As férias escolares estão chegando e com elas a preocupação da brincadeira com pipas. Crianças, jovens e até adultos se envolvem na diversão, porém muitos deixam os cuidados de lado na hora de empinar ou correr atrás da pipa, o que aumenta o risco de acidente.

Uso de cerol é proibido por lei e pode causar sérias consequências para motoristas, motociclistas, ciclistas e até para quem solta pipa.

Acidentes envolvendo a rede elétrica, por exemplo, são comuns nessa época do ano e, por isso, o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP), a Eletropaulo e a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) de Campinas alertam quanto aos cuidados que devem ser tomados para que a brincadeira não se transforme em tragédia. Segundo o Corpo de Bombeiros, para evitar acidentes, o correto é empinar pipas em locais abertos, longe do trânsito e da rede elétrica. “O uso do cerol é proibido, pois coloca em risco pedestres, motociclistas e motoristas, além do próprio brincante. A venda de linha com cerol é proibida por legislação específica. “São Paulo já tem a Lei estadual nº 12192/2006 que impede a produção e a comercialização do produto”, informa o capitão PM Marcos Palumbo, porta-voz do Corpo de Bombeiros da PMESP.

 De acordo com a legislação, o não cumprimento da lei acarreta multa no valor de cinco Ufesp’s, sem prejuízo da responsabilidade penal. Quando o infrator for menor de idade, os pais serão, para todos os efeitos, os responsáveis.

O uso do cerol tem sido constatado com frequência nos últimos anos, apesar dos perigos que representa. O pesquisador Hamilton Lelis Ito, do Laboratório de Corrosão e Proteção do IPT, explica que “a técnica consiste em envolver a linha da pipa em cola e, posteriormente, vidro moído”. A intenção é cortar a linha de jogadores próximos, mas os danos causados pela prática vão de prejuízos à rede elétrica até morte de transeuntes, conforme vários casos constatados. Se para quem empina a pipa o único perigo que o cerol apresenta é o de pequenos ferimentos, para quem passa pelas ruas e principalmente para os motociclistas o risco é muito maior, muitas vezes ocasionando até morte.

Linha chilena – Palumbo explica que apesar da proibição, muitos comerciantes vendem também a linha chilena. “Com poder de corte quatro vezes maior do que o cerol, a linha chilena transforma a brincadeira em uma atividade criminosa. É proibido fazer a linha e vender no mercado. Além disso, a linha chilena é condutora de energia (pois em sua formulação usa-se a limalha de ferro), o que amplia mais ainda os riscos”, afirma.

Usar a linha chilena é considerado crime penal capitulado nos artigos 129, 132 e 278 do Código Penal Brasileiro, além do artigo 37 da Lei das Contravenções Penais. Palumbo salienta que ciclistas e motociclistas são as principais vítimas desses materiais: “Os motociclistas, principalmente, são orientados a utilizar a antena corta linha de pipa. As motocicletas do Corpo de Bombeiros têm esse acessório para evitar acidentes. Houve um caso em que um dos nossos profissionais só não se acidentou com gravidade porque estava utilizando esse acessório na moto, além de um macacão especial”, afirma o porta-voz.

Pipas na rede elétrica – A brincadeira com pipas também tem ocasionado problemas no fornecimento de energia elétrica. Levantamento das ocorrências, de 2017, revela que somente em janeiro daquele ano a distribuidora de energia, que atende 234 cidades no interior do Estado de São Paulo, registrou 740 desligamentos por ocorrências com pipas nas proximidades da rede elétrica. Além dos acidentes, a pipa pode provocar falta de energia elétrica. Muitas ficam enroscadas nos fios, causam interrupções até mesmo nos meses seguintes porque a linha, enrolada nos cabos elétricos, torna-se condutora de energia e provoca curtos-circuitos quando chove. Nos anos anteriores, a quantidade de acidentes também foi grande: em 2015, ocorreram 896 desligamentos em janeiro e 1,7 mil em julho. Em 2016, foram 742 desligamentos em janeiro e 1,7 mil em julho.<< Com apoio de informações/fonte: Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial/Reportagem: Maria Lúcia Zanelli >>

                         Dicas para evitar acidentes com pipas

  • Só empine pipas longe de rede elétrica, em locais livres, onde não exista nenhum tipo de cabo de energia, de serviço telefônico ou antenas de celular. Isso evita interferências na qualidade desses serviços e acidentes.
  • Dê preferência a espaços abertos como praças, parques e campos de futebol. Evite também soltar pipas em canteiros centrais de ruas, avenidas ou rodovias, ou locais com fluxo de veículos.
  • Evite a utilização de rabiolas, pois elas enroscam nos fios elétricos, desligam o sistema e provocam choques, muitas vezes fatais.
  • Linhas metálicas não devem ser usadas no lugar da linha comum. Lembre-se: cerol ou linha chilena são proibidas por lei.
  • Utilizar papel alumínio na confecção da pipa é perigoso, pois o material, em contato com os fios, provoca curtos-circuitos.
  • Caso a pipa enrosque nos fios, é melhor abandonar o brinquedo. Tentar recuperá-lo, enroscado em um cabo ou em postes, representa sério risco, assim como tentar remover a pipa com canos ou bambus.
  • Não solte pipas nos dias de chuva. Elas funcionam como para-raios, conduzindo energia.
  • Não é indicado subir nas lajes das casas para empinar pipa, qualquer distração pode causar uma queda.
  • Tenha cuidado com ciclistas e motociclistas, pois as linhas não podem ser vistas; em geral, os acidentes com essas pessoas são graves.
  • Procure ter sempre um adulto responsável acompanhando as crianças, quando estiverem utilizando o brinquedo.
  • Em caso de falta de energia, rompimento de cabos por linhas de cerol ou curto-circuito causados por esse brinquedo, a população deve acionar imediatamente a distribuidora, por meio dos canais de atendimento. < Fonte: CPFL >
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