se cruzam em Vidro – título que faz referência direta ao problema físico da personagem Elijah Price, cujos ossos são frágeis e facilmente quebradiços.

Neste filme que encerra a trilogia, David Dunn, Elijah Price e Kevin Crumb são capturados pela psiquiatra Ellie Staple (Sarah Paulson) e internados num hospital, onde permanecem contidos, cada um pelo elemento que pode controlá-los. Mas um deles tem um plano que pode colocá-los na rua e ameaçar perigosamente o mundo.

Relembrar é preciso ===  Se Vidro é coerente em relação aos filmes anteriores, não é menos verdade que cria um problema para o público que não teve oportunidade de assisti-los e, portanto, não tem referência da história de cada personagem e a coerência das atitudes tomadas por eles ao longo da trama atual.

Em “Corpo Fechado” David Dunn (Bruce Willis) é o único sobrevivente de um terrível acidente do qual escapa sem nenhum arranhão (seus ossos são inquebráveis). Isso desperta a atenção de Elijah Price (Samuel L. Jackson), um estranho e sombrio homem fanático por histórias em quadrinhos.

Já em “Fragmentado” temos a trama centrada em Kevin Crumb (James McAvoy), um homem atormentado por 23 personalidades diferentes, sendo uma delas, destruidora e conhecida como “a fera” e que será de crucial importância na resolução da história em Vidro.

O roteiro bem amarrado ===  O diretor Shyamalan, autor da trilogia, tem o talento de apresentar ao público um encadeamento na trama que sempre surpreende por suas reviravoltas, por vezes, difíceis de serem compreendidas na sua totalidade, mas indiscutivelmente, coerente e num suspense crescente.

A psiquiatra interpretada de maneira competente por Sarah Paulson, controlada e fria como um iceberg, com roupas em tons neutros, é um contraponto àquelas figuras incomuns. Sua função é, como representante da ciência, tentar recuperá-los de seus distúrbios psíquicos, trazendo-os para um patamar de normalidade.

Nessa relação da profissional com seus pacientes, Shyamalan provoca o público a pensar nos limites do que a ciência realmente consegue apreender nos domínios da mente humana e o quanto, o que se vende por normalidade não é, por vezes, apenas um padrão que se quer impor em detrimento das potências que trazemos dentro de nós.

 Assista ao trailer do filme: 

 

FICHA TÉCNICA

VIDRO (Título original: Glass) ==  Distribuição:  Disney / Buena Vista

Direção e Roteiro:  M. Night Shyamalan / Direção de Fotografia: Mike Gioulakis / Montagem: Luke Ciarrocchi, Renaldo Kell / Design de Produção: Chris Trujillo / Trilha Sonora: West Dylan Thordson / Produção: Ashwin Rajan, Jason Blum, John Rusk, M. Night Shyamalan, Marc Bienstock / Estúdio: Blinding Edge Pictures, Blumhouse Productions, Touchstone Pictures, Universal Pictures

Elenco: Bruce Willis, James McAvoy, Samuel L. Jackson, Adam David Thompson, Anya Taylor-Joy, Sarah Paulson, Spencer Treat Clark, Luke Kirby, Charlayne Woodard, Rob Yang, Jane Park Smith.

Gênero: Suspense / Duração: 2 horas e 10 minutos / Idioma: Inglês / Cor: colorido / Classificação indicativa: 16 anos / País: EUA / Ano de Produção: 2019


(*) Aguinaldo Gabarrão, ator. Trabalhou com diretores de diferentes estilos e gerações. Adora cinema. Atua também no segmento corporativo por meio de cursos, treinamentos e palestras com as técnicas do teatro.


Nota da Redação: As críticas publicadas neste espaço são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões nelas emitidas não exprimem, necessariamente, o ponto de vista do “DiárioZonaNorte e nem de sua direção.


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