por Alexandre Prates (*)

=== Quem me acompanha sabe que assim como o Tite eu sou um adepto ao foco no desempenho. Em diversas declarações, o técnico da seleção brasileira enfatizou a importância de analisar e atuar nas diversas variáveis que envolvem o jogo, afinal, o resultado é consequência. Eu concordo com isso. E o Tite, em seus inúmeros discursos mostrou estar no controle da situação.

Eu não duvido que as variáveis estivessem todas mapeadas, que as ações foram bem planejadas, mas uma coisa é fato: estratégia sem coragem para fazer o que precisa ser feito, não gera um pleno desempenho e resultados.

Um gestor precisa fazer a coisa certa na hora certa!

O Tite não conhecia o temperamento do Neymar? Será que essa não foi uma variável analisada? Foram três jogos de quedas, firulas, encenações e provocações com os adversários. Somente nos dois últimos jogos, o Neymar decidiu se portar como um profissional do seu porte. As firulas tinham que ser sanadas no primeiro intervalo. “Mas e se isso desmotivar o Neymar?”. Tire o Neymar. Um membro do time não pode – jamais – ser desculpa para a subserviência do gestor.

O Gabriel Jesus é um craque, isso é incontestável. Os analistas de futebol disseram que ele estava jogando bem, se apresentando, movimentando etc. Mas ele é um camisa 9, espera-se que faça gols. Roberto Firmino o substituiu no jogo contra a seleção do México e marcou um gol alguns minutos depois. Obviamente, está em uma melhor fase. Um gestor precisa saber avaliar isso e dar a oportunidade para quem está em uma melhor fase. Isso não quer dizer que descartarei um craque, mas é preciso saber a hora de utilizar as peças que possui. Foram quatro jogos sem gols, precisamos perder no quinto para perceber que faltou um goleador no time? “Mas ele é boa pessoa, não quero que sinta-se mal”. Pensar nas pessoas é digno, mas se isso prejudica a estratégia, você deixou de pensar em todas as outras que dependiam da sua decisão.

E outa coisa, que história é essa de um capitão por jogo? Como isso? Todo time precisa de um líder e no futebol, o capitão tem esse papel. Como podemos chegar em uma Copa do Mundo sem um líder forte, um capitão que o time ouça e respeite? Um time sem líder não tem referência e, quando a pressão se apresenta, alguém precisa chamar a responsabilidade, erguer o time, ser a voz que acalma e motiva.

Como um bom corinthiano, sou fã do Tite, mas é nítido que ele tinha a estratégia nas mãos, mas faltou ser um gestor, de fato. Decisões difíceis precisam ser tomadas sem postergação. Os problemas não se resolvem, você resolve os problemas.

E para finalizar, um ponto de atenção e aprendizado para todos nós: não se exponha mais do que o necessário. Isso traz uma pressão desnecessária para você e todo o time. Será que era a hora do Tite fazer tantas campanhas publicitárias? O Neymar realmente precisava daqueles diversos cortes de cabelo? As famílias dos jogadores realmente deveriam estar tão presentes com os atletas? Quando vivemos a pressão de um momento importante, cuidar do nosso foco é fundamental? Tudo o que não contribuí com o desempenho deve ser evitado.

Eu sinceramente espero que a CBF não afaste o Tite, pois o maior erro de todos é não aproveitar a curva de aprendizado que a derrota pode proporcionar.


(*) Alê Prates = é um educador executivo, master coach, formando pelo Behavioral Coaching Institute e Graduate School of Master Coaches. Após atuação como executivo em grandes empresas brasileiras, fundou em 2008 o Instituto de Coaching Aplicado, o ICA. Destacando-se em sua carteira de clientes personalidades como: Denilson, penta campeão e comentarista de futebol; Junior Cigano, campeão mundial do UFC, Muricy Ramalho, ex técnico consagrado de futebol, Bruno Soares, um dos melhores tenistas de duplas do mundo, além de mais de 1400 líderes formados em todo o País. Autor do livro “A Reinvenção do Profissional – Tendências Comportamentais do Profissional do Futuro” (Editora Novo Século) e Resultado – A liderança além dos números (Editora Integrare).  Em 2018,  Alê Prates completou dez anos de atuação no mercado de educação executiva, somando mais de 600 apresentações em todo o território nacional, impactando mais de 1 milhão de pessoas. ==== E-mail: alexandre@alexandreprates.com.br . << Com apoio de informações/fonte: Pipah Comunicação >>

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