por Aguinaldo Gabarrão (*) ===

Há uma frase que diz “… se eu pudesse voltar atrás…” e, não raro, o sentimento que está nas entrelinhas é de arrependimento pelo que se fez ou o desencanto pela atitude que não foi tomada.

Mas se houvesse a possibilidade real de mudar esse passado ou construir um novo futuro? Pelo menos no filme “Quando Margot Encontra Margot”, a diretora e roteirista Sophie Fillières brinca com essas possibilidades.

Cara ou coroa? ===  Margot (Agathe Bonitzer), 25 anos, encontra numa festa em Paris outra Margot (Sandrine Kimberlain), 20 anos mais velha. Situações e semelhanças fazem com que ambas percebam ser a mesma pessoa em épocas diferentes. A partir daí, elas unem a experiência e jovialidade de cada uma para dar outro sentido às suas vidas, mas quando Marc (Melvil Poupaud), uma antiga paixão ressurge, tudo se complica.

A diretora Sophie Fillières está absolutamente confortável nesta sua nova empreitada. Dedicada ao cinema francês desde 1991, com 15 produções no currículo, ela cria uma história onde a casualidade do encontro entre duas mulheres de mesmo nome e aparências semelhantes, provoca questionamentos e mudanças na vida de ambas.

Tudo estava escrito? ===  O tom leve de comédia não disfarça a gravidade da questão: a mulher de meia idade que mergulha dentro de si mesma para tentar mudar sua vida a partir da jovem Margot. Porém, aceitar ou não os aconselhamentos, pode resultar em escolhas equivocadas da jovem, como aquelas que levaram a Margot de 45 anos a uma vida um tanto quanto morna no presente.

Mas o que pode parecer um determinismo – algo predeterminado – portanto, sem chances de mudança, encontra no roteiro e direção de Fillières a ideia de que é possível refazer a própria história, mudar essa linha aparentemente determinada pela natureza.

O amor em dois tempos === As surpresas do roteiro ainda reservam numa viagem de trem o encontro de Margot com Marc, sua antiga paixão da juventude e, por um capricho da natureza, a jovem Margot, no mesmo lugar, conhece Marc. A partir daí um curioso triângulo amoroso é formado de relações do presente e passado.

Mais uma vez o determinismo bate à porta ou, de certa forma, a casualidade ali se faz presente, pregando uma peça nas três personagens? Se a resposta não é a mais fácil para essa questão, é possível afirmar que diante da possibilidade de reascender o amor, a Margot jovem e a Margot de meia idade farão suas escolhas, uma de olho na outra.

E, ao final da história, o que menos interessa é saber se a Margot adulta encontrou literalmente com a jovem Margot do passado, porque essa resposta a diretora sabiamente deixou para quem estiver sentado na poltrona, no escuro da sala de cinema.

Assista ao trailer do filme: 

FICHA TÉCNICA

QUANDO MARGOT ENCONTRA MARGOT (Título original: La Belle et la Belle) 
Distribuição: Pandora Filmes

Direção e Roteiro: Sophie Fillières / Elenco: Sandrine Kiberlain, Agathe Bonitzer, Melvil Poupaud, Lucie Desclozeaux, Laurent Bateau e Théo Cholbi.

Gênero: Comédia e Romance / Duração: 1 hora e 35 minutos / Idioma: Francês / Cor: colorido / Classificação indicativa: 14 anos / País: França / Ano de Produção: 2018

Lançamento: (previsão) 4 de abril de 2019


(*) Aguinaldo Gabarrão, ator. Trabalhou com diretores de diferentes estilos e gerações. Adora cinema. Atua também no segmento corporativo por meio de cursos, treinamentos e palestras com as técnicas do teatro.


Nota da Redação: As críticas publicadas neste espaço são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões nelas emitidas não exprimem, necessariamente, o ponto de vista do “DiárioZonaNorte” e nem de sua direção.


 

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