por Redação DiárioZonaNorte

O inesperado aconteceu. Foi uma agitada reunião no Conselho Comunitário de Segurança-CONSEG de Vila Guilherme/Jardim São Paulo, na 4ª feira (18/07/2018). Quebrou toda a sequência de praxe, apesar de ser uma das mais participativas. Sob a presidência do advogado Dr. José Maria Rocha Filho, realizada em uma das salas do Colégio Amorim-Santa Teresa, na Vila Guilherme, os ânimos estavam exaltados e fizeram o ambiente tumultuado, com referências aos procedimentos na Prefeitura Regional de Vila Maria/Vila Guilherme/Vila Medeiros.

Fora isto, o que mais foi lembrado recaiu sobre a questão dos descartes de lixo em locais impróprios na região.  No caso de segurança, houve uma denúncia do surgimento de milícias na região contra bolivianos. E, no paradoxo, não muito distante desta reunião, acontecia simultaneamente no auditório da Prefeitura Regional uma audiência pública para discutir o Orçamento Municipal para 2019 e os recursos que poderão vir à Vila Maria/Vila Guilherme/Vila Medeiros – veja a matéria produzida pelo DiárioZonaNorte aqui

As autoridades === Na mesa, a Soldado Maria Amália Kobayashi ( Relações Públicas ) e o 1º Tenente Fernandes,representando o Comandante  James Carlos, da 3ª Companhia do 9º Batalhão da Policia Militar; Inspetor César, da Guarda Civil Metropolitana (GCM); Carlos Alberto Farias, da Prefeitura Regional V.Maria / V.Guilherme/ V.Medeiros; Iara Campanelli e o Chefe de Gabinete Miguel Del Busso, da Prefeitura Regional Santana/Tucuruvi/Mandaqui; Vagner Mariano, da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET); Dr. Négis Aguilar da Silva, da Ordem dos Advogados do Brasil-Sub-Seção Santana/SP; e Penha Moreira, do Conselho Tutelar da Vila Maria/Vila Guilherme/Vila Medeiros. E foi notada as ausências dos representantes da Sabesp e da Ilume.  Não houve também o comparecimento do representante do Delegado Titular do 9º Distrito Policial, Dr. Edilzo Correia Lima, já que a Secretaria de Segurança Pública está efetuando remanejamento de pessoal nos cargos. Na mesinha ao lado, a Dalva da Rocha assessorou o presidente do CONSEG, anotando o tempo todo o que podia para transformar-se posteriormente na ata da reunião – que não é lida,  divulgada e nem é do conhecimento das autoridades e da plateia.

Vereadora presente, a surpresa! === Como de praxe, houve as apresentações das autoridades da mesa, que não demonstraram nenhuma demanda resolvida ou em aberto, nem mesmo fizeram um balanço de cada setor. Nada a declarar. Foi quando entrou ao recinto a vereadora Adriana Ramalho (PSDB), que foi convidada por uma moradora. A mesa já composta com todos os lugares ocupados, o jeito foi improvisar na correria uma cadeira para que a vereadora ficasse ao lado dos convidados, no palco.

E foi dada a palavra à vereadora, que fez os agradecimentos e apresentação de seu mandato buscando maior proximidade com os moradores e seus problemas na região. “Meu gabinete está à disposição. Vou tentar fazer o que for possível; o que não for, eu falo. Vou tentar unir forças”, concluiu.

A partir daí, a sequência da reunião foi quebrada e nem mesmo houve a apresentação do representante da Prefeitura Regional Vila Maria/Vila Guilherme/Vila Medeiros, que sempre é o lado mais polêmico em cima das demandas de ações de zeladoria. As 43 pessoas presentes na plateia passaram a conviver com o único assunto, deixando de lado até os mais recorrentes há meses: Caso Itapemirim e a Vizinhança Solidária.

Na mesa, os  sete convidados se transformaram em espectadores,  quase nada falaram ou opinaram. A vereadora foi questionada pela moradora Dulcilene Ferreira, de forma direta:  “A Senhora trouxe cópias das demandas que foram entregues ao Sr. Samuel? (referindo ao Chefe de Gabinete da Prefeitura Regional, Samuel Renato Machado), ao receber a negativa de Adriana Ramalho, continuou “A Sra. tem alguém que vai fazer essas cobranças ao Sr. Samuel?”.   E aí a moradora concluiu: “O Sr. Samuel é maravilhoso para dizer não!”, sacando de uma pasta reproduções de fotos aparentemente mostrando o descarte de lixo em ruas da região.

Quando a moradora citou que ”é necessário se cercar de assessores de qualidade na prefeitura regional”, o representante Carlos Alberto Farias reagiu falando alto e forte, achando que ele seria um dos alvos da crítica – “a senhora está me ofendendo!”. O que foi desmentido pela moradora, no ato, e várias vezes após – ela disse que a referência foi genérica.

O povo está certo e tem que reclamar! === No calor das palavras, a vereadora retornou ao assunto das demandas não atendidas. “A população está certa, tem que falar mesmo. Tem que falar se foi atendido e como foi atendido. Tem que haver diálogo”, salientou.  A vereadora até informa a todos o número de seu celular.

E, em cima da informação, uma outra moradora, na plateia, afirmou que “os vereadores não fazem o que eles falam”  e que,  segundo o Vereador Camilo Cristófaro “está tudo normal”. E pergunta à vereadora: “Gostaria de saber se você vai fazer a mesma coisa?”. Adriana Ramalho disse que não faz promessas, mas sim propostas. E disse que ali não podia resolver um problema de um dia para o outro, mas se propôs em marcar reuniões com o prefeito regional e o chefe de gabinete para buscar soluções às demandas. “Vamos marcar uma reunião lá na prefeitura regional porque a responsabilidade de zeladoria é deles. A minha responsabilidade como vereadora é fiscalizar como os munícipes e cidadãos”, acrescentou e deixou claro que “prefere mostrar sua atuação na prática”. Relatou aos presentes a forma como articulou a liberação dos recursos para a obra da encosta atrás da Prefeitura Regional – veja a matéria aqui.

Projeto de lei é a solução! === O assunto continuou, com uma fala em cima de outras, ao mesmo tempo.  Esse burburinho tomou conta do ambiente. No meio desta agitação, a moradora Dulcilene Ferreira voltou a colocar o problema do lixo nas ruas e esquinas da região (os pontos viciados de descarte irregular) e chamou à frente Wilson Padula,  representante  do vereador José Police Neto. Ela pediu que os vereadores (no caso, Adriana Ramalho e Police Neto) possam encaminhar um projeto de lei para regularizar “as carrocinhas de cata-bagulho” – que são as responsáveis pelos descartes irregulares –, que são muitas e proliferam por todos os bairros. Além desta ação, uma lei mais severa e com fiscalização efetiva para punir o descarte irregular.

O que é melhor para o bairro! === O presidente do CONSEG tentou colocar ordem na casa e falou dos procedimentos durante a reunião. Explicou que há normas da sequência de relatos de demandas. E que a reunião acabou ficando em cima de um único assunto por quase uma hora. Mas deixou claro “quem manda é o munícipe e aqui fazemos o que é melhor para o bairro”, e que os assuntos “não terminam na reunião, mas acabam na continuidade em outros locais de interesse”.

E a palavra foi retornada à mesa de autoridades, com o representante da Prefeitura Regional de Vila Maria/Vila Guilherme/Vila Medeiros, Carlos Alberto Faria. Ele referiu-se ao seu trabalho, “eu sou pago para trabalhar para vocês”, e que diariamente está envolvido nos assuntos da comunidade. Voltou a salientar que o maior problema da região é o descarte irregular de lixo, que é responsabilidade da nova contratada pela zeladoria, a Trevo – “que estamos nos adaptando”. Falou de um aplicativo que a Trevo recebe na hora as fotos e demandas, com 48 horas para executar o serviço ou “toma multas”. Segundo ele, “não é meu trabalho, mas o prefeito regional me colocou e estou fazendo. Eu sou Assessor do Gabinete”.

Uma milícia na Vila Guilherme === Foi observado também que o prefeito regional Dário José Barreto – que não tem participado das reuniões e, no momento, estava de férias – comprometeu-se a partir de agosto em estar presente em todas as reuniões. E o presidente do CONSEG começou a ler as demandas da plateia encaminhadas em formulários, que ficaram no problema do descarte de lixo irregular e de carroceiros – houve até citação à empresa de ônibus 2001, que tem lixo na rua.

E em seguida um assunto a mais foi abordado:  roubos nas casas de bolivianos, na região da Rua do Imperador com Manoel de Almeida, com assaltos e roubo de celulares na Rua dos Náuticos. O morador escreveu que foi proposta equipe de segurança com dez pessoas a 100 reais por morador e que policiais civis adentram às casas dos imigrantes para confiscar mercadorias. Foi observado que o assunto poderia ficar “em sigilo” do morador e que passaria o caso para a Policia Militar. Mas o morador se manifestou, no  meio da plateia, e se dirigiu à frente, onde  acrescentou mais detalhes ao caso.

E afirmou que bandidos mexem com tráfico de drogas, roubam mercadorias e ainda zombam dos moradores.  Ele chegou até ler uma frase de Nélson Mandela para união de irmãos com a paz, pois “é muito triste ver o que está acontecendo com a comunidade boliviana”. E complementou: “Espero que esta queixa seja levada a sério!”. Mais adiante, ele disse que a segurança é pública e “ninguém tem que ficar pagando” e deu a entender alguns envolvimentos na construção de uma milícia para segurança. “Mas a violência é muito grande!”, concluiu. O assunto foi passado para os representantes da Policia Militar, que vão entrar em contato com o denunciante.

Mais e mais demandas === O presidente do CONSEG retorna às leituras das demandas: viciados na Rua José Duran; falta de viaturas em ronda pelas ruas; falta de sinalização de trânsito no entorno do Expo Center Norte, onde caminhões de montadoras roubam as placas de estacionamento proibido  conturbando o trânsito local — pede-se a convocação de representante para analisar o problema da região; lixo com cortes de retalho de confecções no descante irregular – que segundo o representante da prefeitura regional, “retalho não é  lixo e não é do interesse pela empresa encarregada, não está no contrato”; sujeira na Rua São Quirino – com fotos –  ; caminhões de feira livre em cima da Praça Oscar da Silva e irregularidades na feira, com produtos sem higiene (até frango em caixas de isopor) – com fotos; pedido de ajuda do prefeito regional de Vila Maria para intervir junto aos líderes no caso de um sitio de 148 mil metros quadrados que foi invadido pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), na av. Sezefredo Fagundes, 5.400, na Serra da Cantareira (é outra prefeitura regional), onde construíram uma cidade com casas, comércio e serviços – que está com pedido de reintegração de posse; pedido para retirada do Colégio Jardim São Paulo da Av. Leôncio de Magalhães, que congestiona o trânsito de manhã, tarde e noite; lixeiros colocam diariamente a sujeira em sacos amarelos nas ruas da região, mas os caminhões não levam os sacos, que se acumulam nas ruas e ficam rasgados; e na Rua São Quirino a empresa FM Rodrigues (a serviço da Eletropaulo)  tem caminhões transportando terra com sujeiras e ocasionam buracos na região.

E volta o Caso do Lixo === E terminando a leitura das demandas, o chefe de gabinete da Prefeitura Regional de Vila Maria/Vila Guilherme/Vila Medeiros voltou a ser citado por causa dos descartes dos pontos viciados de lixo – e que ele não deu resposta. E o assunto voltou a ser debatido na plateia, com a fala da moradora Dulcilene Ferreira, ratificando com o assunto predominante é o lixo irregular e o caso dos carroceiros.

Segundo ela, o chefe de gabinete tem medo dos carroceiros e disse “Imagina, eu vou correr risco com os meus homens!?”, achando que eles podem ser atacados com facas. O representante da Prefeitura Regional, da mesa, voltou a argumentar que está sem gente para o serviço e ainda acrescentou que as câmeras de segurança ainda não foram entregues, que são 20 por distrito e aqui seriam 60 câmeras (Vila Maria/Vila Guilherme/Vila Medeiros) e que não podem ser utilizadas em pontos estratégicos já pré-estabelecidos, apesar das várias cobranças. Além da demora, tem a questão do serviço de monitoramento ser pago por uma empresa do local – que algumas já se dispuseram em ajudar. Ele pediu ajuda da vereadora Adriana Ramalho, que se prontificou em ver o assunto.

O encaminhamento do projeto de lei === No final, houve a oficialização da entrega do pedido para que os vereadores – Adriana Ramalho e José Police Neto – produzam  projeto de lei para normalizar os carroceiros e mais rigor na lei de descarte irregular de lixo. Mais adiante, a vereadora disse que quer a ajuda e participação para reuniões com os moradores, com o objetivo de montar a lei para a cidade toda.  Houve também pedido para a obrigatoriedade de sacos de lixo para cada feirante na limpeza das feiras livres. E outras demandas: sujeira e acumulo de folhagens com insetos no terreno da antiga Uniban, na rua Maria Cândida; a Eletropaulo podando as árvores da fiações e largando os galhos nas calçadas – sem retirada e recaindo para a Prefeitura — crítica feita pelo representante da regional de Vila Maria;  entre outras.

“Os finalmentes” === Chegou-se ao fim da reunião, ultrapassando o limite das duas horas,  deixando alguns moradores frustrados por não ter podido fazer suas colocações nas demandas. E os convidados especiais, que da mesa tiveram uma visão privilegiadas, quase nada falaram e só ficaram assistindo. A vereadora tirou fotos com participantes e prometeu retornar com novidades. A reunião do CONSEG Vila Guilherme-Jardim São Paulo acontece sempre na terceira 4ª feira do mês, sendo a próxima em 15 de agosto.

LimpaSP – estréia

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