da Redação DiárioZonaNorte  ===

Nosso  sistema de abastecimento depende de chuva e não  chove em São Paulo há 90 dias.  Do dia 1 de maio até o momento, dia 24 de julho,  o único registro  de alguma chuva na estação meteorológica do Mirante de Santana foi no dia 14 de junho, mas apenas 0,2 mm, que correspondem tecnicamente a chuviscos.  Para o Sistema Cantareira ficar em um patamar razoável, seria necessário  chover cerca de 3.800mm.

O Sistema Cantareira abastece cerca de sete milhões de pessoas e seu volume diminui a cada dia…   Hoje, opera com apenas 41,5% de sua capacidade de armazenamento – sem considerar a chamada “reserva do volume  morto”.  Nível menor que a pré-crise hídrica em 2013, quando o Sistema operava com 65%.  Para a  Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) a  situação está sob controle.   O fato é que, não estamos conseguindo captar água e a população não pratica consumo consciente.

Um dos fatores que  complicam  o aumento do nível do Sistema Cantareira é a sua extensão: exatos 2.279,5 km²,  contra 919 km² do Alto Tietê, que é o segundo maior sistema do estado de São Paulo.    Para  o  nível do Cantareira subir, é preciso chover por vários dias e com intensidade  nos municípios que abastecem todos  os reservatórios do Sistema, localizados no  sul de Minas Gerais  – (Extrema, Itapeva e Camanducaia) e  no norte de São Paulo (Joanópolis).

E por que somos dependentes da chuva? Por vários fatores, que dificilmente serão revertidos à médio prazo.  Nossos mananciais não são protegidos, não existe um programa consistente de recuperação de rios da região metropolitana – não há tratamento nos canais hídricos  do Tietê,  Pinheiros,   Aricanduva,  Tamanduateí …

A cidade de São Paulo tem mais de 200 rios, muitos soterrados e misturados ao esgoto.   Apenas uma parcela da população utiliza água de reuso;   cerca de  25% da água se perda no caminho entre a distribuidora e as torneiras das casas  com vazamentos;    educação ambiental não é parte do curriculum  das escolas.

De acordo com a Sabesp, desde 2014 já foram investidos cerca de  R$ 7 bilhões, distribuídos entre quase 1.000 obras de melhoria do abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, que inclui o Sistema Cantareira, entre elas a interligação Jaguari-Atibainha  (com capacidade de enviar até 162 bilhões de litros de água por ano no sentido do Cantareira)  e a implantação do novo Sistema São Lourenço (que abastece a Grande São Paulo, ofertando 6,4 mil litros por segundo de água tratada e cobrindo até 10% do consumo).

Leitores do DiárioZonaNorte,  moradores dos bairros de Jaçanã,  Vila Constança, Parque VitóriaParque Edu Chaves,  Vila GustavoVila Guilherme,  Vila Medeiros, Jardim São Paulo,  Mandaqui, Jardim Paulistano,  Cachoeirinha, Vila PenteadoMorro Grande, Jardim Santa Cruz,  Jardim Guarani, Vila Brasilândia, Jardim Sidiney, Pirituba,  Jaraguá e Perus  encaminharam para nossa redação, reclamações sobre a  suspensão  sistemática do abastecimento de água durante a  noite .   De acordo com a Sabesp, trata-se da diminuição da pressão, como parte do programa de redução de perdas.    Ver matéria publicada pelo DiárioZonaNorte aqui.

No Jardim São João,  Recanto Verde, Corisco, Fontalis a suspensão do  abastecimento é sistemática, desde a crise de 2014, não tem água entre às 19h e 05h.   Na Parada Inglesa, o abastecimento foi cortado entre 09h e 15h, entre os dias 16 e 19 de julho, passando depois desta data  a ser interrompido no período da noite entre 22h e 05h.

A situação tende a piorar, já que  dados do  Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Cptec/Inpe),  apontam que  a situação de seca deverá se manter de julho a setembro na região Sudeste, com possibilidades de chuvas esporádicas.

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