237 anos é a comemoração de aniversário do bairro Santana, na Zona Norte, nesta 6ª feira (26/07/2019). São mais de dois séculos na história de São Paulo e nos destinos do Brasil. Sem ser lembrado pelas autoridades e Subprefeitura Santana/Tucuruvi/Mandaqui e da Prefeitura de São Paulo — que também não lembraram recentemente dos aniversários de dois outros bairros da Zona Norte: Jardim São Paulo e Parada Inglesa —    apesar de ser um dos primeiros bairros a ter um dia oficial (Lei 11.169, de 30 de março de 1992, sancionada pela prefeitura Luiza Erundina), comemora-se o aniversário em profundo e desagradável silêncio. Sem festas, sem rojões, sem nada, junto à população.

Onde começou === O bairro foi originado da Fazenta de Sant´Ana, e no Imperío começou a surgir na Rua Alfredo Pujol, onde ficava a sede da fazenda da familia dos Andradas. Naquele lugar, José Bonifácio de Andrade e Silva redigiu o manifesto paulsita que ajudou na Declaração do Dia do Fico, em ato de D.Pedro I. Na sequência, veio a Independência do país, em 1822.  No entorno da mesma fazenda teve início um povoado. Na planta de 1897 já se podia notar um traçado de ruas.

O Século XX  marcou a integração de Santana à metrópole, dos bondes puxados a burros do século XIX à inauguração da primeira estação do metrô na década de 1970.  Com esse processo de desenvolvimento e avanços em sua infraestrutura, o bairro transformou-se em um dos principais polos comerciais da Zona Norte e da cidade. Atualmente, o bairro apresenta considerável adensamento populacional e o fenômeno da verticalização em virtude da valorização dos terrenos destinados às classes média, média alta e alta.

Surge o “trenzinho” === Dificuldades de acesso a Santana eram históricas e retardaram o desenvolvimento até meados do século XIX.  Até então, a região produzia uvas e vinhos. Quando a Companhia Cantareira e Esgotos resolveu captar água na Serra da Cantareira para abastecer o reservatório da Consolação foi necessária a criação de um meio de transporte para locomoção de trabalhadores e materiais de construção. Por isso, o Governo do Estado resolveu construir a pequena linha férrea provisória do Tramway Cantareira.

Ao final do ano de 1893, o trem já estava em operação. Passava por Santana na atual Av. Cruzeiro do Sul transportando passageiros e cargas. Houve uma ampliação do sistema por meio de um ramal até  Guarulhos.  Este ramal começava na Estação Areal (próximo ao atual Parque da Juventude) e seguia pela Avenida General Ataliba Leonel.

A Estação Santana ficava na Rua Alfredo Pujol, entre a Rua Voluntários da Pátria e a Av. Cruzeiro do Sul, não muito distante de onde, mais tarde, foi construída a Estação Santana do Metrô. Além de garantir o acesso, a ferrovia ajudou a desenvolver o bairro rapidamente. Mas, em 31 de março de 1965, após 72 anos de uso, o trem foi desativado, pois frequentemente ocorriam acidentes nas ruas de Santana, oferecendo um risco à segurança dos moradores e também para liberar caminho para o metrô.

Chegada do metrô === A energia elétrica permitiu que os trólebus  reforçassem o transporte até a chegada da Lina 1-Azul do Metrô,  em 1975, quando foram inauguradas as estações  Santana, Carandiru e Tietê, além do Terminal Santana.  Por esses avanços houve um “boom” imobiliário na década levando o bairro a ser um dos principais polos comerciais da cidade.

O Carandiru ===  A Casa de Detenção de São Paulo, popularmente conhecida como Carandiru” por ter sido construída sobre o córrego de mesmo nome,  estava aberta à visitação pública após sua inauguração e chegou a ser considerada como um dos cartões-postais da cidade. Entretanto, após a  década de 1940  quando atingiu sua lotação máxima entrou em decadência. Novos pavilhões eram construídos, mas ainda assim aumentava a superlotação. Pelo descaso do governo, no ano de 1992 houve uma intensa rebelião que terminou com 111 presidiários mortos. Esta rebelião é conhecida como o  Massacre do Carandiru, foi considerado um dos episódios mais sangrentos da história penitenciária mundial. Somente no ano de  2002,  a casa foi desativada e parcialmente demolida transformando-se no que é hoje o  Parque da Juventude.

Primeira transmissão de rádio ===  No dia 3 de junho de 1900, o padre  Landell de Moura, considerado “pai brasileiro do rádio”, realizou a primeira transmissão da voz  humana por rádio, com registro da imprensa, da Av. Paulista, provavelmente de onde hoje está situado o Museu de Arte de São Paulo – MASP até o bairro de Santana, no Colégio Irmãs de São José (atual Colégio Santana — agora junto à Universidade São Judas Tadeu). Atrás do Colégio está situado o Mirante de Santana/Jardim São Paulo, o ponto mais alto da região, que foi usado na transmissão.  Na época, o padre era o pároco da Capela de Santa Cruz,  na Rua Voluntários da Pátria, ao lado do colégio. Leia a reportagem do DiárioZonaNorte: clique aqui.

<< Com apoio de informações/fonte: Wikipédia – leia mais aqui >> 

SPTuris criou página no resgate da memória da cidade

Uma das idéias do site “São Paulo Minha Cidade” é que moradores relatem suas histórias e dividam suas experiências com outros internautas. Em 2005, com o objetivo de resgatar a história da cidade, a São Paulo Turismo – SPTuris, órgão oficial da Prefeitura,  deu inicio  em parceria com a Secretaria Municipal da Cultura com o projeto “São Paulo tem Histórias” e lançou o  o site.

A ideia é ouvir os moradores da cidade para, além de resgatar a memória, aumentar a auto-estima do paulistano, humanizando mais a nossa São Paulo através de suas histórias cotidianas, cheiros, sons e romances.

E deste site (veja mais- clique aqui) selecionamos e reproduzimos duas interessantes “estórias” que mostram o amor e carinho que o moradores demonstram em seus relatos pelo bairro de Santana. Os 237 anos de Santana representam muitas outras “estórias” dentro de sua história no progresso da cidade. Parabéns, Santana!

             Santana: meu bairro, minha casa

                               de autoria:  Isabel Maria Alves Mezzalira

Nasci em Santana, na antiga maternidade, em 1954. Lembro bem do Areal do trenzinho porque eu morava no apartamento nº 3 da Avenida Cruzeiro do Sul, 2653. Meus pais, que se conheceram no Rio de Janeiro, eram do Espírito Santo (mãe) e de Campinas (pai). Minha avó, mãe de meu pai, vinha de “Litorina” (trem) da cidade de Campinas para São Paulo fazer compras na Rua Oriente. Ela fazia deliciosos croquetes e bolos sensacionais. Tenho fotos dela como babá, minha e de meu irmão mais próximo, com roupinhas de época, brincando no areal. Bons tempos!

Meus primos, por parte de mãe, também moravam no edifício, mas em outra parte. Existia o Edifício Peres e o Pousada. Nós morávamos no Pousada. Lembro-me dos vizinhos e das crianças que moravam no apartamento 5.

Estudei no Externato Popular São Vicente de Paulo e tenho fotos de quando o prédio ainda era original. Depois, passou a ser “Colégio Marillac” e, hoje em dia, é parte da Cúria Metropolitana.

Lembro-me das irmãs Ines, Cecília; da minha primeira professora do primário – Dona Lídia – e lembro, também, que estudei com um dos filhos do Moacyr Franco, acho que com o Guto… Não tenho certeza porque faz muito tempo. Completei o primário lá e fiz Admissão, um exame para acessar as escolas públicas da época, e fui estudar no Ginásio da Avenida Cruzeiro do Sul, pertinho da Igreja Matriz. Hoje, se chama Escola Estadual Padre Antonio Vieira. Lá, eu fiz o ginásio e o colégio, saindo em 1972 para cursar a Universidade de São Paulo. Naquela época, o vestibular não era unificado e eu prestei pelo CESCEA, os outros eram CESCEM e MAPOFEI.

Estudei piano no Conservatório Musical de Santana com o professor Ormando Collacioppo. O Conservatório ficava na Rua Voluntários da Pátria, próximo à Igreja Matriz. Hoje, não existe mais. Ainda moro em Santana, na Rua Dr. Cesar e gostaria muito de encontrar os colegas do primário: Roberto, Humberto e tantos outros. As lembranças são muitas, principalmente das festas que reuniam primos e primas do Rio de Janeiro e de Campinas. Nossa família era muito grande. << História publicada em 10/09/2013

                  Ver Santana e depois morrer

de autoria: Airton Irineu dos Santos

Ligo o meu som e uma música me chama a atenção. De volta ao passado. Então ela na penumbra do meu apartamento aqui em Joinville – SC, e como por encanto me faz lembrar num piscar de olhos os momentos de minha existência no querido bairro de Santana, em São Paulo: a minha infância, a juventude, a maturidade é resgatada. É o túnel do tempo…

Sou jovem, estamos no ano de 1965, a minha Santana continua linda, a Voluntários, o Texas com suas lojas oferecem uma magia toda especial; parece que o Bazar Santana fechara as portas, pois anos atrás eu compraria lá o meu material escolar exigido pela professora Nadir do Grupo Escolar Buenos Aires, onde conclui como primeiro aluno para minha surpresa o curso primário.

Epa, como está excelente a programação dos Cines Hollywood e Vogue, sendo que neste está passando um filme do Elvis. Billy sabe da última, até diria ao Cesar, uns dos meus sinceros colegas, que provavelmente construirão um metrô com início atrás da Igreja. Pensei então com meus botões: acabará o sossego, o bonde está fadado a ser extinto. Ainda bem que tem o elétrico que me leva diariamente ao trabalho lá na Cássio Muniz. Sou um feliz funcionário, comecei como office-boy nesta loja localizada junto aos encantos da Praça da República.

Para o Carlos, então, eu diria, ele que era companheiro de serviço: “Está passando um filme fantástico no Metro, ‘Sete noivas para sete irmãos’ e outro muito romântico ‘Férias de amor’ no Ipiranga, que tal? Vai assistir?”. Meu colega não podia, pois tinha que estudar o curso de Madureza; então ia para a casa do Cesar, lá no alto de Santana, que está programando um baile familiar na casa da Marli, uma das mais lindas garotas do bairro. Pudera ela estuda no Colégio Santana, local das mais belas estudantes. A noite reservaria emoções ao dançar de rosto colado com aquela garota desejada ante o olhar severo das tias solteironas. Cesar sabe da última, diria depois ao amigo.

Formei-me contador no Colégio Vitor Viana, foi com sacrifício, pois não podia pagar as mensalidades do Colégio Santana que eram mais caras.

Alguém em sã consciência estranharia o titulo dessa história, lembraria a frase italiana sobre Nápoles… É que Santana marcou muito em etapas a minha trajetória de vida: o local dos bancos escolares, da poesia dos flertes, dos amores platônicos, dos bailinhos quando o romantismo do rosto colado nos levaria as nuvens, das missas na Matriz onde a gente procurava o apoio espiritual, do contato dos pais que nos guiaram para seguir através dos tempos o caminho certo…

Santana era mágica onde se solidificavam as amizades sinceras. Acordei, tudo mudou… O inevitável progresso veio praticamente tudo modificar, porém num momento essa magia santanense veio no meu pensamento como lenitivo. Meu sonho,meu passado. Ver Santana e depois morrer… << História publicada em 29/02/2012>>


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