por Aguinaldo Gabarrão (*)

A Cia Lúdicos de Teatro Popular estreou recentemente o espetáculo Piolin, inspirado livremente na vida do artista circense Abelardo Pinto (1897 – 1973), um dos grandes palhaços brasileiros.

O coletivo de teatro em sua pesquisa tem se especializado em trazer para o público infanto-juvenil a história de personalidades de destaque do mundo artístico brasileiro: o compositor e maestro Villa Lobos e o escritor, ensaísta e poeta Mário de Andrade já foram objeto de dois belos espetáculos.

E Piolin conta alguns fatos da vida do artista: o palhaço que nasceu num picadeiro, no auge de sua carreira foi reconhecido pelos modernistas de 22, e morreu engasgado com uma bala; estas e outras histórias redesenhadas com poesia, músicas, números circenses e, claro, humor.

Resgate da memória cultural ===  Falar de Piolin é também resgatar parte importante da história do circo, em que outras personalidades de relevo se destacaram no universo circense: Chicharrão (1889 – 1982), pai de outro palhaço conhecido, Torresmo (1918 – 1996) e, ainda, Arrelia (1905 – 2005) e Carequinha (1915 – 2006).

Todos esses artistas, de certa forma, estão ali, sintetizados na figura de Abelardo Pinto, escolhido pela Cia Lúdicos que completa sua trilogia para o Projeto “Esse homem é brasileiro que nem eu…”, título inspirado no último verso do poema “Descobrimento” de Mário de Andrade.

A pesquisa do grupo reflete sua preocupação em trazer para o enredo dos seus espetáculos, artistas identificados verdadeiramente com a cultura nacional e sua pluralidade.

Reescrever a história ===  A escrita cênica se fixa em momentos marcantes da vida do artista e, acertadamente, não se preocupa com a cronologia linear. Cenas são recontadas e fundem-se com os aspectos lúdicos e circenses, sem uma divisão racional.

Assim, cria-se um ambiente mágico, onde é possível contar as agruras pessoais do artista, sem esbarrar na pieguice ou na tristeza. É uma vida na corda bamba, contada para o público prazerosamente fruir da história.

O circo na leitura teatral === O diretor Gira de Oliveira organiza matematicamente os diversos elementos do espetáculo e estabelece um fluxo ágil para o encadeamento das situações. Por sua vez, em determinadas cenas de transição, a partitura corporal dos atores assume aspecto de gesto cotidiano, não relacional com o estado cênico (presença do ator), o que interfere na dinâmica do espetáculo.

Sua encenação mantém-se coerente com outras produções do coletivo: poética construída a partir da escrita coletiva do texto; utilização de músicas populares; o jogo de revezamento de papéis entre os atores e o uso de elementos simples e imagéticos.

Reunidas essas características, Oliveira leva sua trupe de bons atores e técnicos para os espaços não convencionais dos teatros. A praça ganha ares de picadeiro, o guarda-chuva cênico que parece flutuar, torna-se a lona do circo que se conecta com o infinito e nos convida a sonhar, brincar e, quem sabe, encontrar lá nos escaninhos do firmamento, o sorriso maroto do palhaço.

Assista ao vídeo-chamada do espetáculo:

FICHA TÉCNICA

Texto e Músicas: Cia Lúdicos de Teatro Popular / Direção: Gira de Oliveira – Elenco:  Cristiane Guerreiro, Gizele Panza, John Halles e Nayara Martins –  Cenários, Adereços e Figurinos: Paolo Suhadolnik / Preparação Circense: Osvaldo Hortêncio / Direção musical: Alexandre Guilherme / Produção: Gira de Oliveira / Fotografias: Manu Costa

SERVIÇO

PIOLIN

Parque Buenos Aires:  Avenida Angélica, s/n – Higienópolis, São Paulo

Dias: 06 e 13 de maio (domingo) – 15h00

Praça Floriano Peixoto (por meio do SESC Santo Amaro): 

Dia: 23 de maio (quarta-feira) – 14h00

SESC Araraquara:  Dia: 03 de junho (domingo) – 11h00


(*) Aguinaldo Gabarrão, ator. Trabalhou com diretores de diferentes estilos e gerações. Adora cinema. Atua também no segmento corporativo por meio de cursos, treinamentos e palestras com as técnicas do teatro.


Nota da Redação: As críticas publicadas neste espaço são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões nelas emitidas não exprimem, necessariamente, o ponto de vista do “DiárioZonaNorte” e nem de sua direção.


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